Recordo, obviamente com saudade, de ver jogar o Peiroteu, o Zé Travassos, o Mendes, etc no tempo do futebol "amador", porque se jogava por amor à camisola, que o próprio jogador muitas vezes lavava e até engraxava as suas chuteiras.
Veio então a ideia peregrina da
profissionalização, não como meio de melhorar muito a qualidade da parte
desportiva (já que este aspecto está dependente do surgimento de um dotado,
como era o Travassos, e hoje aparece um Ronaldo...), mas sim como garantia de que
muitos milhões iriam circular no mundo do futebol.
.
Infelizmente o dito
profissionalismo e os milhões envolvidos (milhões que começam logo na
especulação criada pelos agentes dos jogadores, com uma actividade muito
parecida com a "ESCRAVATURA", uma vez que no século XXI, há um homem,
que ganha dinheiro a vender outros homens!!) que na altura em que se transitou
para o futebol profissional, já se previa que viesse a trazer muitas
dificuldades financeiras para a maioria dos clubes (alguns dos quais desapareceram
por não conseguirem aguentar as exigências financeiras!!), acabaram ainda por
dar origem ao perverso fenómeno da CORRUPÇÃO, que se tem instalado desde a
estrutura de topo (FIFA e UEFA) até ao nível dos clubes.
Como depois, a justiça não consegue
funcionar, porque há milhões em jogo, prevalece a corrupção como
nova modalidade do desporto, que se vai sobrepondo, neste caso, ao futebol.
Saudação amiga
Vizela Cardoso
O (NEGÓCIO) FUTEBOL E OS TEMPOS
(Joaquim Vassalo Abreu, 19/05/2018)
Seria natural que antes fosse
“espectáculo”, porque disso efectivamente se trata, e só depois um negócio.
Seria, mas deixou de ser.
Mas antigamente o “negócio” era
transparente e puro? Os anais dizem-nos que nem por isso e contam-se mesmo
mirabolantes histórias!
Lembro-me de ouvir pela rádio em
pequeno, no tempo dos transístores, que determinado clube precisava de ganhar
por 28-0 (!) para não descer e, por artes de magia, ganhou por 29-0! Esse
número ficou-me e lembro-me de há uns anos ouvir à entrada do estádio do Dragão
um repórter perguntar a um espectador prestes a entrar qual o seu prognóstico
para o resultado!
Eu estava atrás dele e com a minha
resposta pronta se me interpelasse. Sorte a dele e azar o meu! É que se fizesse
a mesma pergunta ter-lhe ia respondido: 28-0! Ele teria dito de imediato: Está
a brincar? E eu responderia: Não, o senhor é que está a brincar comigo! Teria
sido bonito…
Eram tempos surreais, tempos dos
campos pelados, tempos de jogadores rijos e indomáveis e tempos das rádios!
Tempos do “atenção Nuno, perigo no Barreiro” e das quase nulas
transmissões televisivas. E tempo dos jornais também…E tempos da Capital
possuir o unilateral mando! A Capital do Império…
Depois o “negócio”, que não o
“espectáculo”, foi-se sofisticando, foram as leis se alterando, foi-se
entretanto jogando e os vícios se aperfeiçoando…E veio a luta Norte Sul pelo
seu domínio. É que antes o “negócio” quase só se circunscrevia à Capital, a
Capital do Império…
E veio a Revolução e com ela um
Pedroto disposto a deixar de ser “Andrade”, atravessar a ponte e conquistar a
Capital, a ex- capital do ex-império.E com ele chegou um Pinto da Costa vindo
do Boxe (estão a ver?), mas um tipo oriundo de boas famílias, de verve
esfusiante, de piada fácil, acutilante e cortante e, acima de tudo, disposto a
tudo fazer para mudar a Capital do “negócio” para o Porto! E com ele chegou a
“fruta” ao dito…
Entretanto uns puritanos verdes, de
bigodinho curvo a pasteis de nata, olhavam para os seus umbigos e sentiam-se
espantados com tanta desfaçatez naquele “savoir faire”!
Mas, mais tarde, já para os recentes
tempos, veríamos ressurgir o outro da segunda circular, disposto também a
recuperar o mando no “negócio”, pela mão de um tipo vindo ali de Alverca que,
depois de uns falhados candidatos a “padrinhos”, assumiu com mão de maleável
borracha, não tivesse ele vindo do negócio dos pneus, o comando da “empresa”.
