Portugal é o quinto país europeu onde o Estado mais financia os partidos políticos
Portugal está no “top 5” dos países europeus onde os Estados mais
financiam os partidos políticos em valores de percentagem do PIB, o que
significa que são financiados de forma “extremamente generosa”, afirmou
esta terça-feira a investigadora Marina Costa Lobo numa intervenção num
colóquio dedicado ao tema, realizado na Faculdade de Direito de Lisboa.
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Segundo a investigadora, que evocava números de um estudo efetuado,
em 2016, em 19 países (16 europeus e ainda Austrália, Canadá e Israel),
essa circunstância faz com que qualquer movimento para um maior
financiamento partidário “agrava ainda mais este padrão, numa Europa que
é globalmente mais próspera do que Portugal”.
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Nesse estudo, Portugal ocupava o 5º lugar no ranking, depois da
Bélgica, Áustria, Israel e Hungria. Neste último país, os partidos
tinham nesse ano 81% de subvenção estatal no seu rendimento, Portugal
74%.
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Segundo Marina Costa Lobo, na “dimensão” do pacote do reforço do
financiamento público regista-se ainda um outro aspeto que é o do
“controlo da criação de novos partidos” por aqueles outros que têm
assento na Assembleia da República, isto é, tornando mais difícil a
criação de novos – um comportamento a que chamou “cartelizante”. Isto
teve como efeito que passasse a haver menos partidos e estes se
financiassem mais, disse.
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O colóquio, no qual participaram também os professores Jorge Miranda,
Margarida Salema (ex-presidente da Entidade das Contas) e Pedro Lomba,
evocou vários problemas relativos ao financiamento, cuja nova lei foi
vetada pelo Presidente da República e vai voltar ao debate parlamentar
no próximo dia 2 de março.
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Margarida Salema lembrou uma série de alterações de fundo
relativamente ao diploma vetado, que entre outras coisas acabava com a
limitação dos donativos privados e que, de uma penada, alterou as leis
orgânicas do Tribunal Constitucional, dos partidos políticos e da
Entidade das Contas e a lei sobre os financiamentos políticos sem
qualquer discussão pública.
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Entre essas alterações, a ex-presidente da Entidade das Contas
referiu a alteração do regime do IVA, a introdução da fiscalização das
contas dos grupos parlamentares, donativos indirectos e a falta de
sanções para várias violações.

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