quarta-feira, maio 23, 2018

"EM FAMÍLIA"

Câmara socialista de Castelo Branco adjudicou mais de uma dúzia de contratos a empresas da família do seu presidente



 
“Não me apercebi”, foi um “lapso evidente e ostensivo”, diz o autarca para explicar o facto de assinar um contrato com o próprio pai. Ilegalidades podem originar perda de mandato.
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O presidente da Câmara de Castelo Branco, Luís Correia, assinou, em nome da autarquia, pelo menos dois contratos com o próprio pai, sócio de uma empresa de estruturas de alumínio. A firma, de que são igualmente sócios o pai e um tio da mulher do autarca, a deputada socialista Hortense Martins, foi contratada por aquele município pelo menos sete vezes, sempre por ajuste directo.
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Para lá destas adjudicações, o município – de que Luís Correia foi vereador a tempo inteiro entre 1997 e 2013, ano em que sucedeu na presidência ao também socialista Joaquim Morão – celebrou numerosos contratos com outras empresas às quais o autarca, o pai e as irmãs se encontram directa ou indirectamente ligados.
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Estas adjudicações, porém, chocam com a lei que impede titulares de cargos políticos de intervir, seja de que forma for, em contratos em que os próprios, ou os familiares mais chegados, tenham interesse. Perante qualquer violação desta regra, o Ministério Público é obrigado a propor aos tribunais administrativos a perda de mandato dos infractores. 
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Além disso, todas as entidades públicas estão impedidas de contratar empresas cujo capital seja detido em mais de 10% por titulares de cargos políticos ou altos cargos públicos, ou pelos seus cônjuges, ascendentes e descendentes. O incumprimento desta norma determina ainda a nulidade dos contratos celebrados, conforme o Tribunal de Contas confirmou recentemente.

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