segunda-feira, maio 21, 2018

PORTUGUESES QUE LAVAIS, AS MISÉRIAS, NO FUTEBOL


O que é de mais é moléstia! Hoje, na televisão de minha casa, a RTP começou a difundir tretas sobre o futebol desde as quatro até às 11 da manhã! Francamente os portugueses estão a ser embarrilados com o futebol, festivais da Eurovisão e não tarde aí o Mundial na Rússia.
Os homens do governo de Portugal agradece que o “pagode” se envolva nestas misérias e eles continuem a praticar aquilo que bem lhes der nas ganas.
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O prato do dia para o momento é um “delinquente” chamado Bruno de Carvalho que ordenou um arraial de pancadaria aos jogadores e técnicos na Academia de Alcochete. 
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O delinquente Bruno, afirmou a pés juntos, numa conferência de imprensa, de duas horas (santa paciência dos jornalistas), estar de pedra e cal como presidente do Sporting Club de Portugal. Deus proteja o “delinquente” Bruno!
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Na Vila de Aves e nos arredores não se fala de outra coisa a não ser a vitória, sobre os 11 jogadores desmoralizados do Sporting e trazer para casa o caneco, metalizado, a lembrar que em 2018 o club, lá da terra, ganhou a Taça de Portugal!| Pouco importa que haja por lá desemprego, barrigas a dar horas, mas importante a “cagança” do ganho da Taça de Portugal.
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Pobre povo lusitano que se insere em porcarias que nada dignifica ou desenvolve Portugal.
José Martins

Fico sempre desconfiado quando se junta um grupo de pessoas para “pensar o país

Pensar Portugal

20 Maio, 2018
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Fico sempre desconfiado quando se junta um grupo de pessoas para “pensar o país”. Desatam normalmente a descobrir políticas de “interesse nacional” e eu, confesso, já estou farto de me irem ao bolso…
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Pus de lado o meu preconceito e admiti que o evento pudesse decorrer em São Mamede de Ribatua para demonstrar a preocupação desta gente pelo Interior, mas calha afinal que se juntaram nessa localidade periférica votada ao ostracismo que é Cascais.
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Em luta contra as minhas próprias ideias feitas, reconheci que pelo menos os oradores principais certamente seriam pessoas normalmente sem palco mediático, distantes da oligarquia que nos pastoreia, indivíduos livres e com ideias inovadoras. E não é que eram mesmo?!
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Vejam só: Marcelo Rebelo de Sousa; Manuel Caldeira Cabral; António Vitorino; Luís Marques Mendes; Luís Amado; Carlos Carreiras; Jorge Coelho; Guilherme d’ Oliveira Martins; Nunes Liberato; Pedro Reis; Rui Moura Ramos; entre outros. Nem sei como António Costa não se juntou ao acontecimento.
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Percebi melhor o que moveu as pessoas a deslocarem-se ao hotel de luxo da Cidadela para assistirem às conferências quando um amigo (mais perspicaz e com maior talento do que o meu) sintetizou da seguinte forma: “é o equivalente a ir à ópera, mas sem a gorda a cantar”.

"FERREIRA FERNANDES ESCREVEU"

Os sujadores de profissionais

A carteira profissional é mais do que um diploma, não serve para pendurar numa parede. É para a levarmos sempre connosco porque a todo o momento podemos ser questionados, por nós próprios, se o somos, ou não. Profissionais. 
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Aquilo que um homem ou uma mulher fazem para ganhar a vida. Profissional é estarmos sendo; não o que herdamos ou nos caiu na rifa sermos. A palavra profissional é um elogio. Aquele padeiro é um profissional, aquele futebolista é um profissional... 
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Quim é um profissional: aos 42 anos chegou a vencedor da Taça, jogando pelo modesto Aves, vindo de uma freguesia cuja população mal enche meia bancada de um estádio. Bas Dost é um profissional, remata e falha um golo fácil mas volta a cabecear apesar de na testa já ter voado o penso lá posto porque alguns do seu clube, dias antes, lhe abriram um lanho. 
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Um profissional insiste, corre e sua, arrisca-se a voltar a falhar, apesar de ferido na alma e com a inquietude do amanhã incerto. Profissional. Um profissional traz em si um abençoado orgulho. Nada que ver com os que tratam os outros pelo que sabem de si, e o que sabem de si é tremendo e sujo. 
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Por exemplo, o mecânico que cobra mas não põe óleo nos travões. Por exemplo, ainda, o jornalista que acolhe um pulha confesso (pois é gajo que diz comprar jogadores), e, na base da palavra do pulha, ajuda-o a sujar o nome de profissionais. 
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E sai nome do profissional na manchete, mais cara do profissional nas fotos! E as provas apresentadas são: o profissional, que era guarda-redes, atirou-se para a esquerda num penálti... 
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Com essas provas, nome, cara e carreira de um homem atirados para o galheiro. Estamos assim. Repararam que não dei adjetivo, bom ou mau, ao profissional abusado? 
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Foi de propósito, porque não sei nada dele. Nem eu, nem vocês, nem os jornais que o enlamearam. Só sei que um homem qualquer foi abusado. E sei mais: um dia há de calhar-vos, calhar-nos, um abuso igual. Merecido, aliás. 
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É que talvez sejamos, muitos de nós, profissionais, bons ou assim-assim. Mas cidadãos, não. Somos distraídos, o que hoje pode ser pecado mortal.

