Cravinho à medida do MPLA
João Gomes Cravinho é o novo ministro português da Defesa, em substituição de José Azeredo Lopes. Trata-se de um perito de longa tradição socialista e certamente merecedor de um doutoramento “honoris causa” pelo MPLA. Por alguma razão este figurão comparou, em Novembro de 2005, em entrevista ao Expresso, Jonas Savimbi (que tinha morrido três anos antes) a Hitler.
Em
tempos, a Comissão de Negócios Estrangeiros do Parlamento português
quis ouvir o então secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da
Cooperação (João Gomes Cravinho) sobre a situação na Guiné-Bissau. Na
altura, o caso do ex-chefe da Armada guineense, Bubo Na Tchuto, foi é
revelador do que Portugal (não) pensa sobre a Guiné-Bissau.
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Em
Janeiro de 2010, quando oficialmente Bubo Na Tchuto era procurado pela
justiça e se tinha refugiado na sede da ONU em Bissau, João Gomes
Cravinho disse que o caso veio “expor completamente a fragilidade das
instituições” guineenses.
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Basta
ler (se alguém tiver paciência para isso) o que Gomes Cravinho disse
uma vez, nem que seja há um par de anos, para se saber que sempre que
fala da Guiné-Bissau usa as mesmas ideias, os mesmos argumentos, a mesma
teoria e, é claro, a mesma passividade.
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O
então secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação de
Portugal só altera o nomes dos protagonistas. Na altura foi Bubo Na
Tchuto, tal como já foram, entre outros, Hélder Proença, Baciro Dabó,
Tagmé Na Waié e João Bernardo Nino Vieira.
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E
por falar em Gomes Cravinho, recordam-se que ele afirmou no dia 4 de
Dezembro de 2007 que a União Europeia devia libertar-se da “bagagem
colonial” na relação com África, reconhecendo que o continente “é hoje
um igual” com “progressos notáveis” nos últimos anos?
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E
por falar em Gomes Cravinho, recordam-se que ele comparou em Novembro de
2005, numa entrevista ao Expresso, Jonas Savimbi (que tinha morrido
três anos antes) a Hitler?
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E
por falar em Gomes Cravinho, é de crer que um dia destes irá dizer que
“Nino” Vieira foi outro Hitler africano. Isto porque o então secretário
de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação de Portugal, hoje
ministro da Defesa, tem coragem suficiente para fazer destas afirmações
sobre pessoas depois de eles terem morrido.
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Sobre
os vivos, por muito mais que eles se assemelhem a Hitler, como é o caso
de José Eduardo dos Santos, Cravinho apenas sabe estar calado.
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No
dia 18 de Janeiro de 2010, João Gomes Cravinho afirmou que o Governo
português acompanhava com a «atenção normal» a situação na província
angolana de Cabinda, defendendo que o importante é a detenção de
responsáveis de ataques criminosos.
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Não
está nada mal. Até parece que, para os donos do reino lusitano, falar
de Cabinda ou de Zoundwéogo é exactamente a mesma coisa. Lisboa
esqueceu-se, continua a esquecer-se, que os cabindas, tal como os
angolanos, não têm culpa que as autoridades portugueses (grande parte
delas do Partido Socialista) tenham, em 1975, varrido a porcaria para
debaixo do tapete.
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Quando
interrogado sobre se o Governo português considerava preocupantes as
notícias de detenções de figuras alegadamente ligadas ao movimento
independentista na província de Cabinda, João Gomes Cravinho – hoje,
corrobore-se, ministro da Defesa -afirmou que «preocupante é quando há
instabilidade e violência, como aconteceu com o ataque ao autocarro da
equipa do Togo» a 8 de Janeiro de 2010.
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Sim,
é isso aí. Portanto, o MPLA pode prender quem muito bem quiser (e quer,
continua a querer, todos aqueles que pensam de maneira diferente) que
terá, como é óbvio, o apoio e a solidariedade das autoridades
portuguesas.
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Tal
como fez em relação a Jonas Savimbi depois de este ter morrido, Gomes
Cravinho não tardará (provavelmente só está à espera que eles morram) a
chamar Hitler, entre outros, a Raul Tati, Francisco Luemba, Belchior
Lanso Tati, Jorge Casimiro Congo, Agostinho Chicaia, Martinho Nombo,
Marcos Mavungo ou Raul Danda.
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João
Gomes Cravinho explicou na altura que, «em relação ao mais» Lisboa
acompanha o que se passa «pelas vias normais», isto é, pela comunicação
social e pelos relatos feitos pela embaixada portuguesa.
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Ou
seja, Portugal está-se nas tintas. E quando Cravinho diz que Lisboa
acompanha o que se passa pelos relatos feitos pela embaixada portuguesa
estava a esquecer-se que a embaixada lusa se limitava, como se limita
hoje, a ampliar a versão oficial do regime angolano.
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Como
se já não bastasse a bajulação de Lisboa ao regime angolano, ainda
temos de assistir à constante passagem de atestados de menoridade e
estupidez aos portugueses por parte de alguém que, depois do desastroso
papel como secretário de Estado, chega a ministro da Defesa.
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