Protesto
Funcionários do MNE dizem receber menos do que os estagiários
Estagiários
do Ministério dos Negócios Estrangeiros estarão a receber quase mais
500 euros por mês do que funcionários de missões diplomáticas que lhes
prestam formação, de acordo com um protesto escrito enviado por
trabalhadores no Reino Unido.
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A
exposição, endereçada ao ministro Augusto Santos Silva em janeiro,
refere que os estagiários, na maioria recém-licenciados, recebem cerca
de 2131 euros por mês, enquanto funcionários com vários anos de carreira
recebem entre 1682 e 2079 euros.
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Na
origem da disparidade de salários, está a aplicação de um índice
calculado em função do país onde decorre o estágio, o qual multiplica o
valor do Indexante dos Apoio Sociais (IAS), 421,32 euros em 2017,
totalizando o vencimento pago.
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O índice
estabelecido na portaria n.º 331-B de 22 de dezembro de 2016 para as
bolsas do Programa de Estágios Profissionais na Administração Central do
Estado no Reino Unido é de 5,06, o terceiro mais alto, a seguir à
Venezuela (5,56) e Suíça (5,14).
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Porém,
de acordo com a carta, os funcionários nas missões diplomáticas
concluem, após uma simulação, que os seus salários equivalem a índices
de 4,94 ou de, na maioria dos casos, 3,99, variando de acordo com o
escalão e anos de serviço.
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A tabela,
queixam-se, "não reverteu para os trabalhadores destes Postos, que se
encontram substancialmente abaixo desse índice mínimo fixado para o
Reino Unido".
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Esta situação afeta 36
funcionários da embaixada de Portugal em Londres e dos consulados de
Portugal em Londres e em Manchester, que nos últimos anos se têm
queixado de salários abaixo do custo de vida do país.
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Esta
questão foi levantada junto do MNE pelos grupos parlamentares do PCP e
do Bloco de Esquerda em abril, mas continua sem resposta, passados os 30
dias regulamentados pela Assembleia da República.
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O
Reino Unido terá recebido nesta segunda edição do Programa de Estágios
Profissionais da Administração Central (PEPAC) seis estagiários de um
total de 85 estágios abertos em serviços externos periféricos do MNE
entre 2017 e 2018.
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O programa pretende,
segundo a portaria n.º 259/2014, "apoiar a formação de jovens com
qualificação superior em contexto de trabalho em ambiente internacional,
nas principais áreas de actuação da política externa portuguesa".
Os
funcionários referem na mesma carta que as condições de remuneração
continuam a degradar-se devido ao aumento do custo de vida no Reino
Unido, nomeadamente a habitação, transporte e alimentação.
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A
estimativa que fazem é que, para cobrir "valores mínimos de
subsistência" mensais, deveriam receber 2.250 euros, mas que o valor
equivalente ao setor público britânico seria de 2.840 euros.
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Na
semana passada, o governo anunciou uma "valorização remuneratória" dos
funcionários consulares através da diminuição da base tributável em sede
de IRS conforme o custo de vida no país.
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A
situação no Reino Unido foi identificada e a isenção de tributação do
IRS estipulada em cerca de 30%, beneficiando 22 trabalhadores, que vão
ganhar mais perto de 100 euros por mês.
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Numa
resposta à agência Lusa, fonte oficial do Ministério dos Negócios
Estrangeiros confirmou os valores da carta, adiantando ainda existirem
técnicos superiores e assistentes técnicos nos postos no Reino Unido com
vencimentos que podem chegar aos 4.520 euros, enquanto um coordenador
aufere 5.678 euros.
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Esclareceu também
que o índice usado para calcular a bolsa de estágio tem por base o
índice de preços de uma tabela das Nações Unidas e que os estagiários,
por terem como critério de acesso uma licenciatura ou mestrado, são
equiparados a Técnico Superior.
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No
entender do gabinete do Ministro, "a comparação efetuada entre as
condições de remuneração dos estagiários PEPAC e dos funcionários não é
ajustada", aludindo, nomeadamente, ao facto de os estagiários terem um
subsídio de refeição inferior ou de não receberem subsídio de Natal ou
de férias.
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Porém, para os funcionários
no escalão de remuneração mais baixo, a soma dos dois salários
adicionais ao salário anual (23.548 euros) continua a ser inferior ao
total dos 12 salários dos estagiários (25.572 euros), que beneficiam de
uma viagem de ida e volta para Portugal.
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Para
a secretária geral do Sindicato dos Trabalhadores Consulares e das
Missões Diplomáticas, em causa não está o valor elevado das bolsas dos
estagiários do PEPAC, mas o nível remuneratório dos funcionários dos
postos diplomáticos no Reino Unido, que não é "adequado ao seu nível de
responsabilidade e de disponibilidade" para proteger os nacionais
portugueses no estrangeiro.
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"Julgo ser
claro que um estagiário em Londres com 2.131 euros ou 1.800 libras
também não tem condições para viver como um paxá! O que dizemos é que as
tabelas salariais do Reino Unido (como infelizmente muitas outras por
este mundo fora) são incontestavelmente um absurdo considerando o país e
a cidade em causa", afirmou Rosa Ribeiro à Lusa.
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Um
estudo do STCDE feito ainda em 2017 identificou disparidades em quase
80% (60 em 73) dos países no que respeita aos Assistentes Técnicos em
postos diplomáticos portugueses, podendo um estagiário ganhar mais
1.387% do que os funcionários na Etiópia.As bolsas de estágio PEPAC são superiores aos salários de Técnicos Superiores em 53 dos 73 países, chegando aos 950% na Etiópia.
"De
um modo geral, não podemos considerar que um trabalhador
reconhecidamente competente e polivalente, conhecedor da realidade e
dominando a língua local, possa ter uma remuneração inferior a um
formando, sobretudo quando este trabalhador, pelos conhecimentos
teóricos e práticos que transmite, irá acrescentar uma mais-valia ao
estágio", argumentou a dirigente sindical.
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À MARGEM: Os estagiários devem ser formados no Palácio das Necessidades e não nas missões onde vão fazer turismo. No meu caso e nos 24 anos que servi a diplomacia fui miseravelmente explorado. Entrei a ganhar o o ordenado da mulher da limpeza, uns 15 contos em 1984. Depois anos e anos segui com ordenados da maçã dos porcos. Hoje há funcionários, anos e anos, a ganhar ordenados de fome. Sim existem boys, nas missões, que ali são inseridos, politicamente, onde ganham balúrdios sem perceber patavina do ofício. - José Martins
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