quarta-feira, fevereiro 07, 2018

"OS MISERÁVEIS MAGAREFES"



Artigos
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FACTOS:
Janeiro de 2015:
“A MÃE DO DAVID MORREU, NÃO ME DEIXE MORRER”.
Menos de meio minuto foi suficiente para uma reviravolta na comissão parlamentar de Saúde, que se arrastou por quatro horas e meia. O curto apelo foi feito directamente ao ministro da Saúde por José Carlos Saldanha, doente com hepatite C há 18 anos, que diz ter uma cirrose descompensada e aguarda há um ano pelo polémico medicamento que cura a doença em mais de 90% dos casos mas que custa 42 mil euros.
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O programa para o tratamento da hepatite C foi anunciado pelo ministro da Saúde a 06 de fevereiro do mesmo ano. O acordo com a indústria farmacêutica, conseguido após meses de negociações e de exigências dos doentes, inclusivamente no interior do parlamento, prevê “o pagamento por doente tratado, e não por embalagem dispensada, e contempla todos os cerca de 13 mil doentes de hepatite C inscritos no Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.
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Em 2015, quando o acordo entre o Governo e a Gilead foi assinado, não foi revelado o valor pago por cada doente tratado, mas o então ministro da Saúde, Paulo Macedo, disse que se tinha chegado a um valor médio por doente que representava “um desconto que será mais do dobro” do que tinha sido anunciado inicialmente – e que era cerca de 48 mil euros.
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Julho de 2017:
Quando há perto de sete mil doentes curados e o número de pacientes inscritos para tratamento nos hospitais suplanta as previsões iniciais, o secretário de Estado da Saúde MANUEL DELGADO, tentou fixar limites para o financiamento. Três dias depois, revogou o despacho.
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Fevereiro de 2018:
Francisco Ramos, ex-secretario de Estado do PS e Presidente do IPO, volta a afirmar, em entrevista, que os LABORATÓRIOS aumentam os preços dos medicamentos oncológicos, acrescentando que o preço desses medicamentos vendidos aos hospitais crescia CINCO VEZES MAIS do que para o mercado geral.
O Estado não sabe negociar?
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Segundo Francisco Ramos, o Estado não sabe SEQUER ADMINISTRAR esses preços, porque aquilo a que nós pudemos assistir nos últimos anos foi que sempre que o Estado actuou, e actuou com a sua força de Estado, esses preços reduziram-se, baixaram, foram mais propícios ao interesse público.
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Portanto, nessa matéria, quase que vemos uma completa vitória dos FORNECEDORES de medicamentos -INDÚSTRIA FARMACÊUTICA- que, de facto, nos últimos anos, por uma razão que não se consegue explicar, decidiram TESTAR OS LIMITES das autoridades públicas em termos de disponibilidade de dinheiro para a saúde. Os preços dispararam para muitas situações, para a oncologia sobretudo, mas não só, mas para a oncologia dispararam para situações inimagináveis.
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ARGUMENTAÇÃO:
– A esperança de vida está a aumentar e, com ela, as doenças inerentes à idade, nomeadamente o cancro, estimando-se que na próxima década, a percentagem de indivíduos atingidos pela doença será de UM EM CADA DOIS.
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– O maior negócio DO PLANETA é, por razões óbvias, a Saúde em todas as suas vertentes, tendo a Indústria Farmacêutica coberta por um Sistema de Patentes altamente protector, a fatia de leão.
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– Os Estados APESAR de financiarem uma grande fatia da Investigação necessária ao desenvolvimento dos medicamentos, NÃO CONTROLAM nem a área de pesquisa dos Laboratórios Privados, nem o Preço dos medicamentos lançados ao abrigo das patentes.
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– O NÃO CONTROLE por parte dos Estados da Indústria Farmacêutica, tem na sua génese o mesmo CANCRO que corrói todas as áreas da Sociedade. A saber: A desregulamentação Económica e a Necessidade Financeira.
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CONCLUSÃO:
No caso português, a situação de falência financeira em que se encontra o Serviço Nacional de Saúde, condiciona TUDO o que lhe é inerente, com especial ênfase, por muito ASCO que isso possa causar, naquilo que é MENOS VISÍVEL.
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Ou seja, se os Serviços em si, como por exemplo as Urgências e a Manutenção de Edifícios e Sistemas está a desmoronar-se e se os profissionais de saúde não chegam e são miseravelmente pagos através de empresas de trabalho temporário, no que toca aos Cuidados Paliativos, Idosos, Enfermos Crónicos com longos períodos de internamento, e SOBRETUDO aos Meios de Diagnóstico, Tratamento e Medicação, são MISERÁVEIS!
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Quem tenha condições para utilizar clínicas, médicos e hospitais privados, livra-se do Imenso Inferno em que se transformou o Serviço Nacional de Saúde para o cidadão ANÓNIMO. Mas, QUEM tem condições financeiras para pagar, por exemplo, tratamentos oncológicos e longas estadas de internamento e cuidado nos Hospitais Privados?! Como bem sabem, NEM as Seguradoras os pagam consoante a necessidade dos utentes, mas sim e apenas consoante a APÓLICE que os mesmos possuírem e o plafond que lhe estiver atribuído.
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Ora, aqui chegados, não vos é NADA difícil perceberem a ENORME utilidade do Suicídio assistido. O que é o preço de uma injeção comparado com o de meses de cuidados paliativos? Para além de que se abre a porta às INÚMERAS probabilidades da irrevogabilidade consequencial…. tão fácil de manejar entre gente frágil e/ou envelhecida e só.
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NADA disto para mim é “estranho”. Pelo contrário, é de uma linearidade sistemática ridícula- O Sistema a expurgar a sua “escória”.
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Ver a “Esquerda” tão engajada nesta cruzada homicida, isso sim. Isso é um bom sinal dos tempos.
Maria Manuela



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