Negócios com o Estado. Os 45 contratos da polémica valem 3,8 milhõe
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São três ministros e um secretário de Estado que estão no centro da
polémica porque familiares seus fizeram negócios com o Estado. Em causa
estão seis empresas, 45 contratos e 3,8 milhões de euros.
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A polémica dos familiares de governantes que têm negócios com o Estado surgiu depois do Observador e do Jornal de Notícias terem
noticiado que Nuno Valente Neves, filho do atual secretário de Estado
da Proteção Civil, fez três contratos com o Estado numa altura em que o
pai já exercia funções governativas.
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O problema é que a lei em vigor,
de 1995, prevê que os governantes possam perder o mandato ou ser
demitidos se familiares seus fizerem negócios com “o Estado e demais
pessoas coletivas públicas”. O Parlamento, entretanto, já mudou esta
‘Lei sobre as incompatibilidades e impedimentos dos titulares de cargos
políticos e altos cargos públicos’, tornando-a menos restritiva, mas só
estará em vigor na próxima legislatura.
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António Costa já pediu um parecer ao Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República
para perceber se os governantes violaram a lei e se terão de abandonar o
Governo. Entretanto, depois de conhecido o caso do filho do secretário
de Estado da Proteção Civil, os jornais desta quarta-feira dão
conta de três ministros que estão numa situação idêntica porque
familiares seus têm empresas que fizeram negócios com o Estado.
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São eles Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas e da Habitação, Francisca Van Dunem, ministra da Justiça, e Graça Fonseca, ministra da Cultura. O ECO consultou o Portal Base
onde estão depositadas informações sobre os contratos públicos e
identificou 45 que envolvem a empresa do filho de José Artur Neves e
familiares destes três ministros (ver tabela em baixo).
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No caso de Nuno Valente Neves, é sócio com 20% de uma empresa chamada Zerca Lda. Esta empresa de construção civil e promoção imobiliária fez três negócios com o Estado
quando o pai de Nuno Valente Neves já exercia funções no Governo, sendo
que o maior de todos foi um contrato com a Câmara de Vila Franca de
Xira para, segundo o Portal Base, “reabilitação de fogos no bairro do
PER da Quinta da Piedade – Lotes 1 a 6, Póvoa de Santa Iria”. Este
contrato permitiu à empresa um encaixe de 1,4 milhões de euros.
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No caso de Graça Fonseca, conta a revista Sábado que
a ministra da Cultura tem participação no capital social de duas
empresas: a Joule Internacional Serviços de Engenharia e a Joule
Projetos, Estudos e Coordenação, sendo que ambas fizeram negócios com o
Estado desde que este Governo tomou posse. Recorde-se que Graça Fonseca
era Secretária de Estado Adjunta e da Modernização Administrativa antes
de ser ministra.
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No total, as duas empresas detidas também pelo
pai, mãe e irmão, — e que atuam na área da engenharia, — fizeram
contratos com o Estado no valor total de 144.590 euros (valores sem
IVA). O maior contrato, orçado em 72,7 mil euros, foi adjudicado pela
Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
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No caso de Pedro Nuno Santos, conta o Observador que
o pai ministro tem duas empresa que trabalham há vários anos com
contratos públicos: a Optima – Fabrico de Máquinas para Corte e Gravação
Lda e a Tecmacal – Equipamentos Industriais. De acordo com os dados do Portal Base,
estas duas empresas fizeram contratos com o Estado e entidades públicas
nesta legislatura num valor que ascende a 587.445 euros. O maior dos
contratos (188,8 mil euros) resultou de uma adjudicação feita pelo
Instituto Politécnico do Cávado e do Ave para “aquisição de equipamentos
de fabricação de calçado”.
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A ministra Francisca Van Dunem
é casada com Eduardo Paz Ferreira, sócio da sociedade Eduardo Paz
Ferreira e Associados, que também já fez vários contratos com o Estado,
nesta e em anteriores legislaturas. Desde 2016, o Portal Base dá conta
de um total de 26 contratos, que ascendem a um milhão de euros. O maior é de fevereiro deste ano, ascende a 282 mil euros, e teve como cliente da Infraestruturas de Portugal que justificou a contratação do escritório com “processos de natureza fiscal”.
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