segunda-feira, agosto 20, 2018

Petróleo, ignorância e politiquice — uma coligação de preconceitos...



A 43 Km´s da costa???
É a primeira vez que vejo esta distancia.
Isto não serão já os lobbies a trabalhar ??????????????
Petróleo, ignorância e politiquice — uma coligação de preconceitos
Portugal vai deixar de consumir petróleo e os seus derivados? Não! Vai impedir cargueiros com matérias petrolíferas (e outras eventualmente mais perigosas) de passarem junto da sua costa? Não! Uma plataforma petrolífera a 43 quilómetros é visível de uma praia ou mesmo de uma casa em cima de um penhasco que não tenha 30 ou 40 andares de altura? Não! As normas de prospeção petrolífera offshore não são seguras na Europa civilizada? São! Veja-se os casos da Escócia, da Espanha, ou de um dos países mais ecologicamente avançados e também mais ricos do Velho Continente — a Noruega.
FOTO GETTY IMAGES
Portugal vai deixar de consumir petróleo e os seus derivados? Não! Vai impedir cargueiros com matérias petrolíferas (e outras eventualmente mais perigosas) de passarem junto da sua costa? Não! Uma plataforma petrolífera a 43 quilómetros é visível de uma praia ou mesmo de uma casa em cima de um penhasco que não tenha 30 ou 40 andares de altura? 
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Não! As normas de prospeção petrolífera offshore não são seguras na Europa civilizada? São! Veja-se os casos da Escócia, da Espanha, ou de um dos países mais ecologicamente avançados e também mais ricos do Velho Continente — a Noruega. Então por que motivo há toda esta agitação, que leva uma associação a pedir uma providência cautelar contra a prospeção de petróleo ou gás natural a 43 quilómetros de Aljezur? Não entendo. E só encontro três motivos: ignorância, preconceito ou politiquice.
QUAL É O RACIONAL DE RECUSARMOS UM BEM COMUM? DESTINOS TURÍSTICOS (CARAÍBAS E BRASIL) E PAÍSES AVANÇADOS (NORUEGA) TÊM PETRÓLEO OFFSHORE. DAMO-NOS AO LUXO DE DIZER NÃO?
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Como reza a frase de Musil, no fim desta página, ao defender os direitos dos seus, prejudica-se os dos outros. Por isso entendo que haja (no turismo, naquela amálgama BCBG, ou esquerda caviar, e em pessoas que pensam que tudo vai ficar mais poluído) uma preocupação com o facto de as tenebrosas agências de petróleo se porem a cavar nos fundos do nosso mar. 
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Também compreendo a sentença da providência cautelar, porque esta, ao contrário do que nos fazem crer, não dá razão a ninguém, apenas acautela interesses e direitos que ficariam anulados caso não houvesse imediata suspensão (se as perfurações se iniciassem, não se podia impedir que elas começassem). 
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O que não entendo é como um país que vai continuar a consumir petróleo e gás importado, a preços mais altos até do que os previstos no Orçamento do Estado, apesar de todo o esforço meritório que faz nas energias alternativas (as quais para os transportes, por exemplo, são muito insuficientes), se dá ao luxo de recusar saber se tem um bem essencial que lhe poderia dar um certo desafogo. Não entendo como, depois de o Governo ter estudado o caso, depois de vários técnicos terem analisado, o preconceito se sobrepõe a tudo. 
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Vamos a factos: a Noruega e a Escócia não são grandes poluidores, pelo contrário; e têm petróleo offshore; as Caraíbas são grande destino turístico de praia e estão cheias de furos de petróleo offshore. O Brasil, idem aspas. Qual é o racional de não podermos usufruir de um bem comum?
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A Plataforma Algarve Livre de Petróleo (PALP) responsabilizar-se-á pelas perdas? Claro que não! Será o Tribunal? Claro que não! Seremos todos, os contribuintes, cuja maioria, tenho a certeza, gostaria que houvesse petróleo. Mais que não fosse na esperança de pagar menos gasolina...

“As  associações lutam pelos interesses dos seus associados, enquanto prejudicam os que não o são” Robert Musil (1880-1942), austríaco, autor de “Um Homem sem Qualidades” (inacabado) e de “Ensaio sobre a estupidez” (1937). Escritor fundamental do século.
À MARGEM: Em meados da década sessenta, do século passado, em Moçambique, na margem da Baía do Pongué (lado oeste) a exploração de um poço de petróleo, que afinal era gas, acidentalmente incendiou-se e as altas chamas mantiveram-se por meses, vistas na cidade da Beira, até que o especialista, americano. Red Adair, veio pôr-lhe fim. Apesar do poço de gas incendiado a pouco mais de 30 quilómetros da cidade da Beira, nunca a população foi afectada ou as belas praias da Ponta Gêa ou as do Macuti foram afectadas, frequentadas por milhares rodesianos que se instalavam no conhecido resorto Estoril no Macúti.
José Martins

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