uma mentalidade
4 Janeiro, 2019
Miguel
Macedo e mais vinte pessoas foram, há cerca de quatro anos, acusados de
quarenta e sete crimes supostamente praticados no âmbito de funções
públicas. Com excepção de quatro dos arguidos, todos foram absolvidos.
Os que foram condenados ficaram com penas suspensas, o que denota a
pouca gravidade dos actos ilícitos por eles eventualmente praticados.
Macedo era e deixou de ser ministro, ao tempo em que rebentou o
escândalo e devido a ele. Tinha uma carreira política que ficou desfeita
e, muito provavelmente, a sua via profissional não terá ficado melhor.
No fim de contas, ninguém gosta de ser defendido por um advogado que é
um presuntivo criminoso. As outras pessoas terão também, imagino,
padecido graves consequências nas suas vidas profissionais e pessoais.
.
Em face deste vergonhoso resultado, o
Ministério Público assobia para o ar. De nada vale a presunção de
inocência de pessoas sobre as quais, como resulta da própria acusação,
existem reduzidas provas sobre os indícios dos crimes que o Ministério
Público imaginou terem acontecido.
.
O procurador (ou procuradores) que
tratou do caso, que investigou vinte e uma pessoas e contra elas deduziu
acusação ficará na mesma, prosseguindo tranquilamente a sua vidinha,
continuando a receber o seu cheque no fim do mês. Bem vistas as coisas,
nem sequer sabemos quem ele é, ou são. Nenhuma responsabilidade lhe será
assacada por ter acusado mal, com falta de prova sustentável, vinte e
uma pessoas a quem desfez as vidas.
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O problema não estaria, como é óbvio,
neste caso e neste processo, fosse ele apenas um caso único sem, ou com
reduzido, exemplo. Ele tem a ver com a chamada «criminalidade económica»
e é muito mais profundo, porque se instalou, entre nós, há muitos anos,
uma mentalidade miserável segundo a qual «onde há dinheiro há crime».
.
É
uma exploração da baixa sentimentalidade das ruas (o tal «populismo»,
de que muitos falam mas que quase todos se recusam a reconhecer nas suas
verdadeiras fontes), acompanhada por uma comunicação social
absolutamente incompetente e famélica, que vai sempre atrás de qualquer
escandalozinho para ganhar audiências e uns dinheiritos.
.
A
criminalização de qualquer dever tributário para com o estado, os
super-poderes dados ao fisco, a devassa de contas bancárias e da vida
privada-económica dos cidadãos, o ataque político às actividades
lucrativas, como o Alojamento Local, a perseguição a medidas
governativas inteligentes e bem-sucedidas, como os «vistos Gold», não
poderia dar outro resultado que não fosse criar um país policiesco,
cheio de pequeninos pides sempre prontos a perseguir e a acusar quem tem
algum sucesso.
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Esta é a consequência bem visível de uma
mentalidade de extrema-esquerda, que vê no lucro a fonte de todos os
pecados, que reina, infelizmente, entre nós. A origem dessa tragédia –
as infiltrações dessa “antiga” extrema-esquerda nas altas instâncias e
nas cúpulas do estado e da justiça, e os interesses político-partidários
e financeiros de muitas das prestimosas agremiações partidárias de
beneméritos do povo – daria pano para muitas mangas. Mas esse é assunto
que já não interessa a ninguém…
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