Caras Amigas e Caros Amigos
Envio-vos
este texto, recebido há pouco, por o considerar um óptimo motivo para
reflectir. Este tema tem sido abordado por muitos pensadores, mas nunca é
demais abordá-lo e este autor fá-lo de forma muito clara e convincente.
Henrique Neto já se referiu, no Semanário DIABO, ao obscurantismo
criado pelo actual estilo da nossa comunicação social, eu já me referi a
ele, ao correr da pena, em diversos dos meus escritos no mesmo
semanário e em comentários no Facebook. Mas a «idiotização da
sociedade», pelo «divertimento vazio» está a ser uma arma poderosa para a
escravatura moderna. Há que lutar contra a opressão mental, contra a
guerra psicológica que leva à aceitação de tudo, sem reflexão, sem
pensar em alternativas, com mentalidade de rebanho ovino.
JS
A idiotização da sociedade como estratégia de dominação
https://jornalggn.com.br/notic ia/a-idiotizacao-da-sociedade- como-estrategia-de-dominacao-p or-fernando-navarro
https://jornalggn.com.br/notic
180205. Por Fernando Navarro
As pessoas estão imbuídas a tal extremo no sistema estabelecido, que são incapazes de conceber alternativas aos critérios impostos pelo poder.
Para consegui-lo, o poder vale-se do entretenimento vazio, com o objectivo de inflamar a nossa sensibilidade social, e acostumar-nos a ver a vulgaridade e a estupidez como as coisas mais normais do mundo, incapacitando-nos de poder alcançar uma consciência crítica da realidade.
No entretenimento vazio, o comportamento rude e desrespeitoso é considerado um valor positivo,
como vemos constantemente na televisão, em programas asquerosos
chamados “do coração”, e em tertúlias espectáculo onde a gritaria e a
falta de respeito é a norma, sendo o futebol espectáculo a forma mais completa e eficaz que tem o sistema estabelecido para estupidificar a sociedade.
Nesta subcultura do entretenimento vazio, o que se promove é um sistema baseado nos valores do individualismo possessivo, onde a solidariedade e o apoio mútuo são considerados como algo ingénuo.
No entretenimento vazio tudo está pensado para que o indivíduo suporte
estoicamente o sistema estabelecido sem questionar. A História não
existe, o futuro não existe; só o presente e a satisfação imediata. Por
isso não é estranho que proliferem os livros de auto-ajuda, autêntica
bazófia psicológica, o misticismo à la Paulo Coelho, ou infinitas
variantes do clássico “como se tornar milionário sem esforço”.
Em última instância, do que se trata no entretenimento vazio é convencer-nos que nada se pode fazer:
que o mundo é assim e é impossível transformá-lo, e que o capitalismo e
o poder opressor do Estado são tão naturais e necessários como a
própria força da gravidade. Por isso é normal ouvirmos: “é muito triste,
mas sempre houve pobres e ricos e sempre haverá. Não há nada que se
possa fazer”.
O
entretenimento vazio conseguiu a proeza extraordinária de fazer com que
os valores do capitalismo sejam também os valores dos escravizados por
ele. (…)
O sistema estabelecido é muito subtil, com a sua estupidez forja as nossas estruturas mentais, e para isso vale-se do púlpito que todos temos em nossas casas: a televisão.
Nela não há nada que seja inocente, em cada programa, em cada filme, em
cada notícia, traduz sempre os valores do sistema estabelecido, e sem
darmos conta, acreditamos que a verdadeira vida é assim, introduzem os
seus valores nas nossas mentes.
O
entretenimento vazio existe para ocultar a evidente relação entre o
sistema económico capitalista e as catástrofes que assolam o mundo. Por
isso é necessário que exista o espectáculo vácuo: de modo que, enquanto o
indivíduo se auto degrada revolvendo-se no lixo que lhe dá o poder da
televisão, não veja o óbvio, não proteste e continue a permitir que os
ricos e poderosos aumentem o seu poder e riqueza, enquanto os oprimidos
do mundo continuam a sofrer e a morrer devido às suas existências
miseráveis.
Se
continuarmos a permitir que o entretenimento vazio continue a modelar
as nossas consciências, e portanto o mundo à sua vontade, isso acabará
por nos destruir. Porque o seu objectivo não é outro que o de criar
uma sociedade de homens e mulheres que abandonem os ideais e aspirações
que os tornam rebeldes, para se conformarem com a satisfação de
necessidades induzidas pelos interesses das elites dominantes. Assim os seres humanos ficam despojados de toda a personalidade, transformados em animais vegetativos, sendo desactivada por completo a velha ideia de lutar contra a opressão, atomizados num enxame de desenfreados egoístas, deixando as pessoas sós e desligadas umas das outras mais do que nunca, absorvidas na exaltação de si mesmas.
Assim, desta maneira, aos
indivíduos não lhes resta energia para mudar as estruturas opressoras
(que aliás não são entendidas como tal), não lhes fica força nem coesão
social para lutar por um mundo novo.
Não
obstante, se queremos reverter tal situação de alienação a que estamos
submetidos, só nos resta, como sempre, a luta. Só nos resta contrapor
outros valores diametralmente opostos aos do espectáculo vazio, para que
surja uma nova sociedade. Uma sociedade em que a vida dominada pelo
absurdo entretenimento vazio seja apenas uma
lembrança dos tempos estúpidos em que os seres humanos permitiram que
as suas vidas fossem manipuladas de maneira tão obscena.
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