Protecção Civil diz que kit inflamável não deve ser usado em incêndio, mas Governo chama-lhe “autoprotecção”
Setenta mil golas fabricadas com material inflamável foram distribuídas no programa Aldeia Segura
e há também queixas sobre os coletes reflectores. Liga dos Bombeiros
Portugueses pede inquérito “rigoroso”, ministro diz que se trata de uma
notícia “alarmista”.
Setenta mil golas fabricadas com material
inflamável e sem tratamento anticarbonização, que custaram 125 mil
euros, foram entregues pela protecção civil no âmbito dos programas Aldeia Segura e Pessoas Seguras, avança o Jornal de Notícias
nesta sexta-feira. De acordo com o jornal, as golas, fabricadas em
poliéster, “não têm a eficácia que deveriam ter: evitar inalações de
fumos através de um efeito de filtro”. O mesmo acontece com os coletes
inseridos num kit distribuído às populações.
.
A Protecção Civil garante que os kits fazem parte de uma mera campanha de sensibilização (e não devem ser usados em incêndios), mas a Renascença avançou que o Ministério da Administração Interna chamou-lhes “kits de autoprotecção e golas de protecção fumo” num balanço relativo aos incêndios rurais de 2018 onde se fala dos programas Aldeia Segura e Pessoas Seguras.
Foto
Imagem da página 10 do balanço do Ministério da Administração Interna – sublinhadosdo PÚBLICO
O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, disse nesta
sexta-feira que é “irresponsável e alarmista” a notícia sobre as golas
antifumo com material inflamável distribuídas no âmbito do programa Aldeias Seguras.
O ministro sublinhou a importância do programa e assegurou que a
distribuição das golas antifumo não põe em causa nem o projecto nem a
segurança das pessoas.
A Câmara de Sintra, que tem 12 aldeias nos programas Aldeias Seguras e Pessoas Seguras, anunciou esta sexta-feira que vai recolher e substituir “de imediato todos os componentes inflamáveis” do kit entregue pela Protecção Civil.
Caso gravíssimo, dizem bombeiros
O
presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Jaime Marta Soares, diz
ao PÚBLICO que este caso é “gravíssimo” e pede ao Ministério da
Administração Interna (MAI) que abra um “inquérito rigoroso” para apurar
responsáveis e que estes “aceitem as consequências”. E assevera que as
golas e coletes deveriam ser recolhidos “imediatamente”, até porque dão
uma falsa ilusão de protecção a quem os use – quando, na verdade, “pode
estar a pôr em risco a vida das pessoas”.
.
“Enquanto representante dos bombeiros portugueses que tudo fazem, lamento que uma estrutura preventiva esteja a lançar achas para a fogueira”,
assevera. Jaime Marta Soares refere ainda que não faz sentido que isto
seja considerado uma medida de sensibilização. “E se for verdade que
esta decisão foi tomada por este material ser mais barato, têm de ir a
julgamento porque é crime”, conclui.
Em comunicado enviado às redacções na sequência da notícia do JN, a Protecção Civil garante que os kits
distribuídos “não são materiais de combate a incêndios nem equipamentos
de protecção individual”. A estrutura refere que esta campanha tem como
intuito a “sensibilização para as boas práticas” a adoptar em caso de
incêndio.
.
Os programas Aldeia Segura e Pessoas Seguras estão
a ser implementados desde 2018 em vários municípios e somam, segundo o
jornal, 1507 oficiais de segurança local – a quem compete encaminhar as
populações para os locais de abrigo.
“A gola aquece muito e cheira a cola”
Dois
oficiais de segurança do distrito de Castelo Branco disseram ao JN que
“a gola aquece muito” e “cheira a cola”. Estes oficiais queixaram-se
também do colete reflector, também feito em poliéster.
Ao jornal, um representante da Foxtrot Aventura, empresa de Fafe, no
distrito de Braga, a quem a Autoridade Nacional de Emergência e
Protecção Civil (ANEPC) comprou 15 mil kits e 70 mil golas em Junho de 2018 disse que considerava tratar-se merchandising e
que a entidade não referiu que os equipamentos “seriam usados em
cenários que envolvem fogo”. “Se assim fosse, as golas seriam de outro
material e com tratamento para suportar esses cenários [de fogo] (…)
Juro que achei que isto seria usado em acções de merchandising”, garantiu Ricardo Peixoto ao JN.
