A esquerda radical espanhola foi humilhada na sua própria arrogância
«“Esto se ha terminado. Los nuestros
nos han sacrificado”. Mensagem de Carles Puigdemont para Toni Comin
(ex-ministro da saúde Catalão), reveladas pela comunicação social belga e
espanhola». Jornal «Expresso Curto», 1/02/2018.
Mesmo sem saber castelhano ou
catalão, traduzo, tal a sua proximidade:
«Acabou. Os nossos
sacrificaram-nos»!
É caso para dizer que está prestes a
acabar – é ele mesmo a reconhecer a derrota e que acabou a aventura, não tem
outro nome… – um acto de absoluta irresponsabilidade, aventureirismo e
oportunismo políticos patrocinado por Puigdemont.
Irresponsável porque na ânsia da
independência a qualquer preço – inclusivamente por meio de uma aliança espúria
com um partido radical, da extrema-esquerda, ele, um moderado do centro direita
e com a qual nada tem a ver em termos políticos – ter lançado a Catalunha numa
aventura com custos graves e por se ter colocado num «cul de sac» sem recuo
possível para salvaguardar honra e dignidade! Acresce que não teve pejo em
sacrificar algumas das ideias fundamentais para o futuro da Europa,
nomeadamente, após o Brexit, evitar qualquer secessão que concorra para a
debilitar e ao seu projecto de futuro. A Europa tem que estar unida e ele e os
homens do Brexit, deveriam sabê-lo!
Aventureiro porque sacrificou
qualquer acção ponderada, sensata, que contribuísse para uma eventual
independência da Catalunha a prazo, a este vórtice da independência que o pode
levar à prisão por muitos e bons anos por ter infringido a lei e a Constituição
espanhola de várias formas e inconsequentemente. Por ter atentado contra o
Estado de Direito e a Constituição espanholas em 1981, o tenente-coronel Antonio
Tejero Molina foi julgado e apanhou 30 anos de cadeia, ressalvadas as devidas
proporções, há matéria muito grave, sob o ponto de vista legal, na sua acção.
Finalmente, um rematado oportunista
por convocar um simulacro de referendo, por saber que a maioria dos catalães
nunca subscreveram a independência embora preferissem um Governo liderado por
forças autonomistas, o que é diferente de querer a independência e de a votar
nas urnas…
Puigdemont é a antítese da
democracia: golpista, opaca, oportunista, sectária, quando a democracia é por
definição transparência e lisura de processos; nada nas costas do povo! E não
se pense que está sózinho na Península Ibérica, nós também temos um bom
exemplo, um político que se esqueceu de dizer que alianças faria se perdesse,
como perdeu, e mesmo assim, insistiu em ser Primeiro-Ministro contra a vontade
do povo que não o escolheu…
Na Catalunha Puigdemont acabou mal e
poderia ter feito bem; paz à sua alma, neste caso, política… em Portugal ainda
não chegou a hora de acertar contas…
Rui Graça Moura

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