A expulsão de Joana Marques Vidal é o xeque-mate de um jogo de xadrês que começou nas eleições legislativas, continuou nas eleições presidenciais e está prestes a terminar agora.
À atenção dos ingénuos que acham que Marcelo se vai bater pela manutenção de Joana Marques Vidal.
O Governo de Passos Coelho abriu sérios rombos no império da
oligarquia lusa: A nomeação de Joana Marques Vidal com carta branca para
fazer o seu trabalho e uma séria paulada na cabeça do polvo da
oligarquia que era – e ainda é – Ricardo Salgado, abriu as janelas deste
espaço claustrofóbico onde toda a pulhice ficava impune desde que se
pertencesse ao clube.
Havia que reagir. E reagiram.
Primeiro movimento, apear António José Seguro, um homem honesto e que
nunca tivera nada a ver com Sócrates e substituí-lo na liderança do PS
por um dos príncipes da oligarquia e um dos mais desonestos de entre os
seus pares, António Costa.
Foi fácil.
Pensava-se que seria também fácil ele ganhar as eleições legislativas. Enganaram-se, Não ganhou.
Quem as ganhou, contra todas as expectativas, foi Pedro Passos Coelho.
Reunião de emergência.
E de repente percebeu-se que PPC Ganhara as eleições mas ia perder o
Governo. E sai de cena PPC, como já saíra o outro inimigo da
cleptocracia reinante, Tózé Seguro.
Só que, respondendo apenas perante ela própria, estava atravessada no
caminho Joana Marques Vidal. Fazê-la saltar implicava a colaboração do
Presidente da República quando terminasse o primeiro mandato da PGR.
Chegam as presidenciais e aí assistimos a uma das mais mal montadas
comédias de toda a democracia desde o 25 A: PC e Bloco apresentam os
candidatos folclóricos do costume. O PS, de repente, esqueceu-se de que
tinha de apresentar um candidato, finge que titubeia, que não tem
candidato e apadrinha vagamente um pobre palhaço da Extrema-Esquerda que
só podia perder. À “Direita”, mesmo fenómeno de aparente confusão.
Nenhum candidato credível avança. E, de repente, sabe-se que o
entertainer Marcelo, conhecido por nunca se decidir, dá o passo em
frente.
Em poucos minutos, todos os media, os de referência e os outros,
entoam hossanas ao novo messias, ao cristo redentor de Cascais, ao
banhista do Guincho.
O candidato da Esquerda, de inanidade em inanidade, destrói as chances quase nulas que tinha.
Era óbvio para quem tivesse olhos na cara que a oligarquia montara
todo aquele circo de arrabalde com o objectivo da vitória final e
estrondosa de um dos seus mais ínclitos e antigos representantes e um
dos seus mais vistosos ornamentos: o entertainer Sousa.
Mas há palavras mágicas: Marcelo era o candidato da Direita, insistia-se.
E ninguém percebeu que ele era o candidato da oligarquia em perigo
para esconjurar esse mesmo perigo. Eu preguei um mês no deserto contra o
cavaleiro branco do polvo.
Em vão. E Marcelo tem a sua vitória estrondosa.
A oligarquia respira de alívio. Pode voltar aos bons velhos tempos.
E volta: Marcelo olha para todos os lados menos para onde tem de
olhar; fala de tudo menos daquilo que importa que fale; faz tudo, menos o
que verdadeiramente importa que faça.
Só falta a ordem de marcha a Joana Marques Vidal. Com ela fora da
PGR, o círculo fecha-se. As feridas deixadas por Passos Coelho na
oligarquia serão saradas; os quistos reabsorvidos. Toda a escumalha do
PS e alguma do PSD irá acabar os seus dias em paz, muito provavelmente
regiamente ressarcidos dos “danos morais” entretanto alegadamente
recebidos.
Ricardo Salgado voltará, por portas travessas ao poder que tinha. E eu, tu, todos nós continuaremos a ser impunemente roubados.
Está a chegar o momento crítico, a hora da verdade. Eu estou seguro
de que Joana Marques Vidal vai sair do Palácio Palmela, com Marcelo a
assobiar para o lado. Teria uma das maiores surpresas da minha vida se o
entertainer de Belém impuser como único nome por ele aceitável, o de
Joana Marques Vidal.
Se ele a deixar cair, espero que as pessoas de bem deste país
percebam, finalmente, quem é esse biltre que ocupa o trono de Belém. E
que nas próximas eleções, se não antes, o corram a pontapé de Belém até
Cascais, à Praia dos Pescadores e ao Guincho.
Diogo Pacheco de Amorim

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