Tenho dois cães. Não vão a restaurantes
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Apanho dejectos na
rua e não os solto nunca. Esforço-me para os educar e nunca, nunca
mesmo, vou dizer a uma criança (ou adulto) com medo de cães: não sejas
parvo, ele não morde. Respeito o medo dos outros.
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Não
vou levar os meus bichos para os restaurantes, da mesmo forma que não
os levo para a praia, para o bar, para a piscina, para os jardins cheios
de crianças. Não gosto menos dos meus bichos por causa disto. É uma
forma de estar. Sei que muitas pessoas consideração que a nova lei é uma
boa coisa. Ficará ao critério de cada um, já se sabe, e também dos
donos de restaurantes.
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Há, contudo, um aspecto crucial
que creio não ser de somenos: os animais sofrem em espaços nos quais não
se podem movimentar e sofrem mais ainda com cheiro de comidas que lhes
estão interditas.
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Este é, como dito de início, o meu entendimento e ajo
de acordo com esta ideia. Da mesma forma que, pese o amor que lhes
tenho, reconheço-lhes a origem, logo não os visto, não lhes meto ganchos
ou roupinhas e lenços à Xutos & Pontapés. São animais. São bons
animais e excelente companhia, mas não são comparáveis com seres
humanos. É que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.
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Dirão
que há animais que são tão importantes – ou mais – que muitos
familiares. De acordo. Mas há mínimos olímpicos de higiene que me
afligem nas idas aos restaurantes e afins.
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A minha cadela larga mais
pelo quando se deita do que aquele que a cabeleireira atira para o chão
sempre que me corta o cabelo. Os cães largam pelo. É um facto. Então,
caso encontre um restaurante que o permita, com tanta fiscalização e
afins, vou levar o meu animal e conspurcar o sítio? Ou vamos pensar que
os donos de restaurantes têm de estar preparados para tal? E, já agora,
para necessidades fisiológicas inesperadas?
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Enfim, sei
que para muitas pessoas esta questão é sensível e, decerto, alguém se
encarregará de me colocar na ordem. Eu sou teimosa e vou manter os meus
cães em lugares onde possam ser felizes e farei por ser o mais
civilizada possível, apanhando dejectos da rua com um saco para o
efeito, afastando os cães de crianças e idosos, de sítios que possam ser
perigosos (cuidado com os vidrões, por perto estão inexplicavelmente
vidros mínimos que se enfiam nas patas) e nunca os deixando andar a
vaguear livremente.
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Não sei o que pode acontecer, creio que tudo pode
acontecer e é para isso que existem trelas e, por outro lado, espaços
específicos para cães correrem.
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