As empresas de Catarina Martins
18 Agosto, 2018

O Bloco de Esquerda e em particular a sua líder não estão bem.
O caso Robles ainda perturba e parece não haver acampamento que lhes diminua o sobressalto.
O caso Robles ainda perturba e parece não haver acampamento que lhes diminua o sobressalto.
Catarina Martins arroga-se da sua própria frontalidade, mas refere de
forma velada o Blasfémias no Twitter, conforme ilustra a imagem que
acompanha este post.

Um amigo comentava a extraordinária coincidência de, tal como o
prédio de Robles não ser de Robles mas da irmã de Robles, também o
negócio de Catarina e do marido dos alojamentos locais no Sabugal não
ser de Catarina e do marido (nem sequer do marido de Catarina), mas da
família do marido de Catarina.
É um facto que Catarina é deputada em exclusividade, mas daí a dizer
que não tem qualquer responsabilidade em empresas é uma forma criativa
de ver a coisa. Não é formalmente gestora, apenas o seu marido. Certo.
Todavia tem uma quota na Logradouro Lda. É dona.
Percebo que um acionista ultra-minoritário numa empresa cotada em
bolsa não se sinta responsável por nada do que lá se passa. Mas, que
diabo, a Logradouro Lda é uma micro sociedade por quotas, familiar e da
qual Catarina foi gerente até 2009. A gerência da empresa é agora apenas
do seu marido, mas para quê tentar passar a ideia de que Catarina está a
leste de tudo o que se passa neste negócio?
Catarina atribui ao Blasfémias a propagação de “calúnias”, mas nunca
identifica qual o embuste de que este Blog é responsável. Além disso,
alguma vez Catarina desmentiu factos veiculados nestas páginas? Qual o
motivo para cavalgar a onda da “cabala de Direita” contra o Bloco em vez
de assumir a verdade de dados objectivos?
Pois então, a bem da transparência, partilho com os leitores algumas
informações adicionais sobre as empresas e entidades a que Catarina
Martins (CM) está ou esteve ligada.
Devo dizer que nenhuma das pessoas e entidades que irei referir são
suspeitas, arguidas ou acusadas de qualquer ilícito, irregularidade ou
ilegalidade. Que eu saiba, é tudo lícito, regular e legal. Além do mais,
todas as seguintes informações são públicas e podem ser acedidas por
qualquer pessoa através da Internet.
Aqui vai:
- CM tem uma quota de 5% na empresa “Cassiopeia, desenvolvimento de projectos culturais Lda”. (fonte: parlamento.pt e mj.pt)
- A sócia maioritária da Cassiopeia é a coordenadora distrital do Bloco no Porto (fonte: portodistrito.bloco.org e mj.pt)
- CM é (actualmente) Presidente da Mesa da Assembleia Geral da associação cultural sem fins lucrativos “Visões Úteis”, fundada pelo marido de CM e da qual este é colaborador regular. (fonte: parlamento.pt e visoesuteis.pt)
- A Visões Úteis, desde 2012, beneficiou de mais de 80 mil euros de contratos públicos, sobretudo da CMPorto e do TNSJ, por ajuste directo. (fonte: base.gov)
- Um outro dos sócios de CM na Cassiopeia é também um dos directores artísticos na Visões Úteis. (fonte: mj.pt e visoesuteis.pt)
- A Visões Úteis é financiada pelo Ministério da Cultura e DGArtes (fonte: visoesuteis.pt)
- CM foi até 2009 Presidente da Mesa da AG da PLATEIA – Associação de Profissionais das Artes Cénicas. (fonte: parlamento.pt)
- Na sequência do despacho 5883/2018, a PLATEIA integra o Grupo de Trabalho para o aperfeiçoamento do Novo Modelo de Apoio às Artes, formado pelo Ministro da Cultura. (fonte: plateia-apac.blogspot.com)
Outras curiosidades ainda:
- Em 2009, o cunhado (?) de CM (Tiago Carreira) constitui a empresa INK PLACE, LDA da qual é sócio em 50% juntamente com a STILOS INVESTMENT COMPANY LIMITED, sócio corporativo registado em Gibraltar. (fonte: mj.pt)
- No acto de constituição da Ink Place, a Stilos (Gibraltar) foi representada pelo procurador Valdemar Dias da Silva Pedro. (fonte: mj.pt)
- Em 2015 Valdemar defendeu a tese de Mestrado em Psicologia “A espiritualidade nos voluntários” (fonte: scholar.google.pt/citations?user=59jA_LIAAAAJ&hl=pt-PT)
- Em 2015 a Ink Place tem um aumento de capital e alterações ao contrato de sociedade passando o sogro de CM a ter uma quota a título pessoal na empresa e cujo objecto passa a ser mais alargado: “Comércio e distribuição de equipamento informático e consumíveis. Reparação e manutenção de equipamento informático. Formação profissional. Administração de condomínios. Construção civil. Comércio de produtos alimentares. Fabricação de doces, compotas e marmeladas.” (fonte: mj.pt)
O Bloco de Esquerda não está habituado ao escrutínio democrático, nem
da sua agremiação política, nem dos seus dirigentes. Mas seria bom que
um partido que está no poder, embora não formalmente no Governo, e cujos
membros são legisladores (muitas vezes limitando a liberdade
individual) sintam a obrigação de prestar contas e de serem rigorosos
nas informações que dão aos eleitores.
A cortina de fumo das “calúnias”, das “fake news” e a narrativa da
“cabala de Direita” não abonam nada à confiança que alguém ainda possa
ter em companheiros políticos de Pablo Iglésias ou Lula da Silva.
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