Kamov custaram milhões mesmo sem levantar voo
O Estado terá pago cerca de 22 milhões de euros por horas de voo dos helicópteros Kamov que nunca aconteceram, noticia o i, na sequência das conclusões de juízes do Tribunal de Contas.
© Reuters
País
Tribunal de Contas
Os juízes do
Tribunal de Contas (TdC) censuram a atuação do subsecretário de Estado
do executivo de José Sócrates, Rocha Andrade. Em causa estará o negócio
dos helicópteros Kamov. Estado terá pago 22 milhões de euros em horas de
voo que nunca chegaram a acontecer.
.
O negócio dos Kamov data de 2006, altura em que o governo de
Sócrates optou por adquirir meios aéreos para o combate aos incêndios. O
país não tinha meios próprios e o objetivo seria poupar, evitando
recorrer ao aluguer. Mas a Heliportugal, a empresa escolhida para trazer
os seis Kamov da Rússia por 42,1 milhões de euros, não entregou os
helicópteros no prazo acordado, o que obrigou a gastos com a contratação
de aeronaves adicionais.
.
Os juízes do TdC consideram que o Estado
“aligeirou” o contrato, não tendo exigido da empresa o cumprimento
integral do acordado. Ao invés, o Estado terá mesmo acabado por
flexibilizar, em julho de 2007, as condições de entrega, além de ter
antecipado o pagamento numa altura em que os meios aéreos já estavam
atrasados em relação ao contrato. Os juízes escrevem mesmo nas suas
conclusões que o governo não acautelou “o interesse público”.
.
Na perspetiva do TdC, a multa que a Heliportugal teve de pagar pelo
atraso, na ordem dos 2,5 milhões de euros, foi apenas 14,9% do valor
total que o executivo poderia ter reclamado. Ao i, o ex-subsecretário de
Estado Rocha Andrade garante que agiu “de maneira a garantir que o
Estado pudesse operar as aeronaves” e que “o interesse público não se
mede só pelas multas cobradas, mas também pela realização das
finalidades públicas”.

Sem comentários :
Enviar um comentário