Marcelo Presidente nunca mais!!
Conseguiram tudo. Primeiro com a reversão dos resultados eleitorais
que deram ao PS uma estrondosa derrota. Lembram-se? A PAF acabava de
obter uma maioria relativa, quando António Costa puxou de um acordo com
as extremas esquerdas para governar. Agora, retiram do caminho aquela
PGR que, ao contrário de Pinto Monteiro, demonstrou que não misturava a
justiça com política. Se dúvidas houvesse sobre os objectivos desta
“família socialista”, hoje ficaram todas esclarecidas.
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Ninguém mexe em equipa vencedora. Ninguém! A menos claro, que se
pretenda um final diferente. E que final é esse? Safar Sócrates, Vara,
Manuel Pinho, Ricardo Salgado, Luis Filipe Vieira, Valdemar Alves e por
aí fora. A “família” acima de tudo, acima do país. Não importa o quão
criminosos foram. Importa fazê-los escapar, pelas malhas largas da lei ,
para os corruptos de colarinho branco, como tem sido tradição neste
país.
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Ainda vieram com a conversa para “boi dormir” de um “mandato único e
longo”, para justificar a decisão tomada, já desde que assaltaram o
poder (sim, salvar a pele deles foi uma das razões para assaltar o
governo). Como se nós não soubéssemos que, o que eles mais defendem com
unhas e dentes, são lugares vitalícios desde que sejam da “família
socialista”. Quantos deles já “nasceram” no Parlamento e arrastam-se até
hoje como múmias? Quantos deles têm também familiares a “fazer
carreira” na Assembleia da República, onde já fazem parte do
mobiliário? Quantos deles até já “criaram raízes” agarrados ao sistema
durante décadas? Mas que grande banhada de gozo com que esta gente nos
presenteia!
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Para não dar nas vistas e parecer uma decisão ponderada e séria,
foram buscar uma mulher que, até ao momento, não fazia parte da lista
proposta por Costa. Uma estratégia pensada ao pormenor no intuito de
acalmar os ânimos. Ora, quem não vai ficar sensibilizado com o facto de a
substituta ser outra mulher? Logo, os menos atentos até pensarão que
por ser mulher, estará à altura da anterior apenas por associação de
género. Boa táctica não haja dúvida. Este PS não brinca em serviço
quando se trata de mascarar o cenário.
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Acontece que, mesmo sendo uma mulher e mesmo sem pôr em causa suas capacidades profissionais, esta magistrada quase não tem experiência na área criminal onde
precisamente faz muita falta e basta um pequeno erro para deitar por
terra os processos complexos que envolvem ex-governantes e banqueiros.
Investigou casos como o das viagens fantasma dos deputados que deu no
que deu: nada. Trabalhou com a actual ministra da Justiça, Francisca Van
Dunem, na procuradoria-geral distrital de Lisboa. É ainda casada com
Carlos Gago, que fez parte da PJ no tempo de Fernando Negrão e Luis
Bonina, e que foi um importante membro do PCTP/MRPP.
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Enquanto nos distraiam com “fake news” sobre a orientação sexual dos
bonecos da Rua Sésamo no Jornal de Notícias ou a falsa recondução quase
confirmada de Joana Marques Vidal pelo Presidente no Expresso, a
panelinha ia sendo feita para apanhar todos de surpresa. Assim, não
tivemos tempo de respirar nem de barafustar. Logo que anunciaram na TV,
já a decisão estava consumada e colocada no site da Presidência da
República. Exactamente ao estilo Nicolás Maduro na Venezuela. Bravo!
Esta foi de mestre!
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O Presidente da República tinha todo o poder nas mãos para
interromper este regime ditatorial do Costa, que insiste em pisar as
regras democráticas, tratando o país como se fosse propriedade sua. Mas
não. Mesmo podendo à luz da nossa Constituição reconduzir a mulher que
notavelmente trouxe de novo prestígio e confiança à nossa justiça
doente, assinou a sua saída. Também ele a justificar que o mandato
deverá ser limitado em homenagem à vitalidade da democracia (cof, cof,
cof).
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Quanto apostam que se esta nova PGR se “portar bem” e na altura da
renovação estiver o PS e um “Marcelo” no governo, a reconduzem alegando
que um “bom trabalho” não deve ser interrompido? Lamento mas por muito
que se esforcem em esconder, esta foi uma decisão política por ser a
que mais convinha aos dois intervenientes: Costa e Marcelo ambos com
amigos entalados. Se assim não fosse, teriam deixado Joana Marques Vidal
seguir seu excelente trabalho, doesse a quem doesse.
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Acreditei sempre que o Presidente, apesar das muitas falhas a reboque
de um populismo irritante, nos momentos cruciais do país, não falharia
com seu dever de isenção pelo interesse superior da Nação que ele
representa. Que saberia ser árbitro nos intervalos dos banhos no rio ou
dos passeios pelas tascas. Enganei-me redondamente. E não me perdoo por
ter contribuído mais uma vez, para a desgraça que vem aí.
Para mim, Marcelo Presidente, nunca mais!
Cristina Miranda
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