Recebido de um amigo

Bom Sábado !!!!
Deveres (?), pelos vistos, "só" no tinteiro
... direitos e mais direitos pois então ... graças à nossa "brilhante" constituição...._.
“Admitindo-se que os conceitos do princípio de autoridade e autonomia individual se opõem e excluem; que qualquer lei moral e princípio são limitativos ou negativos da liberdade e toda a recompensa honestamente obtida, tal com a inteligência, geram discriminações intoleráveis e devem ser perseguidas como inimigos públicos; se se aceita o igualitarismo absoluto, resulta que todos têm direito a tudo sem a obrigação de prestar contas a quem quer que seja do exercício de tais possíveis e impossíveis direitos.
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Resulta, do mesmo modo, que já não existe nada a que mesmo violentamente não se possa aspirar a ter direito. Reclama-se, sobretudo, o direito de ter direitos, cada vez mais direitos, frente ao dever de ser o mais recto possível”.
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Michele Federico Sciacca em "O Direito como privilégio: igualitarismoe peculato,
no uso, nas suas relações com o povo, da polícia e do exército. E, como
esta experiência é a última, a mocidade de hoje lembrou-se de concluir
que a realidade vale mais que as boas intenções, que é inútil pregar
boas doutrinas se apenas as más podem vingar.
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Mais vale, pensaram eles, que se defendam, desde logo, as doutrinas antipáticas. Por mim, acho preferível defender, como algum dia farei, com a devida argumentação sociológica, que é mais legítimo que os políticos roubem e espoliem o povo, do que roubar e espoliar o povo chamando a essa atitude “governo popular”, “democracia”, “liberdade” e outras coisas assim. O anarquismo, o socialismo, o democratismo — diabos busquem espontaneamente qualquer resultado de acordo com a base liberalista e igualitária da sua doutrina?
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Não o vemos. O que encontramos, é, ao contrário, a tendência para substituir aos pretensos “privilégios” do capital uns outros “privilégios” — os do chamado “trabalho”. A tendência espontânea é para a inversão dos factores, não para a sua igualização. E a célebre “ditadura do proletariado”, último avatar da ignorância e da asneira, revela, com a ingenuidade mental característica dos seus criadores, aquele naturel que revient au galop, quanto mais o querem escorraçar.»
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Mais vale, pensaram eles, que se defendam, desde logo, as doutrinas antipáticas. Por mim, acho preferível defender, como algum dia farei, com a devida argumentação sociológica, que é mais legítimo que os políticos roubem e espoliem o povo, do que roubar e espoliar o povo chamando a essa atitude “governo popular”, “democracia”, “liberdade” e outras coisas assim. O anarquismo, o socialismo, o democratismo — diabos busquem espontaneamente qualquer resultado de acordo com a base liberalista e igualitária da sua doutrina?
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Não o vemos. O que encontramos, é, ao contrário, a tendência para substituir aos pretensos “privilégios” do capital uns outros “privilégios” — os do chamado “trabalho”. A tendência espontânea é para a inversão dos factores, não para a sua igualização. E a célebre “ditadura do proletariado”, último avatar da ignorância e da asneira, revela, com a ingenuidade mental característica dos seus criadores, aquele naturel que revient au galop, quanto mais o querem escorraçar.»
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«E entre essas coisas da decadência que em nossa alma […] se
apresentavam, especialmente nos (…) aquelas teorias políticas —
socialismo e anarquismo
— que mais nitidamente são expressões de um modo de teorizar e de idear
doutrinas, isto é, que mais flagrante, posto que maltusianamente (?)
são o pensamento de uma sociedade em plena desintegração. À medida que
nos sanearmos, iremos deixando de ser anarquistas e socialistas.»
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa
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