quinta-feira, fevereiro 08, 2018

POF. MARCELO: "UMA NO CRAVO E OUTRA NA FERRADURA"



Bernardo Ferrão
Bernardo Ferrão
Subdiretor da SIC
A diplomacia 4.0 de Marcelo

8 de Fevereiro de 2018
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Bom dia,
Ainda não são seis da tarde. As televisões mostram Marcelo. Está em direto há longos minutos. Fala sobre Angola. Ao lado tem a ministra da cultura de Luanda que veio inaugurar uma exposição de artistas angolanos em Lisboa. Marcelo olha para ela, faz juras de amizade. É o “país-irmão”. A compor a imagem, a sorridente comitiva. Há muitas perguntas sobre Manuel Vicente. Relações “fragilizadas”? Marcelo assegura: “estamos condenados a estarmos juntos. Para sempre”.

A tarde desta quarta-feira ficava marcada pela carta do governo de Luanda enviada para todos os embaixadores da CPLP a questionar a investigação ao antigo vice-presidente angolano. O ministro Augusto Santos Silva, que não quis detalhar o conteúdo, veio retificar a informação garantindo que a missiva “não tem a ver com mandado de detenção de Manuel Vicente”. Santos Silva quer ver cumprido o acordo judiciário com Angola.

Marcelo entrou em cena. Deu a volta à agenda e foi Presidente e primeira-dama. Ao lado da ministra angolana – a quem disse “bonita, está sempre”- e do embaixador em Lisboa – “o senhor embaixador vai continuando. E bem!”-, tentou baixar a temperatura. "Portugal está sempre junto a Angola. Esta mostra é um traço de união entre os dois povos". Não é a primeira vez que a diplomacia de Marcelo se chega à frente. No ano passado foram os banhos na ilha de Luanda, em janeiro um chá em Belém com a mulher do Presidente João Lourenço. Mas por mais que a política e a diplomacia apostem na proximidade, ninguém ousa passar as linhas vermelhas traçadas pela Justiça.

Nem de propósito, a PGR confirmou ontem que foi a PSP que deu a informação errada que esteve na base do mandado de detenção para notificar Manuel Vicente. O MP foi informado que o ex-vice angolano estava em Lisboa no passado fim de semana, mas afinal encontrava-se em São Tomé e Príncipe. Entretanto, Carlos Silva, presidente do Banco Privado Atlântico, diz estar disponível para depor mas só por videoconferência. O Correio da Manhã escreve que o banqueiro está a “fintar a justiça.” No i pode ler-se que o BPA será alvo de participação ao Banco de Portugal e CMVM por desrespeito à justiça.
Noutra frente, a revista Sábado avançou que o chamado caso dos emails motivou novas buscas da PJ ao Benfica. O mandado foi cumprido no mesmo dia em que decorreu a operação Lex. Aliás, é no âmbito desta investigação que hoje começam a ser ouvidos Rui Rangel e Fátima Galante, ambos juízes desembargadores do Tribunal da Relação de Lisboa.

Voltemos a Marcelo – sim, o PR ontem não parou. “Não podemos querer uma economia 4.0 com políticos 2.0”. O Presidente falava para a União Europeia e sobre a necessidade de nos prepararmos para a revolução tecnológica. “Nada parará a mudança”, acrescentaria. No discurso sobre as implicações da quarta revolução industrial no mundo do trabalho, Marcelo lembrava que não podemos estar sempre falar em inovação e tecnologia e depois termos uma classe política do século passado.

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