27.02.2020
Martim Silva
Diretor-Adjunto
Discutir eternamente onde fica o aeroporto. Eis o
desporto favorito dos (políticos) portugueses
Hoje o meu destaque de abertura vai para um tema
que, de repente, aterrou em força na discussão pública e política
nacional, e que não me cheira que vá abrandar tão depressa. Trata-se da
discussão sobre a localização do novo aeroporto da região de Lisboa. Pois,
todos pensávamos que o tema estava mais ou menos arrumado. Mas não, qual quê?
Discutir a localização de aeroportos tornou-se
uma espécie de desporto nacional. É mais popular que fazer uma raspadinha.
Discutimos, discutimos, discutimos, e no final
chegamos a uma conclusão. E a seguir, o que fazemos? Discutimos mais, claro.
Nem que seja para discutirmos a própria discussão ou sobre quando é que vamos
voltar a discutir a discussão.
(Note-se que esta minha observação não implica
nenhuma atitude de apoio ao Montijo ou de rejeição à Ota ou de simpatia por
Alcochete. Nesta matéria sou agnóstico e a minha única convicção é que precisamos
de um novo aeroporto em Lisboa. A minha observação é uma reacção de desagrado
pela nossa incapacidade congénita de, perante um problema, encontrar uma
solução de forma rápida e eficaz e executá-la. Só isso!)
Algumas câmaras comunistas da margem sul, como o Seixal e a Moita, já vieram dizer que são contra o aeroporto do
Montijo. De acordo com a lei, o seu parecer é vinculativo. O Governo
sugeriu uma alteração à lei para contornar este impedimento. O PSD veio ontem dizer, por David Justino, que nem pensar, por ser um entorse ao Estado de
direito, apesar de reconhecer que a lei é estúpida. E a seguir, para quem
tivesse dúvidas, Salvador Malheiro disse o mesmo numa conferência de imprensa
Em resposta, no
Parlamento, o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, já veio
garantir que não haverá dramas (porque é uma Questão Política) se a
construção do aeroporto no Montijo não avançar.
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Aerovergonha - O Irritado
O
espantoso indivíduo que conhecemos como ministro das infraestruturas e como
auto-alegado chefe da esquerda do PS, ou do PS/BE, senhor P N Santos, com seu
habitual regougo autoritário (afirmativo, assertivo, como se diz por
aí), veio declarar, tonitruante e bombástico, que há uma lei em vigor, tão vil
tão vil, que impede a construção do aeroporto do Montijo. É preciso acabar com
ela, grunhe o artista. Estou com ele. Tem toda a razão. Tal lei, produto da
inteligência privilegiada do PS, do Sócrates e dos seus ministros -
muitos dos quais, a começar pelo primeiro ministro, continuam a iluminar os
nossos pobres dias - é estúpida, tão estúpida como os que a produziram, não
devia ter sido feita, promulgada, publicada e posta em vigor. Muito bem, senhor
P N Santos. Com a mesma verve e a mesma autoridade com que, há uns anos,
ameaçava a dona Ângela, voz grossa colocada, ameaçadora, a pôr a mulher de
joelhos, V EXª revolta-se, indignado, contra a existência do documento. Tem
toda a razão, repito. Só que é estranho que não se tenha lembrado disso há
mais tempo. Antes de tomar a gigantesca decisão que lhe garantirá o ingresso na
História deveria ter consultado a inenarrável teia de burocracias que teria que
ultrapassar para conseguir o seu notabilíssimo propósito. Não consultou,
revelando a evidente incompetência que o caracteriza. Por outras palavras, mais
suaves, o socialismo burocrático fê-lo tropeçar nas patacoadas legislativas em
que é especialista. É o governo, o Estado, a estender-se ao comprido na sua
própria selva. Bem feita, clama o IRRITADO. Agora, desenrasque-se, passe
pela vergonha (se o Ferro autorizar tão incrível palavrão) de dar o dito por
não dito, de abolir a tal lei estúpida, antes de poder pôr os bulldozers em
acção. Interessante é verificar que, nem S Exª nem os seus socráticos
camaradas, pedem desculpa por mais esta asneira, de que são os únicos
responsáveis. Querem descalçar a bota sem assumir responsabilidades.
Aliás, se as assumissem, seria a primeira vez. Se a celerada lei tivesse sido
produzida no tempo de Passos Coelho, a barulheira seria estrondosa, os insultos
seriam aos pontapés, a culpa era da “direita”, do fascismo, da xenofobia, do
racismo, etc..
Não
é, oh "menino" Pedrinho?
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diarreia
mental nem merece ser comentada).
Justiça, e com todos nós
No esgrimir de argumentos neste debate, os
apoiantes da solução Montijo contaram com um precioso apoio quando José
Sócrates decidiu vir a público apoiar a solução… Alcochete. (O mesmo é
dizer: Puxar a Brasa à Sua Sardinha…!!!??? E ainda lhe são permitidas
Broncas, Palites e Trolarós enquanto goza com Portugal, com a Justiça, e com
todos nós…)
Ainda sobre Alcochete, que é bom
lembrar esteve em cima da mesa quando a opção da Ota foi questionada há mais de
uma década… […]
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Por falar em Aeroporto do
Montijo, está na cara que o IMPORTANTE não é a Localização, que seria um dos
factores mais Lógicos, Baratos, Ambientalmente Menos Lesivo, etc., para
Portugal, ao ponto de se constituir um conjunto de personalidades que
avaliassem, apartidariamente, as alternativas. Por acaso, recordo que
quando pela 1ª vez se falou na Ota, mário soares e almeida santos desataram a
comprar terrenos ao preço da uva mijona que entretanto, assim esperavam, teriam Uma
Valorização Enorme só que... tudo ficou no papel como é uso em Portugal. Anos
mais tarde (como se não fosse urgente) veio o Alcochete de sócrates (a quem
ainda hoje se permite promover a hipótese que, presume-se, é tudo menos
desinteressada...), o Montijo atribuído a passos coelho, Alverca não sei a
quem, Rio Frio, Beja … MAS O QUE É ISTO? O Aeroporto é para Portugal ou
PARA ALGUM PARTIDO POLÍTICO se masturbar a berrar que a ideia foi dele...
enquanto a conta será dividida também por todos os que Contribuem?
Vou contar-lhes uma
historinha: O antigo Aeroporto Internacional de Roma, Ciampino, foi de tal modo
invadido por Imóveis Habitacionais e outros (licenciados por interesses
Camarários, como em Lisboa) que se viram obrigados a construir um Novo
Aeroporto Internacional, Fiumicino, mas agora com Legislação a Proibir Qualquer
Construção à volta(não sei quantas Milhas). A verdade é que continua
operacional há mais de 30 anos.
Claro que em Portugal, por
razões políticas ou outras, dentro de pouco tempo o Novo Aeroporto será Mais
Uma Área Habitacional. O que eu gostaria de estar
enganado...
Fonte: Tsunami