Manuel Pinho será interrogado a 10 de setembro por suspeitas de corrupção com a EDP
12.07.2019 às 11h55

Pinho e Sá Fernandes foram ao DCIAP a 17 de julho de 2018, mas não prestaram declarações aos procuradores
Luís Barra
Ministério Público já informou o antigo ministro da Economia que o quer interrogar no DCIAP daqui a dois meses, como arguido no processo que investiga suspeitas de corrupção entre Pinho e a EDP
O
antigo ministro da Economia Manuel Pinho vai ser interrogado a 10 de
setembro no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP),
no âmbito do processo em que são investigadas suspeitas de corrupção
envolvendo Pinho e a EDP, de acordo com os autos do processo, consultado
esta sexta-feira pelo Expresso.
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O interrogatório de Manuel
Pinho está previsto para as 14h30 do dia 10 de setembro e o ex-ministro e
o seu advogado, Ricardo Sá Fernandes, já foram notificados desse
agendamento.
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Recorde-se que Manuel Pinho teve um primeiro
interrogatório marcado para julho do ano passado, tendo comparecido no
DCIAP. Mas acabou por não ser interrogado, porque o seu advogado
interpôs um expediente legal para pedir o afastamento dos procuradores
que estão à frente do processo 184/12.
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Se se confirmar, será o
primeiro interrogatório de um dos arguidos do processo. Até hoje nenhum
dos outros arguidos (em que se inclui o presidente executivo da EDP,
António Mexia) foi interrogado. Pinho voltou a ter formalmente o estatuto de arguido em junho, depois de vários meses em que defendeu não ser arguido, à luz de uma decisão do juiz de instrução Ivo Rosa.
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Os
procuradores responsáveis por esta investigação têm estado a ouvir
diversas personalidades como testemunhas. Pelo DCIAP já passaram vários
funcionários e gestores da EDP, antigos colaboradores de Manuel Pinho no
Ministério da Economia e outras testemunhas.
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Para o mesmo dia em
que Manuel Pinho será interrogado os procuradores agendaram a
inquirição como testemunha de Luís Gravito, da Boston Consulting Group,
empresa que cedeu o também arguido João Conceição (atual administrador
da REN) como consultor de Pinho no Ministério, ao mesmo tempo que mantinha vários contratos e trabalhos para a EDP.
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O
presidente executivo da EDP, arguido neste processo desde junho de
2017, não foi ainda interrogado nem há data marcada para interrogatório.
Antigos administradores da Comporta também serão ouvidos
Entre
as testemunhas que o DCIAP irá em breve ouvir estão Carlos Beirão da
Veiga e Carlos Cortês, antigos administradores da Herdade da Comporta.
Foram convocados para prestarem depoimentos a 4 e 5 de setembro,
respetivamente, segundo os autos do processo, que o Expresso consultou.
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Os
procuradores do DCIAP, além das suspeitas sobre a ligação entre Pinho e
a EDP, estão a investigar as ligações de Pinho ao Grupo Espírito Santo e
eventuais favorecimentos que o governante tenha feito a interesses
económicos do GES.
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A realização da Ryder's Cup (competição
internacional de golfe) na Herdade da Comporta (que era um dos
principais ativos do GES) não chegou a concretizar-se, mas foi promovida
publicamente por Manuel Pinho, que ainda não explicou publicamente
porque recebia numa sociedade offshore transferências mensais da
Espírito Santo Enterprises (o chamado saco azul do GES) enquanto era
ministro (de 2005 a 2009).
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