“Quá, Senhor, trazem me
tam afagado e tam cerymoniado, e mostram me tantas dores suas, e que maus sam já
pera trabalhar; e depois de me terem bem manso, e bem seguro de nam esprever eu
a verdade a Vossa Alteza, entam Vos esprevem lá, senhor, essas cartas!” Afonso
de Albuquerque Cartas I, p. 290, 20 de Outubro de 1514.
Como foi amplamente noticiado um grupo de
militares (sobretudo na reforma e na reserva) e alguns civis, resolveram
organizar e estar presentes num almoço de homenagem ao último Comandante do “Regimento”
de Comandos – Regimento que, por junto, não arrebanha duas companhias (que é,
aliás e infelizmente, o espelho de todas as unidades das Forças Armadas e
sobretudo do Exército) – Coronel Comando Pipa de Amorim.
O evento teve lugar no pretérito dia 8 de
Setembro, num restaurante da capital e congregou mais de 400 convivas. É normal aos comandantes das unidades que estão
de partida dos seus comandos (como a outros militares), serem homenageados num
jantar de despedida que ocorre, por norma, na própria unidade ou em restaurante
perto da mesma. Desses almoços não
consta notícia pública. São rotina.
1 Porque é que este almoço então, concentrou tanta polémica e reportagens em televisões e jornais? É na resposta a esta questão que o significado do evento se amplia e deve ser escrutinado. É certo que o fito do almoço era homenagear o Coronel Pipa Amorim – que passou desgostoso e prematuramente, à reserva – mas seria esse o único fito ou, até para alguns, o principal? Não parece nada que fosse. Não tenho dúvidas que o oficial em causa é merecedor desta homenagem castrense pela sua folha de serviços, por ter subido a pulso, pelas suas qualidades pessoais e competência técnica, por ter dado boa conta de si e da missão (incluindo em situações de combate) e por, tendo já dado provas de coragem física e espírito militar mostrou, como Comandante dos Comandos, não tergiversar na defesa dos seus homens e da sua missão e ser possuidor de elevada coragem moral, a mais difícil e elevada de todas.
1 Porque é que este almoço então, concentrou tanta polémica e reportagens em televisões e jornais? É na resposta a esta questão que o significado do evento se amplia e deve ser escrutinado. É certo que o fito do almoço era homenagear o Coronel Pipa Amorim – que passou desgostoso e prematuramente, à reserva – mas seria esse o único fito ou, até para alguns, o principal? Não parece nada que fosse. Não tenho dúvidas que o oficial em causa é merecedor desta homenagem castrense pela sua folha de serviços, por ter subido a pulso, pelas suas qualidades pessoais e competência técnica, por ter dado boa conta de si e da missão (incluindo em situações de combate) e por, tendo já dado provas de coragem física e espírito militar mostrou, como Comandante dos Comandos, não tergiversar na defesa dos seus homens e da sua missão e ser possuidor de elevada coragem moral, a mais difícil e elevada de todas.
Ora foi contra este oficial – a que não há a
apontar qualquer falta de lealdade – que se virou a hierarquia do Exército, na
pessoa do Chefe do Estado-Maior do mesmo. Quero até crer que, exclusivamente,
nesta figura. As razões são conhecidas,
pelo que não me vou alongar nelas, mas deixando a pessoa do CEME, como homem e
como militar, assaz esborratada.
1 Estamos lembrados de um outro jantar de homenagem (esse só juntando
oficiais generais da mais alta patente) ao General Viegas quando este se
demitiu de CEME alegando ter perdido a confiança no Ministro da Defesa…
2
E, lamentavelmente, nunca se assumindo
claramente as decisões e motivações, ao mesmo tempo que se exibia uma falta de “jeito”
natural incrível, para substituir o Coronel Pipa Amorim, sem se poder alegar
qualquer “anormalidade”. E não era difícil tê-lo feito. A ira, porém, não é boa conselheira… Apenas um comentário sobre a questão (uma das
questões que terão enfurecido a chefia) relativa ao patriota, combatente de
primeira água e comandante de linha aérea, Victor Ribeiro, que tive a honra de
conhecer. Este homem foi condecorado à
última hora – última hora pois foi condecorado já no seu leito de morte a horas
do seu passamento - por intervenção de amigo comum e do PR (a proposta de
condecoração corria os seus trâmites do anterior) e isso explica porque só um
grupo de amigos íntimos esteve presente e justifica a ausência do CEME (que,
presumo, nem soube do que se passou).
.
.
2
Não é aí, pois, que está o busílis – o busílis está em que a referência
de exaltação a Victor Ribeiro (mais do que apropriada) por parte de Pipa Amorim
num dos seus discursos públicos foi, aparentemente, objecto de censura por
parte do CEME. Ora corre no “Jornal da
Caserna” que o CEME, coitado, não faz nada sem “ouvir” o actual MDN (Dr. Azeredo
Lopes), com o qual se encontra umbilicalmente intrincado desde a sua nomeação
na sequência da saída do General Jerónimo, do cargo.
A situação compreende-se (mas não se aceita):
o PS, ou parte dele, que no 25 de Novembro de 1975, esteve do lado dos
vencedores – que por acaso era o lado (mais) certo – está agora metido em
conluio com as forças derrotadas nessa época, numa coisa a que chamam geringonça. Ora Victor Ribeiro foi um interventor de
monta na derrota desses desqualificados…
Portanto é mais do que claro que este almoço de homenagem é também, ou
sobretudo, uma afirmação de desagravo e de protesto contra o estado a que isto
chegou. E não há que ter receio de o afirmar explicitamente.
O caso Pipa Amorim foi apenas mais um episódio
da saga deste CEME que se tem revelado como totalmente incapaz para o cargo que
ocupa; o que resulta do modo como as chefias militares têm sido escolhidas
desde que nos tempos do ministro Fernando Nogueira, o Governo, a AR e o PR,
mudaram a lei sobre a escolha das mesmas (que depois se repercute por aí abaixo),
o que tem resultados desastrosos, nomeadamente na “partidarização” das Forças
Armadas; na desgraça em que todo o aparelho militar está submerso – o qual está
a funcionar em “modo de sobrevivência”; na desqualificação em que a Instituição
Militar se encontra perante o País, etc..
Tudo obra de uma ditadura partidocrata fomentadora de corrupção e que tem
destruído e alienado o País.
É dever de
qualquer chefe militar (e político) antecipar problemas e resolve-los, antes
que se tornem problemas. Por haver
falhas graves e contumazes neste âmbito, a coisa repete-se. Andamos nisto com fugazes intervalos, desde 1817. O sistema, esse, vai triturando os melhores. Coube agora a vez ao Coronel Pipa Amorim.
2 Horas antes deste acto (que pecou por tardio), Victor Ribeiro tinha
recebido a maior condecoração de todas as existentes à face da Terra: foi
baptizado!
3
João José Brandão Ferreira Oficial Piloto Aviador

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