45% dos alunos não situam Portugal no mapa da Europa
Miguel Pereira /Global Imagens
Dificuldade em usar rosa-dos-ventos, em prova de aferição do 5.º ano, ilustra problemas para analisar e interpretar informação
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É
apenas um indicador analisado, entre centenas, num relatório que
abrange dois anos de provas de aferição - 2016 e 2017 - de várias
disciplinas e anos de escolaridade. Mas não deixa de ser preocupante.
Pelo menos do ponto de vista simbólico. Entre os mais de 90 mil alunos
que realizaram as provas de aferição de História e Geografia do 2.º
ciclo, no ano passado, 45% não conseguiram localizar Portugal
continental em relação ao continente europeu utilizando os pontos
colaterais da rosa-dos-ventos. Ou seja: não conseguiram localizar o país
no Sudoeste da Europa.
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Utilizando os
pontos cardeais, acrescenta o relatório, apenas 45% dos estudantes
localizaram corretamente "o continente europeu em relação ao continente
asiático, o continente africano em relação ao continente europeu e
Portugal continental em relação ao continente americano".
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Para
Hélder de Sousa, presidente do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE),
responsável pelas provas, os dados não surpreendem. Mesmo tratando-se
da primeira prova externa que, de forma universal, analisou os
conhecimentos de Geografia entre os alunos de 10/11 anos. "Sendo
Portugal na Europa, parece de facto ter um grande impacto", reconhece.
"Mas visto no âmbito do uso da cartografia em termos gerais é um
problema já muito antigo", revela.
Aplicar o conhecimento
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O
"problema", acrescenta, não estará exatamente no conhecimento da
matéria. Mas na capacidade de o aplicar quando não se trata apenas de
repetir factos memorizados: "Em alguns relatórios, na análise que se faz
da Geografia do ensino secundário, uma das coisas um pouco anacrónicas é
a dificuldade que os alunos têm em utilizar a informação cartográfica,
quando a Geografia é a área em que, por excelência, estas áreas deviam
estar mais consolidadas", ilustra.
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O
exemplo da Geografia, acrescenta, "é transversal" para outras áreas
analisadas em que, quando se entra "no processo de interpretação,
análise, explicação dos fenómenos", os resultados pioram. "É aí que
normalmente os alunos falham e perdem pontos, com resultados que se vão
afastando cada vez mais daquele que é o nível de excelência", conta.
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Por
exemplo, na Matemática, os alunos "revelam grandes dificuldades com o
conceito da divisão". As frações, consideradas nucleares para a
continuidade da disciplina, são outro calcanhar de Aquiles apontado,
quer nos relatórios de 2016 quer nos de 2017. No Português, a
interpretação de textos e a capacidade de os redigir corretamente
aparecem frequentemente entre os problemas sinalizados.
Helder
de Sousa ressalva que as provas de aferição dão origem a relatórios
"aluno a aluno e, sobretudo escola a escola, tendo em vista a melhoria
de processos", mas admite que pode haver um denominador comum,
relacionado com a tradição de "perder muito tempo a explicar a matéria e
não dar atenção aos processos".
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E defende que os resultados
"obrigam-nos a repensar no processo que temos em termos de sala de
aula", num "processo interativo entre a atitude dos professores e dos
alunos".
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