Brexit: Portugueses que falam mal a língua terão acompanhamento
Os portugueses que residem no Reino Unido mas dominam mal a língua portuguesa, nomeadamente de origem indiana ou timorense, terão um acompanhamento específico para o 'Brexit', prometeu hoje, em Manchester, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.
© Lusa

José Luís Carneiro
disse à agência Lusa que foi dada aos cônsules de Manchester e Londres
"a hipótese de diversificar a tipologia das permanências consulares",
nomeadamente usando tradutores e intermediários que dominem os
respetivos idiomas.
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O secretário de Estado admitiu existirem "comunidades muito
específicas que desconhecem por completo a língua portuguesa por força
das suas origens nacionais e que têm muito a ver com o processo
histórico do modo como se constituíram essas comunidades".
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A
realização de permanências consulares "específicas para essas
comunidades libertará os postos de um atendimento com maior demora
porque são casos muito singulares", justificou.
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Estima-se que
residam na área consular de Manchester, que inclui o norte de
Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte, cerca de 20 mil
portugueses nascidos fora de Portugal, não só em países de língua
oficial portuguesa, como Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e
Príncipe, Guiné-Bissau e Brasil, mas também na Índia e no Paquistão.
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No
caso de Timor Leste, embora a língua portuguesa seja o idioma oficial, o
tétum é dialeto mais enraizado na comunidade, muito numerosa na Irlanda
do Norte, que fala mal o português e o inglês.
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No consulado de Londres, só o número de inscritos naturais da Índia ultrapassa os 21 mil portugueses. A
iniciativa não será inédita: no ano passado, ambos os consulados
promoveram sessões de esclarecimento sobre o impacto do 'Brexit' não só
em português, mas também em concani, guzerate e tétum, para chegarem a
nacionais de origem indiana e timorense.
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Em causa está o facto de a
lei portuguesa determinar que os naturais das antigas colónias de Goa,
Damão e Diu nascidos até 1961 podem obter a nacionalidade portuguesa,
bem como os seus filhos, o que muitos têm feito para aproveitar a livre
circulação no espaço europeu e as condições favoráveis de entrada em
outros países. Os timorenses nascidos antes da independência de Timor em 2002 também podem pedir passaporte português.
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Ramesh
Nata, um português natural de Moçambique mas com origens indianas,
referiu que as permanências consulares têm sido importantes para chegar
aos cerca de 12 mil goeses que vivem na região de Leicester, e que
encaram o 'Brexit' "com muita preocupação", referiu hoje à Lusa. "Querem saber, por exemplo, se forem de férias no próximo ano, se podem voltar a entrar", exemplificou.
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O
aumento do número de deslocações de equipas de funcionários a
localidades mais afastadas, levando equipamento que pode recolher os
dados biométricos e pessoais para a emissão do cartão do cidadão ou do
passaporte ou realizando outros atos consulares, como registos de
nascimento, casamento ou inscrições consulares, é outra das medidas do
plano de contingência para o 'Brexit'.
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Em 2019 estão previstas 35
"permanências consulares" em todo o Reino Unido, equivalentes a 93 dias,
com estreias em Aberdeen, na Escócia, St. Helier, na ilha de Jersey,
Ilha de Man e em Hamilton, nas Bermudas, um aumento de 13% face às 31 de
2018.
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Porém, face às preocupações mostradas esta tarde por
dirigentes associativos num encontro, o secretário de Estado trocou
mensagens por telemóvel com o ministro da tutela, Augusto Santos Silva, o
qual lhe deu "luz verde" para ampliar aquele número e oferecer um
serviço de "proximidade".
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O secretário de Estado já tinha
anunciado na segunda-feira, em Londres, após uma visita ao 'Mayor' da
capital britânica, Sadiq Khan, um reforço de meios humanos e de
técnicos, e o lançamento de uma linha telefónica dedicada 'Brexit+', com
um centro de atendimento em Lisboa.
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As medidas fazem parte do
plano de contingência que será acionado no caso de uma saída sem acordo
do Reino Unido da União Europeia (UE) a 29 de março, o qual foi chumbado
esta semana no parlamento britânico e que previa um período de
transição em que a liberdade de circulação e legislação europeia se
mantinham.
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Na situação de ausência de acordo, os cidadãos
europeus, incluindo portugueses, terão menos seis meses do que o
previsto para se candidatarem ao estatuto de residente, até 31 de
dezembro de 2020.
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O registo será feito através de um sistema
eletrónico do ministério do Interior britânico, que está ainda em fase
de testes, que vai ter uma aplicação móvel para ler o passaporte e uma
forma de cruzar a informação pessoal com as bases de dados tributária e
da segurança social britânicas.
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Sobre este processo, José Luís
Carneiro enfatizou a necessidade de os portugueses "garantirem que têm
condições para provarem a sua residência no Reino Unido" até 29 de
março, incluindo juntando contratos de arrendamento de casa, fatura de
eletricidade ou gás, extratos bancários ou mesmo certificados de
inscrição consular.
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Nos serviços consulares portugueses no Reino Unido estão registados
302 mil cidadãos, 245 mil dos quais na área de jurisdição do
consulado-geral em Londres e 57 mil na área de jurisdição do
consulado-geral de Portugal em Manchester.
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À MARGEM: Milhares de cidadãos com a nacionalidade portuguesa, no Reino Unido, que não falam a língua de Camões e de procedência, étnica, indiana e timorense. Acreditamos de outras nacionalidades cujo a obtenção do passaporte, na maioria dos casos, foi através de acto de corrupção.
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Temos a convicção daquilo que escrevemos e milhares de passaportes foram emitidos em embaixadas e consulados portugueses, depois da queda das possessões na Índia e da descolonização a que chamaram exemplar.
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Não estamos a segregar ninguém, apenas escrever, com que facilidade era concedido um passaporte e com este o título da nacionalidade portuguesa, em que muitas das emissões eram concedidas através de dinheiro.
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Poderíamos aqui citar o caso da venda de passaportes, pelo preço de 60 contos, no século passado, em consulados estabelecidos em países da África Oriental e de outros na Ásia, muitos dos quais geridos por funcionários de origem goesa.
José Martins
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