Robert
Zischg foi hoje ouvido na comissão de Assuntos Europeus da Assembleia
da República sobre as prioridades da presidência austríaca da União
Europeia, que se iniciou a 1 de julho, com o lema “Uma Europa que se
protege” e que definiu como um dos principais desafios “combater a
imigração ilegal”.

O
embaixador da Áustria em Portugal defendeu hoje a política migratória
de Viena, afirmando que a entrada de milhares de “migrantes
não-europeus” levou a um “aumento da violência” que deixa os austríacos
com “medo de uma imigração descontrolada”.
Robert
Zischg foi hoje ouvido na comissão de Assuntos Europeus da Assembleia
da República sobre as prioridades da presidência austríaca da União
Europeia, que se iniciou a 01 de julho, com o lema “Uma Europa que se
protege” e que definiu como um dos principais desafios “combater a
imigração ilegal”.
O
embaixador foi questionado por deputados de todos os partidos
portugueses sobre se não considera haver desconformidade entre as
posições do Governo austríaco, uma coligação entre conservadores e
extrema-direita, e os valores europeus, nomeadamente a tradição europeia
de acolhimento de refugiados.
Zischg
começou por referir o elevado número de chegadas ao país no auge da
crise migratória europeia – 500 mil pessoas em 2015 – para afirmar que
este “é um grande problema na Áustria” e defender que “é preciso
regularizar os que já estão na Europa”.
Segundo
o embaixador, na capital, Viena, ”30% a 40% dos alunos são
não-europeus” e o Governo austríaco tem programas para que os migrantes
“aprendam a língua, sejam escolarizados, aprendam uma profissão” e
também “aprendam os valores”.
Defendendo
a vertente securitária da política austríaca, Zischg afirmou, por outro
lado, que “nunca houve tanta violência na Áustria” e que as autoridades
identificaram “300 austríacos” que combateram com forças ‘jihadistas’
na Síria, para defender a recente decisão de encerrar mesquitas e
expulsar imãs considerados radicais.
“Na
população austríaca há medo de uma imigração descontrolada”, afirmou,
voltando a citar os números de refugiados e acrescentando que “se
Portugal enfrentasse esta situação ia ter uma política diferente”.
O
embaixador austríaco foi também questionado pelos deputados acerca da
aprovação, hoje, no Parlamento Europeu, da penalização da Hungria, por
“violação dos valores europeus”, nomeadamente em matéria migratória.
“Quero
reiterar o que disse o chanceler [austríaco, Sebastian] Kurz sobre
sermos firmes quanto aos valores europeus”, disse Robert Zischg,
frisando que é uma “posição clara”.
“Temos
de defender os valores, mas também continuar a falar”, disse por outro
lado, defendendo que não se pode “forçar” os países que não querem
aceitar migrantes e que devem explorar-se outras vias, como “uns
aceitarem refugiados e outros contribuírem financeiramente”.
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