sexta-feira, fevereiro 09, 2018

«UNION MAKES POWER». Velho aforismo inglês.

A esquerda radical espanhola foi humilhada na sua própria arrogância




«“Esto se ha terminado. Los nuestros nos han sacrificado”. Mensagem de Carles Puigdemont para Toni Comin (ex-ministro da saúde Catalão), reveladas pela comunicação social belga e espanhola». Jornal «Expresso Curto», 1/02/2018.

Mesmo sem saber castelhano ou catalão, traduzo, tal a sua proximidade:

«Acabou. Os nossos sacrificaram-nos»!

É caso para dizer que está prestes a acabar – é ele mesmo a reconhecer a derrota e que acabou a aventura, não tem outro nome… – um acto de absoluta irresponsabilidade, aventureirismo e oportunismo políticos patrocinado por Puigdemont.

Irresponsável porque na ânsia da independência a qualquer preço – inclusivamente por meio de uma aliança espúria com um partido radical, da extrema-esquerda, ele, um moderado do centro direita e com a qual nada tem a ver em termos políticos – ter lançado a Catalunha numa aventura com custos graves e por se ter colocado num «cul de sac» sem recuo possível para salvaguardar honra e dignidade! Acresce que não teve pejo em sacrificar algumas das ideias fundamentais para o futuro da Europa, nomeadamente, após o Brexit, evitar qualquer secessão que concorra para a debilitar e ao seu projecto de futuro. A Europa tem que estar unida e ele e os homens do Brexit, deveriam sabê-lo!

Aventureiro porque sacrificou qualquer acção ponderada, sensata, que contribuísse para uma eventual independência da Catalunha a prazo, a este vórtice da independência que o pode levar à prisão por muitos e bons anos por ter infringido a lei e a Constituição espanhola de várias formas e inconsequentemente. Por ter atentado contra o Estado de Direito e a Constituição espanholas em 1981, o tenente-coronel Antonio Tejero Molina foi julgado e apanhou 30 anos de cadeia, ressalvadas as devidas proporções, há matéria muito grave, sob o ponto de vista legal, na sua acção.

Finalmente, um rematado oportunista por convocar um simulacro de referendo, por saber que a maioria dos catalães nunca subscreveram a independência embora preferissem um Governo liderado por forças autonomistas, o que é diferente de querer a independência e de a votar nas urnas…

Puigdemont é a antítese da democracia: golpista, opaca, oportunista, sectária, quando a democracia é por definição transparência e lisura de processos; nada nas costas do povo! E não se pense que está sózinho na Península Ibérica, nós também temos um bom exemplo, um político que se esqueceu de dizer que alianças faria se perdesse, como perdeu, e mesmo assim, insistiu em ser Primeiro-Ministro contra a vontade do povo que não o escolheu…

Na Catalunha Puigdemont acabou mal e poderia ter feito bem; paz à sua alma, neste caso, política… em Portugal ainda não chegou a hora de acertar contas…

Rui Graça Moura

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