Opinião
Alta traição
Em Portugal, este assunto não foi objecto de
discussão pública, não tendo suscitado debate ou oposição de qualquer
partido político com assento parlamentar.
A função primordial do Estado consiste na
defesa do país, do seu território, do seu povo e do seu património
cultural. Conforme se pode ler no preâmbulo da Constituição da República
Portuguesa (CRP), compete, portanto, ao Estado "defender a
independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos
cidadãos".
No passado dia 7 de Dezembro, em vésperas da realização da
Conferência Intergovernamental sobre Migrações, que decorreu nos dias 10
e 11 de Dezembro, em Marraquexe, foi publicada em França uma Carta
Aberta ao Presidente Macron, na qual o general Antoine Martinez,
acompanhado por M. Charles Millon, antigo ministro da Defesa, e mais dez
generais, dois almirantes e um coronel, apelaram para que o Pacto
Global para as Migrações não fosse assinado, sem que antes fosse
submetido à discussão e escrutínio público, através de referendo
nacional.
Na referida carta, o general alertava para o facto de o chamado
“Pacto Global para uma Migração Segura, Ordenada e Regular”, promovido e
negociado sob os auspícios da ONU, estabelecer o “direito à migração”
com um novo direito Humano, podendo este passar a sobrepor-se à
legislação nacional, seja através de tratados pré-existentes ou através
do “princípio de responsabilidade comum” neste estabelecido.
.
Refere que, da aplicação do pacto resultará uma perda de soberania,
do ponto de vista da política de imigração, uma vez que ficará limitada à
forma como os objectivos do Pacto serão implementados, recordando,
ainda, que a maioria da população francesa considera que é necessário
parar ou regular drasticamente a imigração.
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No relatório, publicado em 2000, intitulado “Migração de
Substituição: Solução para Populações em Declínio e Envelhecimento?”,
considerando a tendência da manutenção da baixa taxa de fecundidade
(entre 1990 e 1995, no nível crítico de 1,5 filhos por mulher; abaixo do
nível necessário para a substituição de gerações, de 2.0), e do aumento
da esperança de vida dos 67 anos (1950-1955) para os 76,4 anos
(1990-1995), a ONU conclui que a solução para a sustentabilidade dos
sistemas de segurança social (considerando um rácio de 3.0, i.e. número
de pessoas com idade entre 15 e 64 anos, para cada pessoa com 65 ou mais
anos de idade), consistirá na entrada de 153,6 milhões de imigrantes no
espaço da União Europeia, entre 2015 e 2050, a uma média de 6,1 milhões
por ano.
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Em resultado, de acordo com o mesmo relatório, em 2050, para
uma população total de 1.2 mil milhões de pessoas no espaço da União
Europeia, 918 milhões, i.e. cerca de 75%, corresponderá à população
imigrante e seus descendentes.
Compreende-se, assim, que os
movimentos migratórios massivos a que temos assistido para os Estados
Unidos da América e para a Europa não serão espontâneos mas, ao invés,
planeados e fomentados.
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Este fenómeno é coincidente com o Plano
Coudenhove-Kalergi para a criação de uma “verdadeira Pan-Europa”, de São
Francisco até Vladivostok. O plano defende a substituição da população
europeia, através da imigração em massa, como meio para eliminar o
Estado-Nação, abrindo, assim, caminho para a criação de um super-Estado
europeu. Este processo foi acelerado em 2015, após o colapso da Líbia
(regulador dos fluxos migratórios regionais para a Europa através do
Mediterrâneo) por intervenção militar da NATO em 2011, e do efeito
chamada da política de imigração do governo alemão da Chanceler Merkel.
.
De
referir que a senhora Merkel recebeu em 2010 o Prémio
Coudenhove-Kalergi, e dois anos antes, em 2008 o Prémio Carlos Magno,
cujo primeiro galardoado foi, precisamente, Richard von
Coudenhove-Kalergi, em 1950.
Face à importância e gravidade do impacto potencial da sua aplicação,
vários países rejeitaram o Pacto, entre os quais os Estados Unidos da
América, o Chile, a Polónia, a Áustria, a República Checa, a Letónia,
Israel, a Austrália e a Nova Zelândia. Não sendo o assunto consensual,
um conjunto menor de países remeteram o Pacto para discussão e votação
nos respectivos parlamentos nacionais.
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O Pacto consagra os deveres
de acolhimento, de integração e de atribuição de prestações aos
imigrantes por parte do país de destino. Os direitos humanos dos
imigrantes poderão assim prevalecer sobre os direitos dos cidadãos,
refere o general.
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Em Portugal, este assunto não foi objecto de
discussão pública, não tendo suscitado debate ou oposição de qualquer
partido político com assento parlamentar. Sem tido sido remetido sequer
para apreciação no Parlamento, o Pacto foi assinado, em nome de
Portugal, pelo primeiro-ministro António Costa, com o apoio do
Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
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