Caro deputado Carlos César.
Disse que não se demitiria do cargo de deputado da Assembleia da República
depois do escândalo das viagens pagas em duplicado. Para além disso, fez
questão de ensinar aos portugueses a ética socialista, afirmando que o que fez
juntamente com outros deputados foi “legas é irrepreensível”.
Relembro o Carlos César de 2011 que disse,, numa entrevista, não se
recandidatar à presidência do Governo Regional dos Açores “em nome da ética dos
cargos públicos e da ética republicana” achando importante “passar o testemunho
ás mãos de uma nova geração”.
Carlos César é o único de peso que, no meio de uns quantos outros
socialistas, uma deputada do Bloco de Esquerda e uma social democrata, acha que
não deve uma explicação ao país quando afirma que apenas “cumpriu a lei em
vigor”.
É o mesmo egocentrismo que fez quando foi exigida uma explicação para mais
de cinco membros da sua família mais próxima serem nomeados para cargos
públicos, todos sem passarem por qualquer concurso ou escrutínio publico.
Da mesma forma que mantém o silêncio perante a predominância de familiares
em cargos públicos, Carlos César acha hoje que não deve aos portugueses uma
explicação sobre como aceitou um subsidio de deslocação de 500 euros semanais
mas mesmo assim exigiu o reembolso do valor das viagens que fez.
O país em que famílias, no desespero, são castigadas por tentarem defraudar
subsídios de forma a colocar comida na mesa, é o mesmo país onde o presidente
da Assembleia da República, em menos de cinco dias, perdoa deputados que
lesaram milhares de euros públicos.
Enquanto o senhor se aproveitou mais uma vez das lacunas e buracos das leis
para receber em duplicado, eu hoje aproveito para relembrar que o senhor foi o
líder parlamentar que foi para a Assembleia da República propor hipocritamente
um “código de boas práticas” que se prova hoje nunca ter seguido.
O mesmo que fala, nos dias de hoje, em ética e moral é o mesmo que atacou a
proposta de se criar uma entidade que fiscalize os rendimentos dos políticos. O
mesmo que é membro de um grupo parlamentar que celebrou publicamente e sem
vergonha, por duas vez, os chumbos da lei que criminalizaria o enriquecimento
ilícito.
O “Grande César” que tantas vazes falou no desrespeito pelos princípios
fundamentais do Estado de Direito faz parte das velhas caras parlamentares que
atentaram várias vezes contra a transparência, como mais recentemente com o
encerramento da Comissão de Inquérito à Caixa Geral de Depósitos sem serem
conhecidos sequer os relatórios das auditorias ou o chumbo da audição a Armando
Vara.
Refere-se várias vezes aos seus oponentes como “erráticos”, de não terem
rumo e de serem imprevisíveis. O senhor é bastante previsível, porque os
portugueses sabem muito bem que o seu nome acaba em tudo o que desgasta o
erário publico. Mais vale ser-se imprevisível que corruptível.
Por isso eu só tenho um pedido a fazer ao deputado Carlos César, estando
consciente dos insultos que vou receber de muitos camaradas cegos. Sei que é
daqueles que dá a palavra e não a honra embora tente vender o contrário, mas
peço-lhe que pela ética dos cargos públicos e pela ética republicana, nas
próximas eleições legislativas não marque presença como candidato a deputado da
Assembleia da República, porque está e sempre esteve na hora de passar o
testemunho aos mais novos ou pelo menos a quem ainda tenha valores.
G. Macedo
São valores mas ao contrário
E que o povo já conhece
Tais factos que empobrece
Porque saem do erário
O Sr. Tenha juízo
Causa-nos prejuízo
Demita-se vá-se embora
Vá roubar lá p'ra fora
Nelson
Consciência de
voto
Ajuizar os políticos por aquilo que fazem
SÓ PARA CHATEAR:
Se não gostar de estar lá fora
Regresse com as algibeiras cheias
Para sustentar gente que cá mora
Sem dinheiro p'ra um par de meias.
Tão pouco para tomar um cafezito
Como as amigos/as do costume
Sem a presença do nosso "parzito"
Que só chateia e mostra azedume
Se esse "parzito" estivesse isto a ler
Mandava-me a um sítio que eu cá sei
E eu tinha de sair do convívio a correr
E deixar perplexos os amigos/as que convidei
Rúben

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