domingo, agosto 12, 2018

MEMÓRIAS DOS TEMPO IDOS - SUA MAJESTADE A RAÍNHA SIRIKIT NA RESIDÊNCIA DOS EMBAIXADORES DE PORTUGAL NA TAILÂNDIA


Não poderíamos deixar no rol do esquecimento e como homenagem a Sua Majestade a Rainha Sirikit, que hoje (12 de Agosto) faz 86 anos de vida. Uma Raínha que nunca nos cansamos de admirar e por diversas vezes já relatamos suas obras em prol dos humildes de seu país. 
Habituamo-nos a ver a Rainha Sirikit, desde os anos de 1977, juntando-se aos seus súbditos, em remotos lugares, da Taiândia. Na sua cabeça. abrigando-a do sol um chapéu, tradicional, da mulher camponesa, tailandesa e na altura em que o desenvolvimento, galopa, na Tailândia, numa sua alocução, acautela os pobres para que não vendam as suas terras para adquiriem os bens de consumo, modernos: "as televisões, as motorizadas e outros tentações" 
A Raínha Sirikit da Tailândia tem sido, durante os quase 41 anos, que vivemos no seu Reino, uma figura que nos apaixona e até já contamos, por várias vezes, a sua vida e obra. Hoje descrevermos o que aconteceu naquela maravilhosa noite no dia 14 de Maio de 1994, uma data muito especial, histórica, para nós e para a Embaixada de Portugal em Banguecoque.
No princípio da noite Sua Majestade a Raínha Sirikit a Real consorte de Sua Majestade o Rei da Tailândia, iria ser recebida pelos Embaixados de Portugal, Maria Luisa e Sebastião de Castello-Branco, na histórica residência a "Nobre Casa".
Convite lhe fora feito, para um jantar, pelos Representantes de Portugal e, depois deste, assistir a um serão e sarau de arte que se prolongou até junto à meia-noite. Estiverem presentes cerca de 70 convidados entre os quais: membros da Família Real, do Conselho Privado de S.M. o Rei e do Corpo Diplomático acreditado no Reino da Tailândia. 
Jamais, eu, imaginaria de quando, em 1960, vi através do "ecran" as imagens a preto e branco, difundidas pela recente fundada RTP, a visita a Portugal dos Reis da Tailândia e que passados 34 anos iria fotografar, a escassos metros de distância, a Raínha Sirikit que foi considerada uma das mulheres mais belas do Mundo daquela época.
Preparei a minha Nikon F3, apesar de estar bastante familiarizado com o seu funcionamento, programei na minha mente a abertura das lentes e intensidade da luz do "flash", para que nenhuma foto falhasse e se perdesse uma imagem daquele e único especial evento real.Antes e depois nunca Sua Majestade a Rainha Sirikit haja visitado embaixada em Banguecoque.
Dias antes Embaixatriz Maria Luisa de Castello-Branco convidou-me para ser o fotógrafo oficial da Embaixada; recomendando-me para que não usasse, demasiadamente, o "flash" e que, compassadamente, premisse o disparador da máquina durante o percurso do serão e sarau de arte.
Com todo rigor, protocolar, que a ocasião merecia cumpri à risca as ordens recebidas da dinâmica embaixatriz que durante por vários anos foi a presidente da Organização das Esposas dos Diplomatas, em Banguecoque, para os eventos de caridade em favor da Cruz Vermelha Internacional da Tailândia com o patronato de S.M. a Rainha Sirikit.
Ao fim da tarde, sem grandes aparatos de segurança, a Raínha Sirikit acompanhada dos membros da família real e do Conselho Privado de S.M. o Rei da Tailândia chegou à Embaixada de Portugal e esperada na arcada da "Nobre Casa", pelos Embaixadores de Portugal Maria Luisa e Sebastião de Castello-Branco.
A soberana antes de receber as boas vindas dos anfitriões, caminhou por cima de uma carpete vermelha, estendida ao longo do centro da arcada, da "Nobre Casa" e nos lados, formando duas alas, os embaixadores, e suas esposas, acreditados no reino da Tailândia.
Após um curto repouso, no Grande Salão do rés-do-chão da "Nobre Casa" e residência dos embaixadores de Portugal, S.M. a Raínha subiu ao primeiro andar para um jantar, cujo a este se associaram todos os convidados. 
Senti-me fascinado e como dentro de um sonho quando através do visor da Nikon F3 procurava colher o melhor ângulo de imagem e o sorriso de uma raínha que durante mais de 20 anos me foi familiar no televisor de minha casa e, por Sua majestade tenho uma enorme admiração pela sua Obra em prol da mulher tailandesa o que com isso voltou o símbolo das mesmas.
Raínha de uma elegância incomparável, esmerada na sua forma de vestir, como que a dar o exemplo às mulheres tailandesas que a beleza feminina parte do saber e da arte do bem vestir.
Uma dedicação, constante, às sedas tailandesas e desenvolvidos os padrões de desenhos sob a sua orientação, cuja divulgação as tornou, mundialmente famosas, que na alta sociedade ou nos meandros da moda internacional.
Sua Majestade gosta de usar chapéu dentro das muitas digressões que efectua às mais remotas paragens da Tailândia em que os mesmos se caracterizam no estilo campesino do país. O serão e sarau de arte teve início junto às 8 da noite e prolongar-se-ia até próximo da meia-noite. Sua Majestade partiu e a seguir todos os convidados.
A Noite Real tinha terminado e eu sentia-me feliz, apesar de ainda não saber, como teriam ficado as fotografias. A imagem digital, em 1994, ainda era uma miragem, para ser usada proficientemente (embora já houvessem máquinas no mercado), mas ainda a dúvida dado à fraca qualidade das fotografias que saiam com muito "grão".
Depois da meia noite saí da "Nobre Casa" e dirigi-me até junto do paredão do Jardim da Embaixada e olhei o meu Chao Praiá e o rio das minhas paixões. Umas poucas embarcações navegavam com luz frouxa rio abaixo/acima e para as margens de Banguecoque e Thomburi.
O luar da noite espelhava na ondulação da corrente bonançosa do rio. Olhei os ponteiros do relógio e deram-me conta que outro dia estava a nascer e, lembrei-me, que teria ainda de escrever a peça para noticiar o evento e enviá-la, por fax, para a Agência Lusa.

