Relatório
"Vistos gold" permitem uso "abusivo" por criminosos e corruptos
"Uma pobre gestão operacional e a falta de controlos internos podem incrementar as oportunidades para a corrupção em Portugal, permitindo que agentes públicos peçam subornos em troca de uma conclusão bem-sucedida do processo de aplicação", pode ler-se no texto resultante da investigação conjunta com a organização não-governamental Global Witness.
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A
Transparência Internacional (TI) insta o Governo português a permitir o
escrutínio público do processo de atribuição de 'vistos gold' e a
aumentar "a transparência e a responsabilização na gestão do programa, a
informação sobre as Autorização de Residência para a Atividade de
Investimento [ARI] - incluindo, pelo menos, o número de pedidos
recebidos (e os países de origem), os concedidos e os recusados",
publicando informações numa base regular.
"O Governo também deveria considerar publicar os nomes daqueles cuja candidatura foi bem-sucedida", acrescenta.
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A
investigação, que incidiu sobre os programas de Chipre, Malta e
Portugal no espetro da União Europeia (UE), revela que a representação
em Portugal da TI pediu acesso à informação sobre os pedidos de ARI "às
autoridades competentes", para esclarecer dúvidas, mas "as autoridades
portuguesas responderam que toda a informação disponível sobre o
programa já tinha sido publicada".
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A organização alerta ainda que, desde a última revisão do programa, em 2017, não foram feitos esforços "significativos" para dar resposta aos problemas identificados no relatório agora divulgado, elencando uma série de falhas.
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"Os
candidatos têm apenas de apresentar uma certidão de registo criminal do
país de origem ou, caso já não residam neste, do país onde residiram
por mais de um ano. Tal significa que quando o candidato deixa o seu
país após ter sido condenado por um crime, pode facilmente providenciar
um certificado do país de residência de modo a que as autoridades
portuguesas não tomem conhecimento do seu registo criminal", nota.
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A
TI aponta ainda como lacunas do programa português a falta de
independência na verificação dos documentos e informação apresentadas
pelos candidatos, a possibilidade de o solicitante principal servir como
"cavalo de Troia" para outros membros da família que teriam mais
dificuldade em "passar a inspeção", e a ausência de investigação quanto à
fonte de riqueza ou aos fundos usados para investimento no país.
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"É
responsabilidade do Estado verificar o 'backgroud' e a fonte de riqueza
dos candidatos e dos seus dependentes de acordo com os critérios
predefinidos", defende o relatório.
Desde
a criação do programa de ARI, em outubro de 2012, e agosto deste ano,
já foram atribuídas 6498 autorizações de residência, 3936 dos quais a
cidadãos chineses, segundo o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).
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De
acordo com os dados do SEF, os "vistos gold" já renderam aos cofres do
Estado 3,967 mil milhões de euros, com cerca de 3,600 mil milhões a
resultarem da aquisição de bens imóveis, e pouco mais de 370 mil de
transferência de capital.
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