Não poderíamos deixar no rol do esquecimento e como homenagem a Sua Majestade a Rainha Sirikit, que hoje (12 de Agosto) faz 86 anos de vida. Uma Raínha que nunca nos cansamos de admirar e por diversas vezes já relatamos suas obras em prol dos humildes de seu país.
Habituamo-nos a ver a Rainha Sirikit, desde os anos de 1977,
juntando-se aos seus súbditos, em remotos lugares, da Taiândia. Na sua
cabeça. abrigando-a do sol um chapéu, tradicional, da mulher camponesa,
tailandesa e na altura em que o desenvolvimento, galopa, na Tailândia,
numa sua alocução, acautela os pobres para que não vendam as suas terras
para adquiriem os bens de consumo, modernos: "as televisões, as motorizadas e outros tentações"
A Raínha Sirikit da Tailândia tem sido, durante os quase 41 anos,
que vivemos no seu Reino, uma figura que nos apaixona e até já contamos,
por várias vezes, a sua vida e obra. Hoje
descrevermos o que aconteceu naquela maravilhosa noite no dia 14 de
Maio de 1994, uma data muito especial, histórica, para nós e para a
Embaixada de Portugal em Banguecoque.
No princípio da noite Sua Majestade a
Raínha Sirikit a Real consorte de Sua Majestade o Rei da Tailândia, iria
ser recebida pelos Embaixados de Portugal, Maria Luisa e Sebastião de
Castello-Branco, na histórica residência a "Nobre Casa".
Convite lhe fora feito, para um jantar, pelos Representantes de
Portugal e, depois deste, assistir a um serão e sarau de arte que se
prolongou até junto à meia-noite. Estiverem presentes cerca de 70
convidados entre os quais: membros da Família Real, do Conselho Privado
de S.M. o Rei e do Corpo Diplomático acreditado no Reino da Tailândia.
Jamais, eu, imaginaria de quando, em 1960, vi através do "ecran" as
imagens a preto e branco, difundidas pela recente fundada RTP, a visita a
Portugal dos Reis da Tailândia e que passados 34 anos iria fotografar, a
escassos metros de distância, a Raínha Sirikit que foi considerada uma
das mulheres mais belas do Mundo daquela época.
Preparei a minha Nikon F3, apesar de
estar bastante familiarizado com o seu funcionamento, programei na minha
mente a abertura das lentes e intensidade da luz do "flash",
para que nenhuma foto falhasse e se perdesse uma imagem daquele e único
especial evento real.Antes e depois nunca Sua Majestade a Rainha Sirikit
haja visitado embaixada em Banguecoque.
Dias antes Embaixatriz
Maria Luisa de Castello-Branco convidou-me para ser o fotógrafo oficial
da Embaixada; recomendando-me para que não usasse, demasiadamente, o "flash" e que, compassadamente, premisse o disparador da máquina durante o percurso do serão e sarau de arte.
Com todo rigor, protocolar, que a
ocasião merecia cumpri à risca as ordens recebidas da dinâmica
embaixatriz que durante por vários anos foi a presidente da Organização
das Esposas dos Diplomatas, em Banguecoque, para os eventos de caridade
em favor da Cruz Vermelha Internacional da Tailândia com o patronato de
S.M. a Rainha Sirikit.
Ao fim da tarde, sem grandes aparatos
de segurança, a Raínha Sirikit acompanhada dos membros da família real e
do Conselho Privado de S.M. o Rei da Tailândia chegou à Embaixada de
Portugal e esperada na arcada da "Nobre Casa", pelos Embaixadores de Portugal Maria Luisa e Sebastião de Castello-Branco.
A soberana antes de receber as boas
vindas dos anfitriões, caminhou por cima de uma carpete vermelha,
estendida ao longo do centro da arcada, da "Nobre Casa" e nos lados, formando duas alas, os embaixadores, e suas esposas, acreditados no reino da Tailândia.
Após um curto repouso, no Grande Salão do rés-do-chão da "Nobre Casa"
e residência dos embaixadores de Portugal, S.M. a Raínha subiu ao
primeiro andar para um jantar, cujo a este se associaram todos os
convidados.
Senti-me fascinado e como dentro de um sonho quando através
do visor da Nikon F3 procurava colher o melhor ângulo de imagem e o
sorriso de uma raínha que durante mais de 20 anos me foi familiar no
televisor de minha casa e, por Sua majestade tenho uma enorme admiração
pela sua Obra em prol da mulher tailandesa o que com isso voltou o
símbolo das mesmas.
Raínha de uma elegância incomparável,
esmerada na sua forma de vestir, como que a dar o exemplo às mulheres
tailandesas que a beleza feminina parte do saber e da arte do bem
vestir.
Uma dedicação, constante, às sedas
tailandesas e desenvolvidos os padrões de desenhos sob a sua orientação,
cuja divulgação as tornou, mundialmente famosas, que na alta sociedade
ou nos meandros da moda internacional.
Sua Majestade gosta de usar chapéu
dentro das muitas digressões que efectua às mais remotas paragens da
Tailândia em que os mesmos se caracterizam no estilo campesino do país. O
serão e sarau de arte teve início junto às 8 da noite e prolongar-se-ia
até próximo da meia-noite. Sua Majestade partiu e a seguir todos os
convidados.
A Noite Real tinha terminado e eu
sentia-me feliz, apesar de ainda não saber, como teriam ficado as
fotografias. A imagem digital, em 1994, ainda era uma miragem, para ser
usada proficientemente (embora já houvessem máquinas no mercado), mas ainda a dúvida dado à fraca qualidade das fotografias que saiam com muito "grão".
Depois da meia noite saí da "Nobre Casa"
e dirigi-me até junto do paredão do Jardim da Embaixada e olhei o meu
Chao Praiá e o rio das minhas paixões. Umas poucas embarcações navegavam
com luz frouxa rio abaixo/acima e para as margens de Banguecoque e
Thomburi.
O luar da noite espelhava na ondulação
da corrente bonançosa do rio. Olhei os ponteiros do relógio e deram-me
conta que outro dia estava a nascer e, lembrei-me, que teria ainda de
escrever a peça para noticiar o evento e enviá-la, por fax, para a
Agência Lusa.
O texto:
Lusa/Banguecoque 14.05.94
A Raínha da Tailândia na Embaixada de Portugal.
A histórica residência dos
Embaixadores de Portugal na Tailândia abriu ontem dia 14, as suas portas
de par em par, para receber sua Majestade a Raínha Sirikit, que veio
jantar a convite de Sebastião e Luisa de Castello-Branco. Insigne
distinçaõ Real esta, sem precedentes alguns em outras embaixadas na
capital tailandesa.
.
Entre os cerca de setenta
convidados, contavam-se membros da Família Real e do Conselho Privado do
Rei, e embaixadores, cujas mulheres presentearam a raínha com uma
colecção de 29 bonecas em trajes regionais dos respectivos países.
.
Depois do jantar, houve danças e
cantares executados pelos anfitriões, pelos embaixadores e embaixatrizes
da Argentina, Espanha, Israel, África do Sul e Peru, e pelos
Conselheiros Privados do rei, com destaque do prestigioso
Primeiro-Ministro na década passada, general Prem Tinsulanonda.
.
Foi a segunda vez, este ano, que os
Soberanos da Tailândia distinguiram Portugal e seus representantes. Em
Fevereiro, a exposição do Azulejo Português fora inaugurado pela muito
estimada Princesa Maha Chakri Sirindhorn, não em nome próprio, como mais
habitualmente se vê e constitui já uma grande Honra, mas em
representação do rei seu Pai e ao som do Hino Real.



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