
António Costa aterrou em Angola de calças de ganga e milhões de
portugueses desataram, de modo obsessivo, a debater questões
protocolares e o respectivo dress code.
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Não é certamente todos
os dias que João Carlos Espada se orgulha dos seus compatriotas, mas
fontes bem informadas já relataram que o ilustre académico não consegue
tirar, desde segunda-feira, o sorriso dos lábios e o brilhozinho dos
olhos. Alguns amigos já pensaram em chamar o Batman, mas desconfiam que,
à semelhança do ocorrido no filme de Tim Burton, não será uma queda do
topo de uma torre da Universidade de Oxford a resolver o problema.
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A indumentária do primeiro-ministro, à semelhança da indumentária dos
homens em geral, deve ser sempre analisada à luz das decisivas e
poderosas influências externas inerentes à mesma. Traduzindo: mulheres. O
espécimen do género masculino, como é do conhecimento de toda a gente,
veste-se de acordo com o gosto da mãe, da mulher e das filhas.
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E esse
processo não ocorre por substituição mas sim por acumulação: não é por a
filha começar a dar uns palpites que a mulher se abstém de participar,
assim como não foi a cerimónia matrimonial a conseguir interromper a
acção materna. Neste campo particular, Versalhes nunca acabou, e o acto
de trajar continua a ser um ritual colectivo.
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Não é por isso de estranhar o que aconteceu em Angola. Quem leu a
entrevista que Maria Antónia Palla, mãe de António Costa, deu ao jornal
Sol este fim-de-semana, percebe imediatamente quem fez a mala ao chefe
do Governo. Queixando-se da atitude subserviente de Lisboa em relação a
Luanda, Maria Antónia Palla atacou o agachamento nacional e caracterizou
a nossa estratégia diplomática como “política de lambe-botas“.
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Em situações normais as mães obrigam os filhos, mesmo debaixo de
protestos, a vestir-se adequadamente. Neste caso, pelo contrário,
podemos perfeitamente imaginar o seguinte raspanete à saída para o
aeroporto: “António, meu filho, aonde é que o menino pensa que vai tão
limpo e arranjadinho? Já para o quarto mudar de roupa e que isto não
volte a acontecer”.
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