sábado, janeiro 05, 2019

"SOCIALISMO E O DINHEIRO DOS OUTROS"

Portugal precisa de partidos de direita da mesma forma que as pessoas precisam de oxigénio

Artigos

Há muito que o panorama político português não se via confrontado com a possibilidade de criação tantos novos projectos político-partidários.
Especificamente no quadrante político partidário à Direita do espectro político. Ainda que à Esquerda, tal se verifique, com alguma frequência.
Talvez, a pouca frequência de construção de novos projectos partidários, à Direita se deva, também, ao habitual sentido de responsabilidade com que a Direita sempre encarou o exercício da Governação.
Mas e se virmos em detalhe, recuando no tempo, as coisas à Esquerda não foram, assim, tão profícuas.
Se olharmos do Passado recente para o mais longíquo o que se verifica?
O mais recente foi o PAN… um satélite dos partidos de Esquerda mais tradicionais, ainda que mascarado pela sigla “Pessoas, Animais e Natureza”. Mas a sua linha de preocupações, como a mais recente de alterar os provérbios portugueses, rapidamente denotou o abismal distanciamento da realidade profunda portuguesa. Como se o Povo aceitasse que um qualquer iluminado, acabado de sair de mais uma estranha ligação a um grupo de milícias terroristas que atacam pessoas em nome de uma qualquer supremacia de pensamento, fosse garantia de qualidade e, acima de tudo, autoridade, para poder invadir a casa das pessoas…E atrever-se a tentar alterar o modo de ser português. A sua linguagem, veículo cultural…
Pertencem ao mesmo tipo de “brincadeiras” inconsequentes as falhadas incursões de Rui Tavares e de Daniel Oliveira (a querer parecer o Pacheco Pereira da extrema esquerda). Não foram mais rotundos falhanços, porque por falta de visibilidade e ausência de credibilidade, a tentativa de criação de putativos projectos políticos consistentes, mais não parecendo do que o resultado de amuos com o Bloco de Esquerda. Alguém se lembra que houve, um dia, um “Livre” ou um “Tempo de Avançar”?…E já nem me refiro ao putativo projecto político que foi, um dia, enunciado por Sofia Pais do Amaral. Recordam-se? Não creio. Não ficará para a História. Até porque a mesma fez-lhe justiça… apagando-a.
Esquecidas estas aleivosias da elite da chamada Esquerda caviar, ainda que de marca branca e continuando a recuar, figura no registo o Bloco de Esquerda. Para quem tem memória, a criação do Bloco não representou a criação “ab initio”, um projecto político de raiz. Resultou, apenas, da fusão astuta, de três projectos políticos de há muito existentes…a UDP, o PSR e a Política XXI. Mas, retiremos a máscara. Convém afirmar, sem hesitações, o Bloco de Esquerda, por mais que tente esconder os acampamentos e seus festivais de drogas, por mais que tente omitir os workshops de montagem de cocktails molotoff, por mais que vista os seus protagonistas com casacos e vestidos clássicos e sóbrios, por mais que se coloque em bicos de pés e os titule de “ministeriáveis”, com a cumplicidade dos estagiários então precários que colocou outrora nos principais orgãos de informação, agora peças úteis porque nos quadros…após todas estas tentativas fica sempre o sabor da farsa e do teatro. Exala a total falta de credibilidade. Justificada, também, pela dramática falta de quadros com credibilidade. Que se comprova, ciclicamente, nas Eleições Autárquicas. Depois da corruptela que foi Salvaterra de Magos… o BE nunca mais ganhou uma Câmara em Portugal. Na realidade o Bloco de Esquerda jamais conseguirá libertar-se da sua função única…ser o recipiente útil, em momentos específicos, de contestação episódica e factual.
Recuando mais, apenas sobra o epifemómeno PRD.
Que surgiu, qual cometa e à mesma velocidade se extingiu, muito pelo facto de ter sido um projecto político criado à volta de um rosto. O General Ramalho Eanes. E o mesmo não soube, até por personalidade, conseguir extravasar de si para o terreno e não soube ou não quis delegar e criar uma hierarquia em pirâmide. O PRD começou, continuou e terminou a ser Ramalho Eanes. Dramaticamente e apenas. A extinção foi a única saída, ainda que efectuada de modo demasiado humilhante para quem tinha sido Presidente da República. Todo o rápido percurso do PRD se mais não for, fica como “case study”,para memória futura, até como aviso prático do que não pode voltar a acontecer.
Feita a sucinta revisão do historial à Esquerda, sobra a pergunta…
E à Direita?
A Direita, como acima elenquei, sempre teve em linha de conta o sentido da responsabilidade. Talvez por isso se manteve cautelosa e expectante… até hoje.
Principalmente porque o quadro disponível se degradou de forma inaudita.
Quando, no decurso da crise política na Grécia, se assistiu à implosão das soluções políticas tradicionais com especial foco no partido socialista grego eu fiz questão de escrever acerca da transposição da realidade política grega para o caso português e alertei para aquilo a que eu chamei o risco de pasokização dos partidos portugueses.
Confesso que pensava no Partido Socialista e não no Partido Social Democrata. Mas a realidade tem demonstrado que errei.
Apesar do infindável polvo criado no, pelo e para o PS e encimado por José Sócrates, obscuros poderes, de que António Costa é o rosto visível, tudo têm feito para “sacudir a água do capote” e assobiar para o lado.
Todavia os respingos, dessa água fétida, porque filha da corrupção, sacudida pelo PS atingiram e estão a queimar, profundamente, o PSD… muito por culpa da actual direcção, mas não apenas.
Um Partido é, também, o que a militância permite que seja.
Hoje o PSD encontra-se enredado em lutas internas sanguinolentas, muito por culpa de uma direcção conflituosa mas, acima de tudo que tem deixado projectar para o exterior uma total ausência de qualidade mas, sobretudo, sem capacidade ou vontade de se constituir como alternativa, desistindo de apresentar projectos que o eleitorado faça seus.
E os consecutivos desempenhos fraudulentos tidos na Casa da Democracia, vulgo Assembleia da República, em nada têm ajudado.
Ao PSD hoje vaticina-se uma longa caminhada no deserto. Ausência que, para um Partido que é, tradicionalmente, do Poder, mesmo que auto inflingida…pode ser fatal.
Mais à Direita, o CDS tem vindo a manter, muito por culpa da sua Presidente, que não líder, uma imagem sem credibilidade e sem consistência, por mais esforços que faça Adolfo Mesquita Nunes o verdadeiro ser pensante daquela liderança.
Por mais estuque que Assunção Cristas venha colocar, para televisões venderem, por mais uvas que calque…fica a triste sensação do fáctuo, do fútil, do vazio… da farsa.


