O dia em que Ana Rita Cavaco desmascarou este governo
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Luto todos os dias contra esta vergonha. Atacam-me violentamente por
dizer que a dignidade das pessoas está no lixo no que diz respeito ao
SNS. O SNS é matéria de Segurança Nacional, estruturante para a
democracia e liberdade do país. Estou muito orgulhosa dos “meus”
Enfermeiros. Os Enfermeiros Portugueses são uns heróis. E perderam o
medo. Nunca me calarei, recusem connosco este país. Sérgio Branco o teu
trabalho junto deles tem sido precioso. Saibam todos que estaremos
sempre ao vosso lado. Não chega, senhores governantes, irem visitar
urgências e esconder os doentes, já não chega e ainda bem. Partilho por
saber que é verdade.
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“A equipa de Enfermagem do serviço de urgência do Centro Hospitalar
Universitário do Algarve – Unidade de Faro, vem por este meio, divulgar a
todos os meios de comunicação, a crescente degradação das condições
assistenciais aos seus utilizadores. Esta situação arrasta-se há mais de
dois anos, com conhecimento e conivências do CA, que nada tem feito até
ao momento, para resolver de forma eficaz as condições depluráveis a
que são sujeitos os doentes e profissionais de saúde.
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Neste sentido enviamos uma vez mais um aviso ao CA, Ordem e Tutela do
CHUAlgarve. Aviso esse em que, uma vez mais, denunciamos a falta de
condições de utentes e profissionais do serviço de urgência.
Segue também em anexo fotografias da normalidade quotidiana do SU, já
que tudo muda quando somos visitados pela Comunicação Social num mágico
“empurrar de gente doente para baixo do tapete” e em que parece tudo
ser apenas “mais um pico de afluência”. Nesta normalidade quotidiana
contamos com uma média de utentes muitas vezes superior a 60 podendo
inclusive ultrapassar os 80 doentes numa sala com capacidade para 24. O
rácio de enfermeiros nunca é ajustado.
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Convém não esquecer que para além das horas de espera pelo
atendimento médico que tanto sensacionalismo causa nos telejornais,
existem ainda uma parte mais escondida do Serviço de Urgência que são os
doente internados em macas durante dias e até semanas. Estes doentes
estão submetidos a autenticas torturas dias e dias. Confinados num
ambiente altamente contaminado e saturado, é-lhes negado a sua
privacidade (são expostos em frente a toda a gente), não tem janelas nem
referencias do dia/noite (constantemente expostos ao stress e barulho
da urgência 24×7 dias semana).
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É-lhes negado o direito a serem cuidados e
tratados com segurança. O espaço e o racio a que estão sujeitos não
permitem a prestação de cuidados de qualidade e são um caldo do erro.
É-lhes negado dignidade. É-lhes negado direito a comer- (muitos não
comem apenas porque não tem quem lhes dê comida). Muitos morrem
sozinhos. Sós, rodeados de tanta gente.”
Ana Rita Cavaco

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