segunda-feira, fevereiro 05, 2018

Vida para além do défice (o outro)

4 Fevereiro, 2018
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A economia deve crescer com base nas exportações.
O défice da balança comercial deve ser reduzido ou eliminado.
Alguém põe estas ideias e desígnios nacionais em causa ou, pelo menos, os relativize?
Não creio. Mesmo entre economistas é um discurso dominante e consensual.
É pena! Não havia necessidade de alimentar uma falácia há muito desmontada por David Ricardo e Adam Smith, entre outros.
No fundo, o mercantilismo está vivo e, diria até, pujante e em expansão. Continua a acreditar-se que riqueza é dinheiro. Defende-se como objectivo minimizar as saídas de dinheiro do país para pagar importações.
Esquece-se, no entanto, que o dinheiro é apenas um meio de troca e reserva de valor.
De que adiantaria acumular notas e moedas se não fosse para os transformar, mais tarde ou mais cedo, em consumo e usufruto de bens e serviços? O nosso bem-estar traduz-se nas coisas concretas a que temos acesso.
Deixou-se também que o uso de ferramentas e convenções contabilísticas quase nos impeça de perceber os fenómenos económicos implícitos à realidade que observamos. Do ponto de vista da acção humana, um défice comercial é algo que não existe. Por definição, qualquer troca que se verifique pressupõe uma diferente valorização do bem em questão pelas partes envolvidas. Ou seja, a troca acontece apenas se o bem recebido tem maior valor para a parte compradora do que o bem entregue em contrapartida. Não é um jogo de soma nula. Ambas as partes ganham. Cria-se riqueza.
Já agora, para os aficionados da álgebra aplicada à economia, o saldo da balança de pagamentos é sempre nulo.

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