Recordar… é aborrecer direita
(Carlos Esperança, 17/01/2019)

Sempre considerei que a constituição de
políticos arguidos de bagatelas penais era mais uma humilhação para
destruir carreiras e, eventualmente Governos, do que uma atitude com
consequências penais, para salvaguardar a decência e a ética na
política.
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Quando o ministro Mário Centeno pediu ao
clube em cujo estádio tem camarote, para assistir com um filho a um jogo
de futebol da tribuna da presidência, o que sucedeu, a central de
intoxicação da direita partiu para o
insulto, com a suspeita de que o ministro das Finanças, em troca,
favorecesse fiscalmente o presidente do clube e a família deste. O
Ministério Público chegou a investigar o ministro e atual presidente do
Eurogrupo do ilícito que o pudor levou a arquivar, e até o inefável PR
produziu um comentário infeliz.
A memória é curta, mas quiseram destituir o ministro, enquanto a PGR (com a atual e a anterior titular) ignora os edis do PSD, Marco António, Luís Filipe Meneses, Agostinho Branquinho, Hermínio Loureiro, Virgílio Macedo e Valentim Loureiro, que a Visão n.º 1278 (31/8 a 6/9 de 2017) refere, com provas aparentemente evidentes de faturas falsas, empresas de fachada, contratos públicos viciados, tráfico de influências, negócios simulados, fraudes em subsídios, manipulação de contas e iniciativas fictícias.
Quando a GALP, como era hábito, convidou
políticos do que a direita chamava arco do poder, Rocha Andrade, João
Vasconcelos e Jorge Costa Oliveira, secretários de Estado, aceitaram o
convite para assistirem à final do Euro 2016, em que Portugal era
finalista. Não deviam, e fizeram-no. Pediram a exoneração ao
primeiro-ministro, antecipando que iam ser constituídos arguidos pelo
alegado crime de recebimento indevido de vantagem.
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O Governo perdeu três membros e o MP
reuniu indícios suficientes da prática de crime no chamado Galpgate. A
PGR já confirmou que o MP tomou a decisão “de suspender provisoriamente o
processo em relação a alguns dos arguidos”, com multas que variam entre
os 600 e os 4500 euros, sendo os valores mais altos aplicados aos
ex-titulares de três secretarias de Estado, Rocha Andrade (Assuntos
Fiscais), João Vasconcelos (Indústria) e Jorge Costa
(Internacionalização). O juiz ainda pode recusar o arquivamento do
crime, feito às escâncaras, visto na RTP e noticiado nos jornais.
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Nos jornais I, Correio da Manhã e
Público, não vi que multa foi aplicada aos ex-líderes parlamentares
sociais-democratas Luís Montenegro e Hugo Soares, talvez por serem os
homens de mão de Miguel Relvas, Marco António e Passos Coelho, mas
também foram convidados para o Euro 2016 e estiveram lá nas mesmas
condições dos referidos.
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Perante a aparente displicência com que
foram investigados, ou ignorados, os casos dos submarinos, da Tecnoforma
ou da permuta da vivenda Mariani pela Gaivota Azul, não se dúvida da
igualdade da Justiça para todos, mas das consequências.
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