sexta-feira, agosto 03, 2018

"17 MILHÕES IGUAL A 17 TOSTÕES!"

O alerta foi dado em Setembro de 2011 através do Processo Administrativo (PA) nº 1.252. Em causa estava um conjunto de transacções suspeitas que o Millennium bcp comunicou ao Ministério Público (MP) ao abrigo da lei de branqueamento de capitais. 
 
De forma resumida, dizia isto: entre Fevereiro e Agosto desse ano, um empresário têxtil com conta numa sucursal do banco em Vila Nova de Famalicão, e em representação de um offshore com sede em Gibraltar, tinha ordenado 11 transferências bancárias avaliadas em cerca de 1 milhão de dólares (855 mil euros ao câmbio actual). O dinheiro viera de Angola e seguira do BCP para outras contas em Portugal e nas Ilhas Caimão.

Diligente, o banco informou que tinha conseguido reunir outros dados importantes: por exemplo, que o empresário português não era quem realmente mandava no offshore Muralis Limited, mas sim um angolano que tinha até um nome parecido com o do então director do Tesouro Nacional de Angola.

Este é um caso que hoje pode ser visto como o exemplo acabado do que não deve ser uma investigação criminal. É que durante seis anos e até ao arquivamento ocorrido em Abril deste ano, o inquérito esteve longos períodos sem qualquer diligência e andou de mão em mão, pois passou por quatro procuradores e três inspectoras da Polícia Judiciária (PJ).

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