O texto:
Lusa/Banguecoque 14.05.94
A Raínha da Tailândia na Embaixada de Portugal.
A histórica residência dos Embaixadores de Portugal na Tailândia abriu ontem dia 14, as suas portas de par em par, para receber sua Majestade a Raínha Sirikit, que veio jantar a convite de Sebastião e Luisa de Castello-Branco. Insigne distinçaõ Real esta, sem precedentes alguns em outras embaixadas na capital tailandesa.
. Entre os cerca de setenta convidados, contavam-se membros da Família Real e do Conselho Privado do Rei, e embaixadores, cujas mulheres presentearam a raínha com uma colecção de 29 bonecas em trajes regionais dos respectivos países. . Depois do jantar, houve danças e cantares executados pelos anfitriões, pelos embaixadores e embaixatrizes da Argentina, Espanha, Israel, África do Sul e Peru, e pelos Conselheiros Privados do rei, com destaque do prestigioso Primeiro-Ministro na década passada, general Prem Tinsulanonda.
. Foi a segunda vez, este ano, que os Soberanos da Tailândia distinguiram Portugal e seus representantes. Em Fevereiro, a exposição do Azulejo Português fora inaugurado pela muito estimada Princesa Maha Chakri Sirindhorn, não em nome próprio, como mais habitualmente se vê e constitui já uma grande Honra, mas em representação do rei seu Pai e ao som do Hino Real.

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