João Soares ‘deseja’ PCP e BE no governo
Deputado socialista quer acordo à
esquerda independentemente dos resultados. No PS, aplaude-se as
palavras de Marcelo ao dispensar acordos escritos para viabilizar o
Governo.
A um ano das eleições legislativas o futuro dos
acordos à esquerda está em aberto, mas tanto o PCP como BE deram sinais
de estarem disponíveis - e em condições - para assumir funções
governativas. Que condições? Tudo depende do projeto e dos votos. No PS
já há quem defenda um passo em frente com a integração da esquerda no
Governo. «Depois de uma experiência tão rica e tão boa para o país é
desejável que haja uma representação indicada - mesmo que não sejam
militantes destacados - pelo PCP e pelo Bloco de Esquerda. Vai depender
muito dos resultados que tiverem», diz ao SOL João Soares, um dos
primeiros socialistas a defender entendimentos à esquerda, ainda na
liderança do partido de Vítor Constâncio. Na altura, o debate passava
por um acordo na Câmara de Lisboa para derrotar a direita na autarquia.
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«Fui dos primeiros, senão mesmo o primeiro a defender um
entendimento à esquerda em Portugal», recordou ao SOL João Soares, na
leitura das várias posições dentro do PS, ao longo da história, sobre as
sinergias com outros partidos. No caso da Câmara de Lisboa, foi Jorge
Sampaio a adotar «a ideia, sendo ele o protagonista, levando-me a mim
como número dois».
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Sobre os resultados das próximas legislativas, Soares é cauteloso a
quantificar percentagens para o PS, mas claro sobre a solução de
alianças pós-eleitorais. «É desejável que se mantenha um entendimento
pós-eleitoral com o PCP e o Bloco de Esquerda, seja qual for o
resultado do PCP e do Bloco de Esquerda. Não faço conjeturas sobre qual
vai ser o resultado, mas evidentemente que desejo o melhor resultado
possível para o PS. Agora não me apanha a dizer que quero maioria
absoluta ou que não quero», declarou ao SOL o parlamentar socialista.
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Numa análise sobre a estratégia de António Costa, João Soares realça
um outro ponto que lhe é caro. A liderança socialista acabou com o mito
dos partidos de arco da governação. «Um dos méritos desta governação
socialista é ter acabado com esse mito. O mito do arco governação servia
para tornar irrelevante uma percentagem muito significativa dos votos
dos portugueses». Mais uma vez, João Soares insistiu que foi uma das
primeiras vozes a defender que era preciso colocar um ponto final nessa
teoria: «É um disparate total, a ideia de arco da governação que a
direita construiu e uma parte do PS adotou».
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Os sinais da esquerda
Entre os parceiros da esquerda, a coordenadora do BE, Catarina
Martins, foi a primeira clarificar a vontade de assumir
responsabilidades governativas. «Aqui estamos, porque o país sabe que
conta connosco. Aqui estamos, para todas as responsabilidades», declarou
a dirigente na rentrée do BE, a fechar o último parágrafo do seu
discurso.
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A ideia foi replicada pelo líder parlamentar do partido, Pedro Filipe
Soares, ao defender que o Bloco lutará para ser «uma força
determinante» num futuro Executivo, numa entrevista à Lusa.
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Na RTP, o secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, voltou a
afirmar que os comunistas estão «em condições de assumir qualquer
responsabilidade, mesmo governativa, mas é preciso saber: governar para
quê e para quem? Para continuar a aceitar a submissão da política
europeia e mais políticas de austeridade? Isso, o PCP não faz. Estamos
disponíveis sim, mas para fazer uma política para resolver os problemas
estruturais do País». A formulação do secretário-geral comunista não é
nova, mas é sintomática na abertura da última sessão legislativa antes
das eleições, sobretudo porque o PCP tem-se distanciado dos socialistas
à medida que se queimam etapas no calendário político e se define a
estratégia pré-eleitoral.
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Qualquer solução governativa implica, por um lado, o apoio no
Parlamento, e por outro, o aval do Presidente da República, ouvidos os
partidos.
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Marcelo dá a mão a Costa
Ao contrário de Cavaco Silva, Marcelo Rebelo de Sousa dispensa
acordos escritos para encontrar soluções governativas estáveis. O chefe
de Estado esclareceu esta semana na que não pedirá acordos escritos à
esquerda ou à direita, até porque já viabilizou «a permanência do
governo sem nunca haver acordo escrito», disse Marcelo ao podcast
Perguntar não ofende, de Daniel Oliveira.
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No PS, as palavras do chefe de Estado foram encaradas como um sinal
de que a ‘geringonça’ funcionou, mas também que Marcelo Rebelo de Sousa é
«mais flexível» que o seu antecessor. Cavaco Silva quis «obstaculizar»
os acordos, confidenciou ao SOL uma fonte socialista.
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No partido de António Costa, a leitura das várias declarações da
semana revelam que tantos os parceiros de esquerda como Belém
sancionaram positivamente a ‘geringonça’.
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