quarta-feira, julho 10, 2019

“Contos da normalidade."

“Contos da normalidade.
Fulana (nome fictício), que não tem ADSE nem seguro de saúde nem dinheiro para pagar do seu bolso cuidados médicos no privado, atingiu as 40 semanas de gravidez a meio da semana passada e dirigiu-se à Maternidade Alfredo da Costa onde lhe disseram que se não entrasse em trabalho de parto até ao final de domingo regressasse lá para lhe induzirem o parto. No domingo à tarde dirigiu-se à MAC onde foi vista por uma enfermeira na triagem às 4 da tarde e por um médico às 8 da noite, que lhe disse que se não entrasse em trabalho de parto até terça-feira regressasse etc, etc, etc. Na terça à noite regressou à MAC onde lhe disseram que estavam lotados e não a podiam atender. Fez as contas com a família e foi para o CUF Descobertas onde o parto está a decorrer a esta hora. O SNS é uma merda e esta gente devia ser corrida com urgência.”
Manuel Vilarinho Pires

“Fulano, sem seguros privados nem ADSE, começou a sentir-se mal: fortes dores de cabeça, perda de força, alguma confusão mental. Com a mulher e a filha, porque está lá trabalha, vai ao hospital da Luz a uma consulta e alguns exames. O medico analisa e recomenda um internamento. Como não têm dinheiro, vão para o Amadora Sintra, onde é admitido. 24 horas depois, ainda estava numa maca no corredor sem que alguém lhe tivesse dado sequer água. Às 9 da noite, a mulher chama o médico que diz que estão com falta de pessoal e que talvez seja visto daqui a três dias. Saiu daquele antro, voltou à Luz para mais exames, a família deu dinheiro. A família não é cigana ou já tinha havido mortes. A família é a minha (a mulher é minha prima direita), isto aconteceu anteontem, ontem e hoje.”
Eduardo Max Maximino

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