Salvato Trigo, reitor da Universidade Fernando Pessoa, foi acusado de
desviar fundos da Universidade em benefício próprio e de familiares.
Salvato Trigo pediu que o julgamento fosse efectuado à porta fechada
e o juiz acedeu ao pedido, sem que se conheçam as razões que justifiquem a
decisão.
O "Público " pediu para ter acesso ao processo, mas o juiz
recusou.
Quando toda a gente pede transparência na política, é no mínimo
estranho que um juiz não tenha de justificar à sociedade a razão de ter
autorizado o julgamento à porta fechada de um caso de corrupção.
Não deixa de ser estranho que, numa época em que a comunicação social tem
acesso a escutas e aos pormenores mais sórdidos de casos de justiça
envolvendo corrupção de políticos, um ex-reitor acusado de desviar 2,2
milhões de euros de uma universidade, seja julgado à porta fechada.
Demo-nos por satisfeitos, porém, pois ficou a saber-se a sentença deste
julgamento feito no confessionário: 15 meses de prisão com pena
suspensa!Ou seja, apenas mais três meses do que o mendigo que há meses
roubou um polvo do supermercado.
Poder-se-ia argumentar que o homem que roubou o polvo é um ladrão
incorrigível enquanto Salvato Trigo é um homem de bem que teve um
"deslize" e está genuinamente arrependido. Só que não é verdade...
Salvato Trigo já tinha sido condenado a 10 meses de prisão, igualmente com pena
suspensa, no final dos anos 90 do século passado. Motivo?
Desvio de verbas do Fundo Social Europeu.
Estranha-se, por isso,
este julgamento de sacristia à porta fechada. E porque tenho a certeza absoluta
que Salvato Trigo não corrompeu o juiz (os juízes são a única classe
profissional neste país absolutamente impoluta e acima de qualquer suspeita)
resta-me manifestar a minha perplexidade pelo facto de a comunicação social
(com excepção do Publico) não ter revelado quaisquer pormenores sobre o
misterioso julgamento do ex-reitor da Universidade Fernado Pessoa

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