PEDIDO "GRELHA" PARA OS MALVADOS DE ALCOCHETE

21/5/18

Sporting. MP pede prisão preventiva para 23 arguidos no caso de Alcochete

Jornal i 20/05/2018 16:04
Em causa estão os crimes de introdução em lugar vedado ao público, ameaça agravada, ofensa à integridade física qualificada, sequestro, dano com violência, detenção de arma proibida agravado, incêndio florestal, resistência e coação sobre funcionário e também de um crime de terrorismo.
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O Ministério Público (MP) pediu este domingo a prisão preventiva dos 23 arguidos envolvidos nas agressões na Academia do Sporting, em Alcochete, na passada terça-feira.
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De acordo com o Diário de Notícias, o MP invocou "perigo de fuga, perigo de perturbação do decurso do inquérito", "perigo da continuação de atividade criminosa" e "perturbação da ordem pública" para justificar o pedido da medida de coação mais gravosa.
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Recorde-se que um grupo de pessoas entrou na Academia do Sporting, em Alcochete, e agrediu vários jogadores e o treinador Jorge Jesus. Os 23 detidos são suspeitos dos crimes de introdução em lugar vedado ao público, ameaça agravada, ofensa à integridade física qualificada, sequestro, dano com violência, detenção de arma proibida agravado, incêndio florestal, resistência e coação sobre funcionário e também de um crime de terrorismo.
Estes são os 23 detidos:
Guilherme de Sousa
Tiago Brito Noves
Valter Semedo
Luís Brito de Almeida
Tiago da Silva
Sérgio de Oliveira Costa
Afonso Girão Ferreira
Domingos Monteiro
João Calisto Marques
Jorge Serrão de Almeida
Pedro Reis Santos
João Quaresma Gomes
Rúben Marques
Miguel Caldeira Ferrão
Pavlo Antonchuhk
Ricardo Nunes das Neves
Bruno Andrade Monteiro
Emanuel Calças
Gustavo Tavares
Nuno Henrique Alves
Filipe Alencastre Ferreira
João Pedro Montez
António Pina Catarino
As idades dos 23 indiciados vão dos 20 aos 36 anos.

"FACEBOOK: "PAU PARA TODA A COLHER"



Grupo MFI alerta sobre anúncios obscuros no Facebook

Hor Kimsay | Data de publicação 21 de maio de 2018 | 10:17

Um representante da Associação de Microfinanças do Camboja (CMA, na sigla em inglês) advertiu o público sobre os riscos de contrair empréstimos em dinheiro de instituições desconhecidas, observando que os credores obscuros estavam impulsionando seus anúncios.

Yun Sovanna, diretor executivo da CMA, disse no domingo que os chamados empréstimos em dinheiro fácil estão se tornando cada vez mais visíveis no Facebook. Ele observou que os cidadãos deveriam examinar criticamente qualquer oferta que vêem anunciada na rede social, pois os credores podem ou não estar licenciados junto ao banco central.
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"Isso pode afectar seriamente a sociedade e a economia do país se mais pessoas estiverem endividadas com os credores não regulamentados", disse ele, acrescentando que se esses serviços continuarem em operação, mais pessoas poderiam ser prejudicadas e, eventualmente, a reputação do sector seria afectada negativamente .
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Anúncios para empréstimos de dinheiro fácil têm crescido mais predominantemente recentemente nas medias sociais, bem como adornando cartazes nas costas dos tuk-tuks. Frequentemente, esses serviços oferecem empréstimos sem a necessidade de garantia, mas não revelam a taxa de juros real.
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Chea Serey, diretor-geral do Banco Nacional do Cambodja (NBC), disse no domingo que a NBC está ciente do assunto e fez muitas declarações alertando o público sobre as práticas de empréstimos predatórios.
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"Saudamos o anúncio do CMA reforçando nossa posição e esperamos que ele possa promover melhores programas de educação e consciencialização para o público", disse ela. "No lado da NBC, estamos cooperando estreitamente com agências de fiscalização relevantes para reprimir essa prática."
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No entanto, Ngeth Chou, consultor sênior da Emerging Markets Consulting (EMC), disse ontem que os empréstimos oferecidos por instituições não licenciadas são muito arriscados e que a NBC deve tomar medidas sérias, em vez de apenas fazer anúncios para controlar o problema.
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"Nosso pessoal ainda tem baixo conhecimento financeiro, o que significa que precisamos de reguladores financeiros para trabalhar activamente para proteger o público", disse ele. “Apenas regulamos quem tem licenças por meio de ações como colocar limites nos interesses. Mas se permitirmos que os operadores não licenciados ofereçam o mesmo serviço, isso é injusto para as instituições formais. Desincentiva os operadores a ingressarem no sector formal ”.
Em agosto do ano passado, o banco central multou uma instituição de microfinanciamento sem nome de US $ 100.000 por se envolver em práticas de empréstimos não transparentes.
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Na mesma época, o banco central lançou uma linha dedicada aos clientes para relatar quaisquer queixas relativas às práticas de empréstimos dos bancos ou das IMFs.

