O
Plano Nacional de Leitura é uma “coisa” feita para promover certas obras, de
certas pessoas amigas dos intelectuais do regime, cujos livros têm de ser
usados em actividades educativas (pagas) dos escritores vivos, cujas obras têm
de ser compradas e lidas pelos alunos e a respectiva receita entregue às
editoras dos escritores mortos. Tudo junto, um maná. Ora, ao escolher obras de
Saramago, para onde vai a receita ? Follow the money.
A
rede de bibliotecas escolares tem de adquirir obras que estejam incluídas nesse
plano, não devendo incluir as que não estão. Mais maná. Qualquer intelectual
divergente tem de aproximar as suas ideias às do grupo decisor, se quiser ter
parte do bolo. E tudo isto é uma espécie de censura suave de qualquer ideia
desalinhada com o regime.
Sim,
o que andam a ministrar aos alunos do 12o ano é uma forma de apologia de
políticas erradas, baseada em caricaturas sociais. Mas a questão é: os
professores também não são sindicalizados na FENPROF ? Tal como muitos dos
decisores sobre exames do Ministério, avaliadores, etc. ? De que adianta mudar
o livro quando o problema está na interpretação aprovada do mesmo (e que será
validada no exame nacional) ?
Ou
seja, continua a selecção ideológica para as faculdades de humanidades. Já
vimos isto nos States, na América Latina e nos movimentos do marxismo-cultural.
Uma tragédia cultural. Em Portugal estamos na fase da farsa.
José
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