quinta-feira, fevereiro 13, 2020

COMENTÁRIO, DE UM LEITOR, AO ARTIGO: "REPÚBLICA CORRUPTA"


!A REPÚBLICA CORRUPTA"

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A prosa de JJBF é um manancial de alarvidades reaccionárias. É chocante ver o desprezo que nutre pela Democracia, em comparação com a Ditadura (de Salazar, essa mediocridade intelectual, beata, mesquinha, político sem visão e parolo). A forma como desdenha dos Partidos Políticos, sem a qual uma Democracia não se concebe, é desprezível e revelador do pior do Fascismo, ideologia que JJBF admira e exalta.
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O dito “Estado Novo” foi um regime ditatorial, inspirado no Fascismo de Mussolini (o “Botas de Santa Comba” tinha o retrato daquele patife italiano na sua secretária em S. Bento, como fez questão de deixar fotografar em mais do que uma ocasião), que acabou com a Democracia (que já existia antes da República se ter instalado. Veio com a Revolta Liberal de D. Pedro e o fim de D. Miguel, um traste político, defensor da restrição das liberdades, um absolutista decadente) em vez de a procurar melhorá-la. Para tal, o Ditador Salazar contou com o vergonhoso e abjecto apoio reacionário da Igreja Católica (ou não fosse ele próprio um beato) e algumas altas patentes das Forças Armadas, que preferiram apoiar um regime anti-democrático em vez de defenderem um Estado de Direito, como lhes competia. 
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Depois, foi o criar de uma teia torcionária de limitação das liberdades, com a criação de uma polícia política, mais tarde designada por PIDE. Que espiou, prendeu e torturou democratas e matou Humberto Delgado (naturalmente a mando de Salazar).
O Estado Novo” viciou, de forma sistemática, os actos eleitorais, já de si sem transparência e limitados ao Partido do “Caudilho” Salazar e pouco mais e a então Assembleia Nacional e seus deputados fraudulentamente eleitos não eram mais do que uma cacofonia do que o “Chefe” pensava e lhes permitia pensar.
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Portugal durante o regime ditatorial de Salazar tornou-se no país mais analfabeto da Europa e o segundo mais pobre, depois da Albânia comunista. Eramos um país atrasado, económica, social, educacional e culturalmente. A ovelha negra da Europa Ocidental.
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Salazar apoiou-se politicamente na Igreja Católica, a mesma que apoiava os regimes sanguinários de Franco, Pinochet, a Ditadura Argentina, a Ditadura Brasileira e as demais na América Latina e hoje apoia Bolsonaro – e antes não se envergonhou de apoiar Mussolini e fechar os olhos ao Holocausto.
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Salazar foi apoiante de Hitler, que admirava e foi o único Chefe de Governo e de Estado que mandou colocar a nossa Bandeira Nacional a meia-haste, durante 3 dias (!) em memória de…Hitler! 
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Por outro lado, Salazar não soube lidar com a eclosão da Guerra Colonial e em vez de proceder a uma inteligente e faseada descolonização, que permitisse a independência daquelas Colónias, preferiu o atoleiro da Guerra Colonial, que sabia nunca vir a ganhar, que se arrastaria sem fim e iria exaurir os cofres do Estado, como sucedeu. O Déficit provocado pela Guerra Colonial era artificialmente solvido pelo que nos vinha das Colónias, contribuindo deste modo para secar a riqueza daqueles países no futuro.
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Frases como a que JJBF redigiu e cito, “homens bons que se afastam com nojo dos Partidos Políticos (P.P)” e “um país organizado em Partidos” – em contraponto ao Estado Novo, essa “extraordinária” criação política de Salazar, um eufemismo de Ditadura e Fascista, é um vómito. Mas que define o homem responsável por elas.
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Por fim, JJBF não percebeu uma coisa simples: é que ele pode escrever essas alarvices políticas, porque o são – quem prefere Salazar á Democracia é um alarve político – porque está em Democracia. Se vivêssemos ainda hoje no tal “Estado Novo” e ele quisesse criticar o regime com a violência com que escreveu estas palavras, teria a PIDE atrás dele e teria sido preso.  E quem sabe, julgado num qualquer Tribunal Plenário, de má memória, criados para julgar e condenar Democratas, próprios de regimes ditatoriais, como era o de Salazar.
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Churchill dizia que a Democracia poderia ter e tinha muitos defeitos, mas que não conhecia outro melhor, isto para criticar as Ditaduras, quer Fascistas, quer Comunistas.
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Por mim, direi, alto e bom som: Viva a Democracia e Vivamos Partidos Políticos, sem os quais não há Democracia.
a) PJADR

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