"TRÊS UNHA E CARNE"

Sócrates está de mão dada com Ricardo Salgado e com António Costa. Sempre estiveram juntos!

«Sócrates tomou conta da CGD e do BCP e toda a gente soube. Sócrates tinha uma enorme influência na PT e na EDP e toda a gente sabia. Sócrates pressionou jornalistas e conseguiu correr com Manuela Moura Guedes e toda a gente viu. 
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Pinto Monteiro e Noronha de Nascimento impediram a investigação a Sócrates na tentativa de comprar a TVI e toda a gente foi informada. Nada disto foi secreto, ou sequer discreto. Tudo o que fez de José Sócrates uma personalidade singularmente perigosa esteve à vista de todos». João Miguel Tavares, Jornal “Público”, 10/05/2018.
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«A amizade é um contrato segundo o qual nos comprometemos a prestar pequenos favores para que no-los retribuam com grandes». Montesquieu.
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J.M.T. põe o dedo na ferida, como é que os socialistas e António Costa à cabeça, podem alegar que se se provar que Sócrates cometeu os crimes de que é acusado pelo Ministério Público, será uma vergonha para a democracia! Para a democracia? Desculpem, para o Partido Socialista, o que é diferente! E os outros crimes? Aqueles à vista de todos e que querem fazer de nós tansos alegando o chavão: à justiça o que é da justiça – e tudo o que está completamente à vista, como J.M.T. aponta, precisa de esperar 10 anos pela sentença, isto se houver julgamento?
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E Costa ainda agora o disse – a 9 de Maio no debate quinzenal na A.R. – que defendeu o Governo de Sócrates até ao último dia:

“Apesar de tudo eu tinha saído do governo em 2007, já não fazia parte desse governo”, continuou, mas não é por isso que “tinha deixado de ser apoiante desse governo que apoiei até ao último dia”. António Costa, Primeiro-Ministro, Jornal “i”, 10/05/2018.
E não tem vergonha de o dizer? 
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Um Governo que lançou o País na bancarrota e que lhe deixou – que nos deixou – dívidas colossais para pagar, rendas miseráveis na energia e nas auto-estradas para honrar, contratos revogados, como o do TGV, para indemnizar, os piores SWAPS do mundo, como dizia na altura “The Economist” para pagar com juros e, por incrível que pareça, Costa e os seus pares não viram nada do que J.M.T. cita em supra? Foi público que Armando Vara terminou uma ‘licenciatura de aviário’ e no dia seguinte foi nomeado e empossado Administrador da CGD, Costa não soube? 
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E quando ele e Santos Ferreira tomaram de assalto o BCP, também não viu? Achou bem que Sócrates ‘abafasse’ e acabasse com o “Jornal das 9” de Manuela Moura Guedes e não achou um ataque miserável à liberdade dos media? Estava no Governo mas não percebeu as manobras com a ‘golden share’ da PT e a derrota da OPA da SONAE que alienou uma das maiores empresas portuguesas, não viu? 
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E os CMECS na EDP, foram propostos em Conselho de Ministros por Manuel Pinho – os Governos anteriores legislaram mas não regularam qualquer valor – também não se apercebeu? E a acusação do Procurador de Aveiro de que o conteúdo das escutas a Sócrates configurava um atentado ao Estado de Direito? Também não tomou conhecimento ou assobiou para o lado?
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Costa está metido até ao pescoço no apoio a um homem, de quem aliás foi braço direito durante anos, e que é o responsável por tudo o que foi descrito acima. E isso sim, constitui desde já, não é preciso vir a provar nada em tribunal, uma vergonha colossal.
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É por isso que ninguém poderá invocar mais tarde que sente vergonha ou que não sabia que Costa era assim, ou que Costa era assado – como fazem agora em relação a Sócrates – ele mostra bem aquilo que é, desde já, neste preciso momento…
Rui Graça Moura

