segunda-feira, janeiro 07, 2019

JOSÉ BENTO SILVA ESCREVEU

Um ‘foda-se’ seguido de uma ‘reflexão para o mais intelectual’

6 Janeiro, 2019
Nota inicial. Fui informado que no Blasfémias podemos fazer uso do vernáculo. Pelos vistos a única coisa que no Blasfémias não podemos ser é liberais…
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Foda-se
Numa sociedade que pretende transformar, por decreto, putas em mães de família, foi com grande espanto que verifiquei que os progressistas (alguns padrecos incluídos) duvidam da virgindade carnal de Nossa Senhora. Não percebo porquê!
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Num mundo onde todos aparentemente podem ser o que querem, não entendo a dúvida em torno da virgindade de Nossa Senhora. Em primeiro, Nossa Senhora pode ser o que muito bem entender. E se Nossa Senhora quer ser virgem, que seja; em segundo, o povo pode acreditar no que muito bem entender. E se o povo acredita (constrói socialmente, diriam os progressistas) que Nossa Senhora é virgem, pois então não há dúvidas: Nossa Senhora é virgem! Em terceiro, a ‘perda da virgindade’ não passa de mais um dos inúmeros mitos do heteropatriarcado. 
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A virgindade é na verdade uma construção social e só existe enquanto mecanismo de poder do homem-branco sobre a mulher. Aliás, é por isso mesmo que é tão difícil mudar mentalidades, com os ‘maus do costume’ (conservadores, filhos duma grande puta) a não entenderem que a mulher é dona do seu próprio corpo e faz com o mesmo o que muito bem entender. Aliás, a mulher é mulher enquanto lhe der na puta da gana: se um dia quiser ser homem e foder uma cabra (com consentimento da cabra, para sossego do PAN), nada nem ninguém a pode impedir. 
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Este vosso amigo não podia estar mais de acordo! Por isso digo: Nossa Senhora é virgem! Aliás, Nossa Senhora foi a primeira mulher a gritar contra o heteropatriarcado e a dizer: eu sou o que muito bem entender, e por isso vou ser a Mãe de Deus, Virgem Imaculada! Foi Nossa Senhora que quis ser, e por isso foi! Ora aí está o único dogma Católico que nunca, mas nunca, me levantou qualquer tipo de dúvida! Vivam os progressistas!
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Reflexão para o mais intelectual
Para o leitor mais incauto, ainda a recuperar dos exageros pecaminosos do Santo Natal, este post tem como contexto vários artigos publicados nos media sobre a Virgindade de Nossa Senhora. Leiam o do Padre Álvaro Balsas, no Observador, que é o melhor de todos; não percam tempo com o artigo do senhor Anselmo Borges, também no Observador, o qual é uma lista de disparates sem nexo.
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Não sou teólogo, com grande pena minha. É uma área do saber pela qual tenho imenso respeito. Aliás, tenho mais respeito pela teologia, enquanto forma de saber, do que pela economia, a qual não tem, para mim, interesse absolutamente nenhum. Com excepção de algumas formas de fazer história económica, como a da Deirdre McCloskey. Não vou por isso comentar o dogma da Virgindade de Nossa Senhora. Limito-me a aprender com quem sabe mais do que eu.
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O que me parece importante realçar do debate em torno deste dogma Católico é a crispação que gerou. De um lado temos pseudo-católicos, alguns infelizmente padres, que ao fim de todo este tempo ainda não tinham percebido que a Fé Católica é dogmática. Mas qual era a dúvida? 
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Do outro lado temos os do costume, progressistas e ateus pseudo-cientistas. Aos progressistas já disse o que tinha a dizer e é um grande ‘foda-se!’; aos ateus pseudo-cientistas convém recordar o seguinte: é tão absurdo acreditar em Deus como não acreditar. É este pequeno pormenor que escapa aos pequeninos, e que o Padre Álvaro Balsas colocou de forma brilhante quando, no final do seu artigo no Observador, diz: ‘Sendo um “fenómeno” irrepetível, não entra no conjunto de fenómenos que podem ser estudados pelas ciências naturais, esses sim, repetíveis e quantificáveis.’
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Muitos outros fenómenos que fazem parte da vida são também eles irrepetíveis. Os fenómenos ligados ao tempo (não falo da mitologia construída em torno das mudanças climáticas, mas do que conhecemos como experiência do passado, do presente e do futuro) são disso exemplo: nenhuma forma de saber capta o tempo na sua plenitude, nem sequer a física (muito menos a economia, a qual nem se apercebeu que o tempo existe quanto mais tentar compreender o fenómeno…). A tentativa de classificar como importante somente aquilo que é passível de ser captado pelas ciências naturais é, no mínimo, perigoso. No limite é próprio de ignorantes!
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Acreditar em Deus não é algo que se coloque no plano da racionalidade das ditas ciências naturais (as quais primam por ser aborrecidas ao ponto de nos fazerem acreditar no Diabo…). Por isso é tão absurdo acreditar como não acreditar. Torna-se por isso incompreensível que aqueles que acreditam sejam sistematicamente tomados por imbecis (os Católicos, porque para os outros é só compreensão, muita paz e amor…). 
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Atacar os crentes, independentemente da sua religião, tentando mostrar a irracionalidade científica daquilo em que acreditam, é de uma ignorância atroz… mais não seja porque a ciência nunca demonstrou a existência de Deus, tal como não consegue demonstrar que Deus não existe. Daí o absurdo… Por isso é tão absurdo acreditar na Virgindade de Nossa Senhora como é não acreditar. É pena que isto tenha sido esquecido: lembrar pode ser que traga um pouco mais de elegância e respeito.

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