A verdade é que o CDS não tem conseguido descolar do fraco resultado que as sondagens lhe auspiciam. Muito porque e é preciso reconhecê-lo, Assunção Cristas não é o animal político que era Paulo Portas. E tal anátema impende sobre a sua liderança. Por mais que tente tornar-se a versão feminina do astuto“Paulinho das Feiras”…
Feita uma análise sucinta, passemos ao que se desenha no horizonte. Há novos projectos políticos em ebulição. A estes novos projectos políticos abre-se o que pode consubstanciar uma enorme janela de oportunidade.
Mas, implicitamente, coloca-se uma pesada responsabilidade. O eleitorado tem vindo a sentir-se defraudado.
Muito por culpa dos mais diversos e variegados casos de corrupção, sediados no Parlamento e na Sociedade.
Acima de tudo o eleitorado de centro direita, hoje, sente-se órfão. Está pois, criada, uma oportunidade única.
Mas sobre a qual impende, faço questão de reafirmar, uma enorme responsabilidade.
O Povo quer, porque precisa, de voltar a acreditar. Quer propostas programáticas, consistentes e credíveis que o façam sentir que alguém os representa. Que alguém compreende as suas realidades. Os seus anseios. As suas necessidades.
Propostas em que acredite e que possa tornar suas. Acima de tudo que o motivem e que o galvanizem. Que o façam sentir representado e protegido. Que tenham em atenção os anseios de cada população loco regional. As suas realidades, as suas especificidades mas e acima de tudo os seus anseios. Que não esqueça as diversas franjas socio-profissionais do eleitorado. E que não esqueça a Juventude, nomeadamente os novos eleitores.
E há uma enorme fasquia do eleitorado português que merece ser cativado, no sentido de que falava Saint-Exupéry, no “Principezinho”…
A abstenção, em Portugal, situou-se nos 43,07% nas Eleições Legislativas de 2015, tendo aumentado dos 41,97% alcançados em 2011.
Longíquos ficam os tempos em que a abstenção se situava nos 8,34% alcançados nas Eleições Legislativas de 1975.
E estes valores de abstenção disparam para os 88,5% se equacionarmos a Emigração.
Na base destes resultados está o total descrédito a que o exercíco da Política se alcandorou. Profunda e profusamente afectada pela corrupção.
Acresce que nas Eleições Europeias os valores atingidos foram ainda mais preocupantes, com a abstenção a atingir os 66,24% nas eleições de 2014, colocando Portugal como o 8º Estado Membro, ainda a 28, com maior abstenção, bem acima dos 43,11% da média europeia.
Há pois uma enorme fasquia da população portuguesa que urge ser reconquistada.
E essa é uma das funções destes novos projectos partidários que se desenham. Ainda que alguns venham a ficar pelo caminho, cumprindo a selecção natural de Darwin.
Para além de projectos partidários sérios, sólidos, credíveis, multisectorializados, consistentes e consequentes, de real proximidade, que façam a população acreditar de novo, urge, também, reestruturar a Atitude política. De forma cautelosa.
E esta nova Atitude terá que passar, obrigatoriamente, por uma imagem assente na Ética, até como forma de combater a vaga de corrupção que assola, hoje, Portugal.
E essa estratégia tem que ser consolidada com a Mensagem. Que tem que ser de proximidade. Real. Facilmente perceptível para poder ser interiorizada e, em consequência, espalhada e divulgada.
É imprescindível, ainda, que surjam novos rostos. Com trajecto profissional já construído. Com experiência profissional nos diversos sectores sócio profissionais em que se inserem. Em resumo, com provas dadas.
Estas são, resumidamente, as variegadas facetas que a Política, assumindo um novo paradigma, tem que saber e conseguir reconquistar.
Está pois, lançado, um aviso sério à navegação. Porque tem que ser possível voltar a ousar sonhar. Portugal merece.
Parafraseando Virgilio, na Eneida…
”Hoc opus, hic labor est”…
Manuel Damas 

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