Direção de Informação da Lusa não está disposta a cortar nos pagamentos
A Direção de Informação da Lusa garantiu hoje não estar disposta a cortar nos pagamentos ou nos correspondentes, na sequência da redução de quase meio milhão de euros na rubrica de Fornecimentos e Serviços Externos, imposta pelo Estado.
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País
Agência Lusa
Os acionistas da Lusa, reunidos em assembleia-geral, aprovaram no dia 19 de julho, entre outros pontos, o Plano de Atividades e Orçamento da agência de notícias, depois de a sua votação ter sido adiada sucessivamente desde março.
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Nessa reunião magna, o acionista Estado fez uma declaração de voto no qual impôs um limite de 3,630 milhões de euros nos FSE, o que representa um corte de 462 mil euros, menos 11% do que estava aprovado pelo Conselho de Administração.
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"Em qualquer caso, a DI [Direção
de Informação] não estará nunca disposta a aplicar medidas que
impliquem cortes nos pagamentos ou no número de correspondentes", lê-se
na nota enviada hoje aos trabalhadores da agência de notícias, assinada
pela diretora da Lusa, Luísa Meireles, pelo diretor-adjunto, Vítor Costa, e pela subdiretora, Margarida Pinto.
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"O corte anunciado de 463 mil euros na rubrica dos Fornecimentos e Serviços Externos (FSE), se vier a ser concretizado, vai refletir-se na estrutura e funcionamento da Direção de Informação, visto que a atividade da Lusa assenta no trabalho de todos os seus jornalistas. Na rubrica dos FSE incluem-se os pagamentos aos correspondentes, avençados ou pagos à peça", apontou a direção.
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Neste
sentido, a DI da agência noticiosa referiu que "está a fazer tudo que
está ao seu alcance para evitar que tal cenário se concretize, na medida
em que tem consciência que a dimensão do corte não pode deixar de
prejudicar gravemente o serviço da Lusa".
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De acordo com o mesmo documento, esta posição é partilhada pelas restantes Direções Comercial e Marketing, Áreas de Suporte e Inovação Novos Projetos, e "solidarizam-se todas com a posição assumida pelo presidente do Conselho de Administração".
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Nicolau
Santos disse hoje que o corte de 463 mil euros no Orçamento da Lusa é
"incongruente", por ameaçar o funcionamento da agência, e anunciou que
não o vai cumprir, sujeitando-se às consequências.
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"Se não houver
qualquer evolução nesta decisão, então é evidente que pela primeira vez
em duas décadas a Lusa não cumprirá o Plano de Atividades e Orçamento, sujeitando-se o presidente do Conselho de Administração às respetivas
consequências", lê-se num comunicado assinado pelo presidente do
Conselho de Administração da Lusa e distribuído aos trabalhadores da
agência de notícias.
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No documento, Nicolau Santos declarou que o
Conselho de Administração foi surpreendido nessa assembleia-geral "com
uma declaração de voto do acionista Estado, impondo a limitação da verba destinada a Fornecimentos e Serviços Externos (FSE) no valor máximo de 3,6 milhões".
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Trata-se
do "valor mais baixo desde 2000, onde essa verba ultrapassava os cinco
milhões de euros e o contrato de prestação de serviços exigia bastante
menos à Lusa do que o atual", notou.
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Para Nicolau Santos, o facto de o Plano de Atividades e Orçamento deste ano "só ter sido aprovado em 19 de julho torna completamente impossível a redução dos FSE
em 463 mil euros até ao final do ano face ao que estava orçamentado, já
que nos cinco meses que restam a compressão de gastos teria de rondar
quase os 100 mil euros por mês".
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Segundo Nicolau Santos, "como é óbvio, não faz qualquer sentido que o corte agora imposto pelo Estado em matéria de FSE
se venha a repercutir no emprego ou no rendimento destas pessoas, que
são absolutamente cruciais para que a agência possa cumprir a sua missão
no país e no estrangeiro".
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O presidente do Conselho de
Administração da agência acrescentou que "para ultrapassar esta
situação" está "a desenvolver insistentes contactos com diversos membros
do Governo e da Assembleia da República, visando explicitar o que está
em causa e quão incongruente é este corte, porque coloca seriamente em
causa o próprio contrato de prestação de serviços assinado entre o
Estado e a Lusa".
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Questionado pela Lusa sobre se encara a demissão
se não houver reversão do corte, Nicolau Santos declarou não querer
"entrar em posições extremas", acrescentando: "Não me é possível aplicar
aquilo que está a ser pedido. Quanto às consequências, logo se verão
quais serão e de onde virão".
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E quanto à possibilidade de ser
demitido face a esta decisão, afirmou-se convicto de que "se vai
encontrar uma solução, depende agora das iniciativas que estão a ser
desenvolvidas".
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