28 Agosto, 2018
O profeta que converteu Cristas, e que convocou a sempre disponível comunicação social ao cheiro do milagre do dinheiro, tem o curioso nome de PETI 3+!
O PETI 3+ prevê um conjunto de investimentos:
devidamente identificadas
por um conjunto alargado de stakeholders (investidores privados) para os
negócios de construção e exploração do Corredor Atlântico, do fomento do
transporte de mercadorias e em particular das exportações e da articulação
entre os portos nacionais e as principais fronteiras terrestres com
Espanha.”
Quem julga
que o que leva Assunção Cristas a viajar de comboio com os seus pagens, à
frente do enxame da comunicação social, é são as genuínas e bondosas
preocupações com a falta de ar condicionado nas carruagens, de atrasos nos
horários, de supressão de composições, de desalinhamento nos carris não
necessita de comprar asinhas, vai para o céu directamente com a graciosidade de
um puro e ingénuo anjinho!
Com papas
e bolos se enganam tolos! Mas parece haver quem acredite na banha de cobra!
É que,
para estes investimentos do tal santo PETI3+, está previsto um:
pacote
financeiro composto por fundos comunitários do programa Connecting Europe
facility (CEF) quer na componente geral (30 a 50% de comparticipação) quer
na componente coesão (85% de comparticipação) e do programa
Portugal 2020 (85% de comparticipação) a que se poderá acrescentar o
Plano Juncker e o contributo da Infraestruturas de Portugal.”
Após
décadas de desprezo, de desinvestimento, de destruição (Sorefame), as notícias
dos comboios que começaram a descarrilar, a atrasar, a encalorar no verão e a
enregelar no inverno (lá chegaremos), da ferrovia que desapareceu, não surgem
por acaso, nem, ainda menos, por séria preocupação dos políticos e dos
jornalistas com o bem estar das populações, com a melhoria da sua mobilidade,
com os doentes que necessitam de ir à consulta de comboio ou os estudantes que
nele embarcariam para as escolas. É o dinheiro, o dinheiro para investidores,
que converte Cristas à ferrovia. Que a faz andar afogueada pela linha do Oeste
e ramais a distribuir panfletos com mais câmaras de televisão atrás do que
tainhas em águas turvas.
.
Águas
turvas. O súbito interesse de políticos e jornalistas pelos comboios é o
cumprimento de uma missão de promoção dos tais stakeholders para se
colocarem nas melhores posições à volta da fonte de onde brotarão os fundos
comunitários, sempre a correr do comum para o privado.
.
A ferrovia
vai dar dinheiro! É por isso que os políticos e os jornalistas andam num virote
a tratar de abrir caminho aos seus stakeholders!
Os grandes
partidos, que administram os grandes interesses, promovem a distribuição dos
“fundos” de forma discreta. O segredo é a alma do negócio. As pequenas
formações, como o CDS, têm duas soluções para comerem alguma coisa: ou
estabelecem alianças e parcerias, e aceitam a discrição, as sombras e os
silêncios do mundo dos negócios, era o estilo Paulo Portas de come e cala-te,
que deu submarinos, por exemplo; ou saem para a feira e fazem um arraial, um Portugal
em Festa, com promessas de desconto nas bifanas e nos cobertores – é o estilo
de arriar a giga de Cristas. Este estilo de andar de sirene ligada, de malhar
no ferro enquanto está quente, já correu mal a Cristas com o aproveitamento dos
incêndios de Pedrógão e agora já a levou a cometer a imprudência de confessar o
que não devia ser dito: que o verdadeiro objectivo da sua conversão ferroviária
é privatizar as linhas rentáveis em nome dos grandes interesses e deixar para o
contribuinte as linhas de baixa rentabilidade, e os prejuízos.
.
Quanto a
bem servir o povo, desinteressadamente, através de comboios limpos, rápidos,
frescos, estamos conversados. Assunção Cristas e os seus acompanhantes andam
apenas a promover os negócios dos grupos do costume. Pura propaganda a
investimentos, a concessões e privatizações. Lobbying para os stakeholders!
(o inglês disfarça a trapaça)
É para
fazer a propaganda a estes grandes negócios que os grandes grupos dos tais stakeholders
(bancos e fundos de investimento) não se importam de ter prejuízo nos grupos de
comunicação social e é por isso – para fornecer audiências às súbitas
preocupações de Assunção Cristas com as comodidades dos passageiros de comboio
– que pagam um milhão por uma promotora de públicos (votantes) como a
esfusiante e capitosa Cristina Ferreira!


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