Um ‘foda-se’ seguido de uma ‘reflexão para o mais intelectual’
6 Janeiro, 2019
Nota inicial. Fui informado que no Blasfémias podemos fazer
uso do vernáculo. Pelos vistos a única coisa que no Blasfémias não
podemos ser é liberais…
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Foda-se
Numa sociedade que pretende transformar, por decreto, putas em mães
de família, foi com grande espanto que verifiquei que os progressistas
(alguns padrecos incluídos) duvidam da virgindade carnal de Nossa
Senhora. Não percebo porquê!
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Num mundo onde todos aparentemente podem ser o que querem, não
entendo a dúvida em torno da virgindade de Nossa Senhora. Em primeiro,
Nossa Senhora pode ser o que muito bem entender. E se Nossa Senhora quer
ser virgem, que seja; em segundo, o povo pode acreditar no que muito
bem entender. E se o povo acredita (constrói socialmente, diriam os
progressistas) que Nossa Senhora é virgem, pois então não há dúvidas:
Nossa Senhora é virgem! Em terceiro, a ‘perda da virgindade’ não passa
de mais um dos inúmeros mitos do heteropatriarcado.
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A virgindade é na
verdade uma construção social e só existe enquanto mecanismo de poder do
homem-branco sobre a mulher. Aliás, é por isso mesmo que é tão difícil
mudar mentalidades, com os ‘maus do costume’ (conservadores, filhos duma
grande puta) a não entenderem que a mulher é dona do seu próprio corpo e
faz com o mesmo o que muito bem entender. Aliás, a mulher é mulher
enquanto lhe der na puta da gana: se um dia quiser ser homem e foder uma
cabra (com consentimento da cabra, para sossego do PAN), nada nem
ninguém a pode impedir.
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Este vosso amigo não podia estar mais de acordo!
Por isso digo: Nossa Senhora é virgem! Aliás, Nossa Senhora foi a
primeira mulher a gritar contra o heteropatriarcado e a dizer: eu sou o
que muito bem entender, e por isso vou ser a Mãe de Deus, Virgem
Imaculada! Foi Nossa Senhora que quis ser, e por isso foi! Ora aí está o
único dogma Católico que nunca, mas nunca, me levantou qualquer tipo de
dúvida! Vivam os progressistas!
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Reflexão para o mais intelectual
Para o leitor mais incauto, ainda a recuperar dos exageros
pecaminosos do Santo Natal, este post tem como contexto vários artigos
publicados nos media sobre a Virgindade de Nossa Senhora. Leiam o do
Padre Álvaro Balsas, no Observador,
que é o melhor de todos; não percam tempo com o artigo do senhor
Anselmo Borges, também no Observador, o qual é uma lista de disparates
sem nexo.
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Não sou teólogo, com grande pena minha. É uma área do saber pela qual
tenho imenso respeito. Aliás, tenho mais respeito pela teologia,
enquanto forma de saber, do que pela economia, a qual não tem, para mim,
interesse absolutamente nenhum. Com excepção de algumas formas de fazer
história económica, como a da Deirdre McCloskey. Não vou por isso
comentar o dogma da Virgindade de Nossa Senhora. Limito-me a aprender
com quem sabe mais do que eu.
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O que me parece importante realçar do debate em torno deste dogma
Católico é a crispação que gerou. De um lado temos pseudo-católicos,
alguns infelizmente padres, que ao fim de todo este tempo ainda não
tinham percebido que a Fé Católica é dogmática. Mas qual era a dúvida?
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Do outro lado temos os do costume, progressistas e ateus
pseudo-cientistas. Aos progressistas já disse o que tinha a dizer e é um
grande ‘foda-se!’; aos ateus pseudo-cientistas convém recordar o
seguinte: é tão absurdo acreditar em Deus como não acreditar. É este
pequeno pormenor que escapa aos pequeninos, e que o Padre Álvaro Balsas
colocou de forma brilhante quando, no final do seu artigo no Observador,
diz: ‘Sendo um “fenómeno” irrepetível, não entra no conjunto de
fenómenos que podem ser estudados pelas ciências naturais, esses sim,
repetíveis e quantificáveis.’
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Muitos outros fenómenos que fazem parte da vida são também eles
irrepetíveis. Os fenómenos ligados ao tempo (não falo da mitologia
construída em torno das mudanças climáticas, mas do que conhecemos como
experiência do passado, do presente e do futuro) são disso exemplo:
nenhuma forma de saber capta o tempo na sua plenitude, nem sequer a
física (muito menos a economia, a qual nem se apercebeu que o tempo
existe quanto mais tentar compreender o fenómeno…). A tentativa de
classificar como importante somente aquilo que é passível de ser captado
pelas ciências naturais é, no mínimo, perigoso. No limite é próprio de
ignorantes!
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Acreditar em Deus não é algo que se coloque no plano da racionalidade
das ditas ciências naturais (as quais primam por ser aborrecidas ao
ponto de nos fazerem acreditar no Diabo…). Por isso é tão absurdo
acreditar como não acreditar. Torna-se por isso incompreensível que
aqueles que acreditam sejam sistematicamente tomados por imbecis (os
Católicos, porque para os outros é só compreensão, muita paz e amor…).
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Atacar os crentes, independentemente da sua religião, tentando mostrar a
irracionalidade científica daquilo em que acreditam, é de uma
ignorância atroz… mais não seja porque a ciência nunca demonstrou a
existência de Deus, tal como não consegue demonstrar que Deus não
existe. Daí o absurdo… Por isso é tão absurdo acreditar na Virgindade de
Nossa Senhora como é não acreditar. É pena que isto tenha sido
esquecido: lembrar pode ser que traga um pouco mais de elegância e
respeito.
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