.
Uma
fonte da ANEPC disse ao jornal que os equipamentos não passam de um
“estímulo à implementação local dos programas” e “não são um equipamento
de protecção individual”.
.
“Estes materiais não assumem características de equipamento de
protecção individual, nem se destinam a proporcionar protecção acrescida
em caso de resposta a incêndios”, refere a protecção civil.
.
Os programas Aldeia Segura e Pessoas Seguras
têm como objectivos, entre outros, incentivar a consciência colectiva
de que a protecção é uma responsabilidade de todos, apoiar o poder local
na promoção da segurança, implementar estratégias de protecção das
localidades face a incêndios rurais e sensibilizar as populações para a
adopção de práticas que minimizem o risco de incêndio.
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O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, disse nesta
sexta-feira que é “irresponsável e alarmista” a notícia sobre as golas
antifumo com material inflamável distribuídas no âmbito do programa Aldeias Seguras.
O ministro sublinhou a importância do programa e assegurou que a
distribuição das golas antifumo não põe em causa nem o projecto nem a
segurança das pessoas.
Caso gravíssimo, dizem bombeiros
O
presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Jaime Marta Soares, diz
ao PÚBLICO que este caso é “gravíssimo” e pede ao Ministério da
Administração Interna (MAI) que abra um “inquérito rigoroso” para apurar
responsáveis e que estes “aceitem as consequências”. E assevera que as
golas e coletes deveriam ser recolhidos “imediatamente”, até porque dão
uma falsa ilusão de protecção a quem os use – quando, na verdade, “pode
estar a pôr em risco a vida das pessoas”.
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“Enquanto representante dos bombeiros portugueses que tudo fazem, lamento que uma estrutura preventiva esteja a lançar achas para a fogueira”,
assevera. Jaime Marta Soares refere ainda que não faz sentido que isto
seja considerado uma medida de sensibilização. “E se for verdade que
esta decisão foi tomada por este material ser mais barato, têm de ir a
julgamento porque é crime”, conclui.
Em comunicado enviado às redacções na sequência da notícia do JN, a Protecção Civil garante que os kits
distribuídos “não são materiais de combate a incêndios nem equipamentos
de protecção individual”. A estrutura refere que esta campanha tem como
intuito a “sensibilização para as boas práticas” a adoptar em caso de
incêndio.
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Os programas Aldeia Segura e Pessoas Seguras estão
a ser implementados desde 2018 em vários municípios e somam, segundo o
jornal, 1507 oficiais de segurança local – a quem compete encaminhar as
populações para os locais de abrigo.
“A gola aquece muito e cheira a cola”
Dois
oficiais de segurança do distrito de Castelo Branco disseram ao JN que
“a gola aquece muito” e “cheira a cola”. Estes oficiais queixaram-se
também do colete reflector, também feito em poliéster.
Ao jornal, um representante da Foxtrot Aventura, empresa de Fafe, no
distrito de Braga, a quem a Autoridade Nacional de Emergência e
Protecção Civil (ANEPC) comprou 15 mil kits e 70 mil golas em Junho de 2018 disse que considerava tratar-se merchandising e
que a entidade não referiu que os equipamentos “seriam usados em
cenários que envolvem fogo”. “Se assim fosse, as golas seriam de outro
material e com tratamento para suportar esses cenários [de fogo] (…)
Juro que achei que isto seria usado em acções de merchandising”, garantiu Ricardo Peixoto ao JN.
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Uma
fonte da ANEPC disse ao jornal que os equipamentos não passam de um
“estímulo à implementação local dos programas” e “não são um equipamento
de protecção individual”.
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“Estes materiais não assumem características de equipamento de
protecção individual, nem se destinam a proporcionar protecção acrescida
em caso de resposta a incêndios”, refere a protecção civil.
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Os programas Aldeia Segura e Pessoas Seguras
têm como objectivos, entre outros, incentivar a consciência colectiva
de que a protecção é uma responsabilidade de todos, apoiar o poder local
na promoção da segurança, implementar estratégias de protecção das
localidades face a incêndios rurais e sensibilizar as populações para a
adopção de práticas que minimizem o risco de incêndio.
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