02/01/2019 by António Fernando
Nabais
Ao arrepio da tradição, Marcelo Rebelo
de Sousa esteve presente na tomada de posse de Jair Bolsonaro, o que já é mau
sinal, independentemente de quem chegou à presidência do Brasil. Sinal de
subserviência, que é uma maneira de encolher um país.
.
As declarações do presidente português
confirmaram o provincianismo de um país que vive de joelhos: ao falar com o repórter, abrasileirou a
pronúncia; diante do desprestígio
que foi o pouco tempo de audiência com Bolsonaro, inventou a história de que os
irmãos precisam de pouco tempo para comunicar; não perdeu a oportunidade
para falar da importância do Brasil nessa central de maus negócios que é a
CPLP.
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Já Eça fazia referência ao
provincianismo de um país que importava tudo, até vocabulário, de França. Mais
recentemente, vamos engolindo neoliberalismos vários porque vêm de Bruxelas e
palavreado economês em inglês americano, cheio de timings e
de feedbacks.
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O Brasil, eterna potencial potência, é o
deslumbramento de políticos sempre ansiosos por transformar Portugal na rémora
do tubarão, porque os negócios e as empresas e as oportunidades, num desfile de
inanidades que afectam inclusivamente o supremo magistrado da nação, com
representantes prontos a vender até a ortografia, em nome de uma falsa união que é só parolice.
.
Note-se que a cultura de muitos portugueses,
incluindo este vosso criado, é devedora de muito Brasil, da literatura à
música, passando pela televisão e pelo cinema, mas não se confunda admiração
com genuflexão. O problema, nesta e em muitas histórias com políticos
portugueses, é que a vergonha não é alheia.

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