A banalização da autoridade
Sem
respeito não há autoridade. Sem autoridade não há sociedade.
É urgente reafirmar apoio aos agentes da PSP e da GNR e dotá-los das
condições e equipamento necessários ao cumprimento da sua função.
A banalização
da autoridade que está a acontecer debaixo dos nossos olhos, não é um
assunto para ser tratado com leviandade ou brevidade. Deve ser objecto duma
profunda reflexão e não deverá ser abandonado até estar corrigido.
Uma
juíza e uma procuradora foram agredidas. É de estranhar que qual tenha
acontecido? Ou será mais surpreendente que os titulares dos restantes órgãos de
soberania ainda não tenham sido agredidos?
Começou por
ser esporádico. Mas actualmente é usual. Uns mais do que outros, funcionários da autoridade tributária, fiscais da
segurança social, professores, auxiliares, enfermeiros, médicos e até polícias são
ou já foram agredidos. Recentemente assistiu-se ao caso dos bombeiros
de Borba e agora o episódio do tribunal de Matosinhos.
Tendo em conta a panóplia
de actividades humanas acima referidas, não é possível afirmar que as
profissões são a causa. O que está em questão é a banalização da
autoridade do Estado, particularmente, e a falta de respeito pelos agentes
públicos que daí advém. Ora, para que o respeito seja observado é
imprescindível combater a impunidade. A todos os níveis e de toda e qualquer
pessoa. Sem respeito não há autoridade. Sem autoridade não há sociedade.
Como tal, a banalização da autoridade é muito pior, pois coloca em causa a
ordem social. É, por isso, urgente reafirmar apoio aos agentes da PSP e
da GNR e dotá-los das condições e do equipamento necessário ao cumprimento das
suas funções.
Que fenómeno
originou esta constatação? O alheamento dos órgãos políticos e públicos
do cumprimento das suas obrigações está indirectamente a fomentar um sentimento
de impunidade (PORQUE DÁ MAIS VOTOS COMBATER A
AUTORIDADE, DEIXAR OS DELINQUENTES EM PAZ ENQUANTO DESASSOSSEGAM OS BONS
CIDADÃOS POR MUITO INSEGUROS QUE ESTEJAM). No entanto, a
raiz da banalização da autoridade está na aplicação da agenda da esquerda mais
extrema – em especial PCP, BE, e satélites destes últimos,
nomeadamente o SOS racismo, etc. – cujo principal objectivo é a
desvalorização da lei e da ordem pública. O PS não se tem
portado melhor! Como ocorre essa desvalorização? Apostam muito e há
anos na doutrinação escolar, começando no ensino básico e secundário, mas
sobretudo nas universidades. Porém, o pináculo dessa doutrinação e
simultaneamente o mais agressivo ataque à ordem social, qual braço-armado, são
as intervenções públicas do dirigente da SOS Racismo, Mamadou Ba (que
convenientemente se afastou do BE), contra os agentes da autoridade. Estas
intervenções não são de negligenciar e deviam ser objecto de séria ponderação
tendo em conta o que dispõe, entre outros, o art.º 240.º do Código Penal. Note-se
que o comportamento de Mamadou Ba é, no mínimo, curioso e no máximo criminoso. Eu
olho para ele e vejo um homem ou uma pessoa. Ele olhará para mim e,
provavelmente, verá um branco.
Cidadania é
a soma dos direitos e deveres. Contudo, a esquerda portuguesa nunca
refere os deveres e defende, há anos, os direitos adquiridos. Não deixa de ser
curioso que, dois séculos após a Revolução Francesa (1789) e a Revolução
Liberal em Portugal (1820), que acabaram com os direitos e privilégios
adquiridos, sejam os partidos socialistas e marxistas quem mais defende
esses direitos e privilégios, nada dizendo sobre os deveres. Ora, esta
postura abrange todos os portugueses? Não. Os agentes da PSP e da GNR
são objecto de críticas contundentes por cumprirem as suas obrigações e
de campanhas que os procuram denegrir, visando manipular a opinião pública
contra a lei e as forças da autoridade.
Este exemplo anda a
circular na internet e nas redes sociais. “Há alguns anos atrás fomos
chamados pela PSP para socorrer um detido. Ao chegar encontrámos um homem
algemado com as mãos atrás das costas, deitado na entrada da esquadra, que
batia voluntária e violentamente com a cabeça no chão enquanto gritava: “Não me
batam mais, não me matem!!” Cheguei perto dele, toquei-lhe no ombro e
disse-lhe: “Somos do INEM… ninguém te está a tocar, já podes parar com isso”. Envergonhado,
sentou-se e deixou ser tratado. Foi apanhado em flagrante a furtar várias
viaturas. Ninguém o agrediu. Quando saímos tínhamos dezenas de pessoas à porta
revoltadas contra a polícia por terem ouvido os gritos e pelo estado lastimável
em que o homem se encontrava”. Não é o único e o caso recente de Cláudia
Simões é igualmente exemplificativo.
O paradigma da
estupidez pode ser ilustrado pela incapacidade dos agentes da PSP e da GNR se
defenderem das agressões que sofrem. Que tipo de postura deve ter um
polícia perante alguém que se recusa a colaborar e resiste à autoridade?
Tanto a desobediência,
como o abuso de autoridade, estão previstos na lei. Se um agente da
autoridade abusar do seu estatuto deve ser inflexivelmente processado.
Deve igualmente ser censurado pelos seus pares. A banalização da
autoridade também se verifica quando os polícias não cumprem a lei ou
quando agem corporativamente na defesa daqueles agentes que excederam a
autoridade que a lei lhes confere. Todavia, perante a
inevitabilidade duma reacção proporcional, esse mesmo agente deve ser apoiado.
É o
Estado, em particular o governo, quem frequentemente não possibilita condições
para o exercício da autoridade. É inaceitável que assim seja.
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