PORTUGAL: "A LEI DA CACETADA A FUNCIONAR - JÁ NINGUÉM ESTÁ SEGURO"

Taça de Portugal

Jornalista da RTP agredido e equipamento destruído na final do Jamor

Jornalista da RTP agredido e equipamento destruído na final do Jamor
Um jornalista da RTP foi agredido durante a final da Taça de Portugal, que decorreu no Estádio do Jamor, Oeiras, de acordo com a Comissão de Trabalhadores da estação pública de televisão.
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"A Comissão de Trabalhadores repudia veementemente a agressão de que foi vítima um jornalista repórter da RTP, por parte de criminosos disfarçados de adeptos de futebol na Final da Taça de Portugal", refere aquele órgão representativo dos trabalhadores num comunicado divulgado no sábado à noite.
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Segundo a Comissão de Trabalhadores (CT) da estação pública, "além da violenta agressão foi também destruído equipamento da RTP".
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O porta-voz do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, Tiago Garcia, em declarações à Lusa no final do jogo, referiu que adeptos do Sporting atiraram pedras a equipas de reportagem que se encontravam na praça da Maratona.
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No comunicado, titulado "Isto não pode continuar", a CT recorda "que segundo o recentemente alterado Artigo 132.º do Código Penal, as agressões a jornalistas no exercício das suas funções são crime público", esperando das autoridades competentes "uma atuação célere na investigação e acusação dos autores deste crime".
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A CT lembra ainda que "há menos de um ano, um outro jornalista da RTP foi selvaticamente agredido em reportagem numa escola básica de Lisboa".
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"Isto simplesmente não pode continuar", conclui a CT, aproveitando para se solidarizar com o jornalista e a sua família, a quem manifesta o seu apoio.

domingo, maio 20, 2018

"UM RAPAZ QUE NÃO ERA GAGO A FALAR!"


Director do Museu da Presidência alugou presépios de Maria Cavaco Silva por 30 mil euros

Diogo Gaspar tentou enganar João Soares quando este era ministro e até conseguiu vender a Belém móveis que tinha roubado dali, diz Ministério Público, que acusou arguido de 42 crimes.
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Diogo Gaspar, o ex-director do Museu da Presidência da República acusado de ter desviado móveis e obras de arte de Belém, alugou a colecção de presépios de Maria Cavaco Silva por 30 mil euros, diz o Ministério Público.
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Tudo se passou no Natal de 2011, quando as figurinhas da ex-primeira-dama rumaram a Espanha para serem expostas em Cáceres, na fundação Mercedes Calles y Carlos Ballestero. Apesar de estarem na altura à disposição do Museu da Presidência, não foi através desta entidade que os presépios foram cedidos. A procuradora do Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa que acusou esta semana Diogo Gaspar de 42 crimes, entre os quais abuso de poder, tráfico de influência e branqueamento de capitais, descreve a forma como o arguido criou firmas com dois amigos íntimos para prestarem serviços ao Palácio de Belém.

Foi através de uma delas, a Traço a Traço, que fez este negócio. “Apresentou a empresa à fundação Mercedes Calles y Carlos Ballestero fazendo crer que ela tinha a posse e disponibilidade dos presépios de Maria Cavaco Silva”, refere a acusação. Os 30 mil euros cobrados incluíram não só o aluguer como também a embalagem, o transporte e o seguro das peças, bem como os textos explicativos da exposição El Belén – Colección Maria Cavaco Silva. Mas quem afinal organizou tudo, assegura o Ministério Público, foram funcionários da secretaria-geral da Presidência da República.
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Diogo Gaspar e restantes arguidos deste processo “apenas realizaram serviços parcelares, sempre em colaboração com funcionários do Museu da Presidência”. O agora arguido recebeu ainda 1350 euros da Traço a Traço a título de direitos de autor por ter elaborado os textos da exposição. Pagamento que, no entender da Polícia Judiciária, nunca lhe seria devido, uma vez que apenas executou tarefas decorrentes da função de director do Museu da Presidência.
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Mas este foi apenas um dos muitos negócios de Diogo Gaspar. Oriundo de uma família de Portalegre, o historiador tinha, de acordo com o Ministério Público, o sonho de chegar mais longe: “Desenvolveu ambições políticas, nomeadamente a de ocupar a posição de presidente da Câmara de Portalegre ou de ficar à frente de uma eventual fundação” ligada às tapeçarias artesanais únicas produzidas naquela cidade.
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Ciente das dificuldades financeiras que atravessava a fábrica Manufactura Tapeçarias de Portalegre, terá orquestrado um plano que passava por convencer o então ministro da Cultura João Soares a comprar a empresa e a transformá-la em fundação. A ele e a alguns amigos caberia uma percentagem do negócio. “Se a gente conseguir vender aquilo são cento e tal mil para cada um”, diz a um deles numa conversa escutada pela Polícia Judiciária.

