Texto de autor desconhecido, copiado da Suzana Redondo, da minha escola
CNA, ainda melhor do que a tropa :
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É isto que tenho a dizer sobre o racismo.
Saudades dos tempos em que havia burros, gordos caixa de óculos, pretos,
pulas, chineses, geeks, etc. Os burros chumbavam, não se tornavam doutores como
hoje em dia. Mas a fasquia era definida no marrão da turma, não por baixo como
agora. Somos todos iguais, diz-se.
Antes não éramos, mas o gordo tinha notas brutais e ninguém sabia como, o
caixa de óculos tinha um sentido de humor inigualável, o preto jogava à bola
como ninguém e dava-lhe à brava em inglês, o chinês tinha vindo de outra escola
e tinha histórias que não lembravam a ninguém. Cada um tinha um defeito, mas
tinha ou lutava por ter tantas outras qualidades.
Hoje não. Somos todos iguais. Tudo é bullying, racismo, desrespeito,
xenofobia, opressão, violência. Antigamente quando não se distinguia o racismo
da alcunha, levava-se um chapadão na tromba e aprendia-se. E não era bullying.
Era aprendizagem. Da dura, daquela que dói mas não se esquece mais. E às vezes
em casa com os pais também se aprendia.
Ser igual a todos era tudo que não se queria. O sem sal passava
despercebido e sentia-se sozinho. Ter uma alcunha diferente era fixe. A
diferença era vista com bons olhos.
E aprendia-se uma coisa importante: rirmos de nós próprios. E não chorarmos
porque alguém nos chamou isto ou aquilo. Assumia-se a gordura, o esquelético, a
caixa de óculos e tudo o mais que viesse.
Mas quando não se estava bem, quando não se gostava da alcunha, fazia-se
uma coisa importante: mudava-se, lutava-se. Não se culpava os outros nem a
sociedade.
E falhava-se. Muitas vezes. Mas cada vez que se falhava ficava-se mais
forte. E sabíamos que era assim. Que havia uns que conseguiam, outros ficavam
para trás, que havia quem vencia e quem falhava.
Agora não.
Todos somos iguais, todos somos bons, todos merecemos, todos temos as
mesmas oportunidades, todos somos vítimas, todos somos oprimidos, todos somos
cordeiros.
Só que não.
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Enviado por um leitor

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