
Há meses foi-me dito em mensagem
privada, que o Juiz Carlos Alexandre e a Procuradora Joana Marques Vidal
iriam ser afastados dos processos que envolvem Sócrates e outros. Nessa
altura, como o faço sempre, coloquei em dúvida essa possibilidade pela
importância que estes processos têm e que, ao mudar de mãos, sem
justificação plausível, iria destruir por completo a credibilidade da
justiça portuguesa aos olhos da sociedade nacional e internacional.
Ontem, ficamos a saber que afinal havia mesmo um plano e a última peça
do xadrez foi jogada para xeque-mate! Tiro o chapéu!
O afastamento de Joana Marques Vidal foi
por culpa do Presidente da República que jamais imaginaria ver colocar
os interesses da Nação no caixote do lixo ao aliar-se a Costa nesta
decisão. Agora, para a nomeação de um novo juiz, foi um sorteio
electrónico para duas pessoas apenas, completamente viciado, onde só à
quarta tentativa deixou de dar “erro”. É claro que o português comum e
pouco informado não deu pela pirataria. Não sabe que basta colocar um
algoritmo que rejeite o nome que não se pretende, sinalizando-o como
“erro”, para assegurar o resultado pretendido. Não entende que não foram
erros mas sim 4 tentativas para obter o que desejavam. O que eles não
previram foi que por TRÊS VEZES o computador escolhesse o nome de Carlos
Alexandre e por isso houve uma sucessão escandalosa de “erros” que não
o foram e com os quais ficaram desmascarados. Este programa informático
devia ser imediatamente investigado sem demoras! Ficou clarinho a
movimentação tentacular que já vem de trás para safar o peixe graúdo
entalado e bem, nas malhas da justiça.
Que nos espera então esta nomeação de um
juiz que por ironia tem o apelido “rosa”? Bem, não é preciso pesquisar
muito para saber. Este senhor já vem com um largo currículo de
“safanços” de suspeitos de corrupção. Pois é. Conhecido por não gostar
de apoiar as teses incriminatórias do MP sobretudo quando dizem
respeito a caça grossa, Ivo Rosa ilibou 18 dos arguidos da “Operação
Zeus”, processo relacionado com a corrupção nas messes da Força Aérea.
No caso EDP retirou a Manuel Pinho o estatuto de arguido mesmo com
todas as evidências e suspeitas impedindo ainda que a PJ fizesse buscas
nas suas casas e ainda tivesse acesso às
suas contas e movimentos bancários, por entender não haver indícios
mínimos de corrupção sem no entanto permitir a investigação esmiuçada
para tirar as dúvidas. Ainda no caso das rendas da EDP, foi este mesmo
juiz que impediu também o acesso às contas bancárias de António Mexia e
Manso Neto, o que levou procuradores a pedir o seu afastamento do
processo acusando-o de parcialidade. Mas não ficamos por aqui: Ivo Rosa
num processo em que a TAP era suspeita de lavar dinheiro de figuras da
elite angolana, decidiu não levar nenhum dos suspeitos a julgamento
destruindo todo um trabalho de investigação do DCIAP. Mas calma, ainda
há mais: este juiz, no caso do Gangue do Multibanco, um grupo de
violentos criminosos responsáveis por mais de 100 assaltos e outros
crimes graves, libertou 11 dos 12 membros. Valeu-nos o recurso do MP
para um tribunal superior que reverteu por completo esta decisão e onde
todos os arguidos acabaram por ser condenados a duras penas.
Eu não, não tenho depois do que vi ontem. Só certezas. A certeza que vamos regredir aos tempos de Pinto Monteiro e Cândida Almeida, que não viam corrupção em Portugal só “bons rapazes”.