Em Março de 2016 chega mesmo a almoçar com João Soares para lhe expor esta ideia, em que o governante, porém, não pega.

Presidência promoveu tapetes

A campanha de promoção que fez da fábrica chegou ao ponto de enviar cartas timbradas da Presidência da República para municípios, embaixadas e outros organismos oficiais propondo-lhes a compra de tapetes a preços promocionais. Entre 2012 e 2013 várias dessas missivas foram entregues por protocolo, pelos estafetas que a GNR tem no Palácio de Belém. Graças ao seu empenho, a fábrica conseguiu vender cerca de uma dúzia de peças.
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Quando almoça com João Soares o director do museu ignora que se encontra sob escuta e que, dali a escassos três meses, será detido pela Polícia Judiciária. Não sabe que está a ser investigado desde 2015, graças a uma extensa e detalhada denúncia recebida no Ministério Público. “Usa o seu cargo para construir uma sólida rede de tráfico de influências que utiliza em benefício próprio e dos que lhe são íntimos”, refere o denunciante. “Servindo-se de uma notável capacidade de argumentação, tem conseguido, ao longo dos anos, o aval financeiro dos sucessivos superiores hierárquicos para todas as iniciativas que toma, mesmo que a temática escolhida não se relacione com o museu”.

A missiva alude a uma rede de parcerias com autarquias, dioceses e outras instituições, contactos dos quais o historiador teria sempre conseguido tirar dividendos pessoais. E ainda às frequentes ausências de Diogo Gaspar de Belém, sob pretexto de organizar exposições itinerantes. Há quem ironize dizendo que está “de licença com vencimento”. Por mais de uma vez subordinados seus vêem descontados do salário subsídios de refeição: para ser reembolsado de almoços e jantares fora de Lisboa Diogo Gaspar diz que saiu em serviço com eles, apesar de isso não ser verdade.
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Quando, em Junho de 2016, a Judiciária desencadeia a chamada Operação Cavaleiro, em homenagem aos títulos honoríficos concedidos ao historiador, encontra na casa do suspeito, em Lisboa, mas também na residência dos pais, em Portalegre, dezenas de peças de mobiliário, tapetes e quadros cuja proveniência tenta apurar. Nuns casos terão sido compradas ao Palácio de Belém por atacado em 2009 por um preço inferior ao de mercado, através das empresas dos amigos, concluem as autoridades, depois de ter sido o próprio arguido a indicá-los para abate; noutros tê-las-á levado simplesmente para casa. O valor unitário de cada uma delas nunca ultrapassa as centenas de euros.
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Entre as peças compradas por atacado figura um par de maples a que os investigadores dedicam especial atenção. Motivo: garantem que o historiador os vendeu três anos mais tarde à Presidência por 922 euros. Do mesmo lote fazia parte uma mesa bufete do séc. XVIII, cujo restauro os investigadores dizem ter sido pago pelo erário presidencial e que só depois disso foi parar à casa do director do museu. Um colega de Diogo Gaspar contou à Judiciária que ele se mostrava disposto a vender a mesa à Presidência, pois entendia que esta fazia todo o sentido na decoração de Belém.
Quando foi interrogado, o arguido reafirmou que a mesa – que acabou vendida a uma leiloeira – era sua e lhe tinha chegado às mãos “em péssimo estado”.
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Além de Diogo Gaspar, foram constituídos arguidos no processo três amigos do ex-director do museu, donos das empresas através das quais foram feitos os negócios em causa. Foi ainda extraída uma certidão destinada a abrir uma nova frente de investigação neste caso, relacionada com um ajuste directo feito pela Câmara de Boticas em 2012 à empresa que alugou os presépios. O objecto do contrato, no valor de 73.500 euros mais IVA, era a concepção de um projecto estratégico para o Centro de Artes Nadir Afonso. Por conta deste contrato, Diogo Gaspar recebeu 43 mil euros que não declarou ao fisco, refere a acusação.