terça-feira, fevereiro 13, 2018

Trilho, que trilho?

Já nem a comunicação social consegue esconder o desastre que esta governação tem sido


Trilho, que trilho?

Raras vezes Portugal teve um trilho e anda historicamente desde sempre a fazer de salta-pocinhas.

Isso não impediu obviamente que tivessem surgido homens com visão de futuro de entre os quais destacaria Afonso III, seu filho D. Dinis (só em parte do seu reinado), João I na senda do início das conquistas nos Algarves d’além mar, dois enormes vultos da inclita geração os infantes Henrique e em especial seu irmão o regente infante Pedro que já na altura quis abandonar as praças marroquinas que constituíam um sorvedouro de vidas e dinheiros e que, segundo ele, “era dar uma boa capa por mau capelo”. Não por acaso, é objeto de invejas várias em especial da parte de seu meio-irmão duque de Bragança que mexendo os cordelinhos o arrasta para uma batalha sem sentido (Alfarrobeira – onde morreu) contra ele próprio e um dos mais tontos e boçais reis que tivemos, Afonso V.

Mas, como se costuma dizer, é no estrume que nascem as mais lindas flores e a este rei atontado sucede o genial príncipe perfeito João II.

Este homem tem desígnios e sabe o que quer. Afronta quem deve afrontar e liquida quem lhe impede o passo.

Ao que parece morreu envenenado e sucede-lhe seu primo e cunhado Manuel I. Uma espécie de Costa que recebeu o resultado da boa governação de Passos. Mas Costa não tem por aí nenhum Afonso de Albuquerque ou Vasco da Gama. Sobram-lhe, tão só, oportunistas que certamente o único caminho marítimo que descobrirão é fazer aportar-nos à Venezuela.

Seguindo o curso histórico, a travessia do tempo foi um deserto. E é preciso esperar quase dois séculos para ter outra vez um homem que sabia o que queria e para onde ia. Refiro-me obviamente ao excelso Marquês de Pombal. Que mesmo assim cometeu erros de percurso que o levaram a hesitações comprometedoras. E a um jogo político em parte parecido ao de Passos fazendo uma coisa e prometendo outra. As forças políticas retrógradas, tal como agora esta esquerda espúria, eram de monta. E teve que se vergar a compromissos que não o deixaram chegar onde queria, mesmo liquidando parte da nobreza com o supliciar dos Távoras e do Duque de Aveiro, a expulsão calculada dos jesuítas e, finalmente, cerca de três séculos e meio mais tarde, o abandono da última praça forte em Marrocos, a monumental cidadela de Mazagão de onde mandou parte dos seus habitantes para colonizar o Amapá no Brasil onde, aí, se fundou a ainda existente cidade de Nova Mazagão.

No resto, tal como Passos Coelho, teve que se situar entre compromissos. E não é aliás por acaso que tratando-se de um homem iluminado e iluminista, chegou a proibir a leitura de vultos literários iluministas tais como Rousseau, Montesquieu e Voltaire.

Talvez não por acaso, e tal como está a suceder com Passos, surgiu a Viradeira. Foi assim que ficou conhecido o processo que conduziu às reversões de Pombal por parte da rainha Piedosa, e mais tarde louca, Maria I.

Como se pode inferir do que atrás escrevi, isto é mais do mesmo.

E o trilho seguido pela geringonça nem sequer tem nada de novo.

Trata-se, afinal, de um curso histórico contínuo que não nos deve criar ilusões.

Os vendedores de ilusões e pagadores de promessas têm quase sempre levado a melhor neste desgraçado país.

E as cigarras mais uma vez triunfarão em detrimento das formigas que quiseram construir nesta choldra um país a sério.

Passos, poupando os seus inimigos, acabou por lhe “morrer” às mãos.

Ameaçou muito e produziu pouco. As tímidas reformas que efetuou e que ajudariam a colocar este país na modernidade irão, fatalmente, acabar por ser revertidas.

Os adoradores do caos e do facilitismo desde sempre triunfaram neste pobre país.

Passos cometeu um tremendo erro de cálculo. E teve uma oportunidade de ouro para, de uma vez por todas, quebrar a espinha dorsal das forças reaccionárias e sociais-comunistas que estrangulam a pátria.

Ficou a meio do caminho. Ou como dizem os brasileiros “em cima do muro”.

O pouco que fez perder-se-à.

E o país será como sempre foi.

Um país adiado que como Stefan Zweig dizia do Brasil “é um país do futuro e sempre será”!…

Cipião Numantino

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