Radicou-se entretanto na Expo e, depois de fazer fortuna, para lá de um pequeno
“furo” no BPN (17 milhões, que é isso?) espetou um autêntico “taco” ( há quem
lhe chame “calote” e outros mesmo de “rombo”, no BES (Novo Banco) de mais de
600 milhões…trocos!
Mas isso comparado com o “furo” do
Sócrates são apenas uns trocaditos, digo eu agora a tentar ter piada!
A diferença com o anterior descrito, o
chamado “Rei” do Norte ou “Pinto Rei”, é que este ao menos sabe dizer Poesia, é
de ironia fácil e não consta ter dado alguma vez “rombos” desses! Por favor,
deixem-me pôr as coisas no seu lugar…é que este até gosta de Ópera!
Até que dos lados dos “viscondes”
aparece um “paisano”, um pássaro de arribação impetuoso e de bico grave, um
autêntico valentão. Sabe-se que também vem de boas famílias e que é perito em
falir empresas (se os outros falem eu também falo, ora…). Diz-se que,
com aquele célebre acordo com a Banca, terá salvado o Clube dos Viscondes da
insolvência. Pois, mas voltou aos velhos hábitos e não consta que diga Poesia e
piada não tem nenhuma! E faz-me, assim de repente, lembrar o célebre romance do
grande GABO: “ O General no seu Labirinto”! Mas, será ele também contralto?
Mas é então esta gente que quer
dominar, à força toda, o tal “negócio” do futebol, o tal que se deveria
restringir ao “espectáculo”? Esta tal gente que noutros países já há muito foi
banida, com o retorno do tal “espectáculo”? Na Inglaterra, primeiro exemplo, e
até na insuspeita Itália. Em Espanha o presidente da federação foi preso e
esquecido. E o “espectáculo” segue e os presidentes juntam-se, jantam, falam e
vêm o “espectáculo” lado a lado. E os “teatros” estão sempre cheios, porque sem
“espectáculo” não há assistências…torna-se um sítio cheio de lugares vazios…
Mas chegamos ao derradeiro tempo, o
nosso tempo, o tempo da chafurdice, o tempo da impunidade e do nojo, o tempo de
uma louca Justiça que ao invés de julgar esse nojo o protege e em que para a
opinião pública devidamente demarcada já não interessam os crimes dos
anteriores mas apenas os do último que, como sempre, se torna o fácil alibi
para todos os outros. É o último, o desgraçado…
E os anteriores ainda vêm pedir justiça
pois este os prejudicou…foi além do que devia, o desgraçado!
E depois há também o costumeiro “afinal
são todos iguais…”quando, por falta de mais argumentos para defenderem os
“seus”, se utiliza este velho refúgio que, no fundo e no essencial, quer dizer
“ não se pode fazer nada, é assim e assim será e, apesar de tudo, eles
continuam a ser os meus…”. E até dizem, estes ingénuos, que o clube é
deles! Também estes são todos iguais, agora digo eu…
E neste degradante estado do
“negócio”, um estado onde tudo isto estagna no pântano desse depravado sistema,
há uma autêntica “tríade” procurando chefiar o “negócio”, ser o “padrinho”, é
claro, e chefiar todos os “capos” ao seu serviço…E nas Máfias estes matam
mesmo…
E voltamos sempre ao mesmo: ao
banditismo, às seitas organizadas e aos agentes procurando migalhas. Triste
sina a deste “espectáculo”. E não se mudam os tempos?
Li algures que o Presidente da
República, o seu melhor amigo o Dr. Eduardo Barroso, o deste amigo também Ferro
Rodrigues, que é a segunda figura do Estado, o Dr. Sampaio que já foi PR, o seu
irmão Daniel que nunca foi, mas é Psiquiatra, e mais uma série de viscondes, de
barões e de baronetes, e mais outros que usam bigode à pastel de nata e
ainda outros “agro-betos” que por lá pululam, se sentem “constrangidos”, “desanimados” ,
“envergonhados”, ”apalermados”, “angustiados”, “embasbacados” e
“preocupados”…
A mim só me surge dizer: “COITADOS”…

Sem comentários :
Enviar um comentário