Ministro da Defesa não sabia que a Força Aérea é responsável por buscas em acidentes aéreos
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O ministro da Defesa, que tutela a Força Aérea Portuguesa (FAP), desconhecia que era da competência da FAP as buscas e salvamento aéreas. De resto, de acordo com a lei portuguesa, cabe-lhe enquanto ministro da Defesa a responsabilidade política do Sistema Nacional para a Busca e Salvamento Aéreo.
O que diz a lei é que cabe à Defesa ser responsável pelas buscas e
salvamentos aéreos e não ao ministério da Administração Interna, através
da Autoridade Nacional de Proteção Civil.
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Depois de Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna, ter
ordenado a abertura de um inquérito para saber como correram as buscas e
salvamento no caso da queda do helicóptero, a imprensa questionou João
Gomes Cravinho se não seria recomendado ter sido ele a ordenar a
abertura do inquérito.
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A resposta do ministro foi surpreendente.
“Não.
A Proteção Civil e as missões de natureza de busca e salvamento são
missões comandadas pelo Ministério da Administração Interna, estão sob
essa alçada. A Força Aérea são um instrumento que procura desempenhar as
missões que lhe são atribuídas. Não temos, no Ministério da Defesa,
responsabilidade institucional por matérias”, afirmou o ministro, citado
pela Renascença.
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Mas a FAP não é “um instrumento” mas sim a entidade responsável como revela a lei portuguesa. O decreto-lei nº 253/95 determina que o responsável pela Busca e
Salvamento Aéreo, através de um sistema nacional dirigido pelo Ministro
da Defesa.
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Na Diretiva Operacional Nacional n.º 4 da Autoridade Nacional de
Proteção Civil, em vigor desde 2013, afirma-se que competem à Navegação
Aérea de Portugal (NAV) os serviços de tráfego aéreo em Portugal, a
monitorização permanente do espaço aéreo e a deteção de “situações
associadas a eventuais acidentes com aeronaves”.
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É uma competência partilhada com a Força Aérea Portuguesa e em caso
de alerta, estipula-se que “todas as entidades recetoras de um alerta”
em caso de possível acidente “informem, em respeito pela cadeia
hierárquica própria, pelos meios mais expeditos e no mais curto espaço
de tempo” o Centro de Coordenação de Socorro (RCC, na sigla inglesa
utilizada) da Força Aérea.
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O relatório preliminar da Proteção Civil sobre a queda do helicóptero
do INEM em Valongo, divulgado nesta terça-feira, aponta falhas à NAV
Portugal, ao 112 e ao Comando Distrital de Operações de Socorro do Porto
(Proteção Civil).
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